O Mundial é um Maná
O dia inaugural do Mundial ensinou-me várias outras coisas. Nomeadamente que nunca deveria ter apostado no México para desilusão da competição. E ensinou-me quem são os Maná, banda de uns rapazes já com idade para serem avós
















































































































































































































Jornalista
O dia inaugural do Mundial ensinou-me várias outras coisas. Nomeadamente que nunca deveria ter apostado no México para desilusão da competição. E ensinou-me quem são os Maná, banda de uns rapazes já com idade para serem avós
Um Mundial é também um exercício de humildade, assim estejamos nós abertos a essa possibilidade, que é a única que nos faz aprender. Não fosse o Mundial e eu não saberia, seguramente, o quão perto está Curaçau da Venezuela e não teria, mas de certeza absoluta, reconhecido há dias, na rua, a camisola do Pakhtakor FC, um dos principais clubes do Usbequistão, no orgulhoso corpo de uma criança.
O dia inaugural do Mundial ensinou-me várias outras coisas. Nomeadamente que nunca deveria ter apostado no México para desilusão da competição, porque há muito sei que vários dos melhores jogadores mexicanos mantêm-se no seu competitivo e financeiramente bem apetrechado campeonato nacional que, entre direitos de televisão e a vida a acontecer, nem sempre é fácil de acompanhar. E ensinou-me quem são os Maná, banda de uns rapazes já com idade para serem avós e que, na minha modesta opinião, foram a parte mais divertida da cerimónia de abertura mexicana, num Azteca repleto.
Não havendo já qualquer tipo de paciência para mensagens de como o futebol une as pessoas, como se este Mundial fosse exemplo disso e não do seu contrário, esqueci rápido Lila Downs, mas não os Maná, que entraram no cenário logo a seguir. Os 80 mil presentes no Azteca pareciam tão entusiasmados quanto eu, mais ainda porque pareciam conhecer de trás para a frente a letra de “Oye mi amor”, cantando-a com a alegria pura de quem dá de ouvidos no rádio do carro com uma cantiga que há muito não ouve.
Aqui vem a parte da humildade: até quinta-feira, eu não sabia quem eram os Maná, mas os Maná são uma das bandas latino-americanas que mais discos vendeu, mais de 45 milhões de cópias. Ganharam quatro Grammys e mais um ror de distinções nos mais diversos prémios da indústria. Como vos disse, sempre a aprender.
Confesso que tenho mais interesse antropológico do propriamente musical por estas bandas que ultrapassam gerações e que, em algum ponto da sua longa carreira, se veem num cenário global que as apresenta a ignorantes como eu. Entre as notícias de deportações, de vistos negados a dezenas de membros de delegações e adeptos que estão em listas negras apenas por terem nascido em determinado país, que o Mundial de futebol mantenha pelo menos esta capacidade de nos fazer humildes.
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