Jakub Kiwior e Jan Bednarek formaram a dupla de betão na linha defensiva do FC Porto campeão nacional
Diogo Cardoso
Há os óbvios destaques, como Diogo Costa e Victor Froholdt. As surpresas, como Pablo Rosario, e a revelação adolescente vinda da Polónia em janeiro. Estas são as classificações dos 23 jogadores que realizaram mais de 200 minutos na I Liga pelo FC Porto, o novo campeão nacional
Talvez a mais brilhante época da carreira do guarda-redes. Candidato a melhor jogador do campeonato, o dono da baliza da seleção é totalista na competição, realizando todos os minutos de todas as rondas. Com meros 15 golos encaixados, lidera a menos batida defesa da prova. Quando a máquina de pressão falhou, quando os sólidos centrais vacilaram, Diogo estava lá para salvar a equipa, com intervenções decisivas em partidas que marcaram esta caminhada, nomeadamente em Alvalade, no 2-1 de agosto que permitiu ganhar vantagem cedo, nas vitórias caseiras frente a Estoril Praia e SC Braga ou em Guimarães. Fundamental também pelas soluções que dá no jogo com os pés, realizou uma temporada imaculada, com o mérito de atingir este nível na sequência de uma campanha anterior abaixo do habitual. Chega, aos 26 anos, ao estatuto de tricampeão nacional.10
Alberto Costa
Titular indiscutível a abrir, perdeu fulgor a meio e terminou novamente em crescendo. Contratado à Juventus, o lateral rapidamente se afirmou, sendo opção inicial em 12 das 15 primeiras partidas e realizando cinco assistências na mão-cheia inicial de vezes que vestiu a camisola azul e branca. A concorrência de Martim Fernandes fê-lo dividir os minutos no miolo da temporada até aparecer pujante no sprint final. Marcou ao Famalicão, assistiu no Estoril e na Amadora. Em certos aspetos, exemplifica o perfil de alguns futebolistas de Farioli: poderoso fisicamente, rápido, com pulmão para constantes viagens pelo flanco, disponível para a pressão, ainda que com lacunas técnicas e criativas. Vai com umas notáveis oito assistências, parâmetro em que, na I Liga, só João Carvalho e Trincão (11 cada) o superam.7
Martim Fernandes
Chegou a parecer que esta seria uma temporada de escasso protagonismo para o produto do Olival. Até dezembro apenas foi duas vezes titular no campeonato, uma delas logo a abrir, a outra sendo expulso, em Arouca. Efetuou mesmo um jogo pela equipa B, numa fase em que parecia longe das preferências do treinador. Pouco a pouco foi convencendo Farioli, mostrando-se confortável tecnicamente e polivalente, apto para fazer as duas alas. Lançado de início contra o Sporting, na Luz e em Braga, foi importante na segunda volta. 6
Jan Bednarek
O capitão sem braçadeira que faltava. O clube de Jorge Costa, Aloísio, Fernando Couto, Bruno Alves ou Pepe estava órfão de um comandante da defesa, traumatizado por uma época em que Zé Pedro, Iván Marcano, Tiago Djaló e Nehuén Pérez acumularam noites de pesadelo. O experiente polaco, com muita tarimba de futebol inglês, personificou a promessa verbalizada no defeso por André Villas-Boas, quando o presidente reconheceu a necessidade de mudar o perfil competitivo do balneário e de trazer “líderes“. Bednarek aterrou em Portugal, só não foi titular em duas jornadas, cotou-se como poço de segurança. Resolveu contra o Nacional, fora de casa, apontou o golo do título e mostrou-se intransponível quando foi necessário baixar o bloco e defender vantagens, sendo praticamente imbatível nos duelos na própria área. Um pilar do campeão. 10
Jakub Kiwior
Contratado em cima do fecho do mercado, só debutou à quinta partida. Foi mais do que a tempo de, ao lado de Bednarek, formar uma parceria polaca que enterrou os fantasmas defensivos de 2024/25. Diferente do compatriota, menos líder, mais refinado tecnicamente, o canhoto foi fundamental nas rotas de saída de bola desenhadas por Farioli. Extremamente regular, ainda conseguiu ter impacto ofensivo, assistindo Deniz Gül para o golo decisivo na sofrida vitória em Moreira de Cónegos e lançando, através da precisão no passe longo, Pietuszewski para o primeiro golo da fundamental reviravolta em Braga.9
A dupla de centrais polaca formada por Kiwior e Bednarek foi fundamental para o título
Diogo Cardoso
Thiago Silva
Bednarek foi o expoente máximo da política de contratação de experiência, mas Thiago Silva, em janeiro, entrou na lógica que também engloba Pablo Rosario ou Luuk de Jong. Regressado, mais de 20 anos depois, ao seu primeiro destino na Europa, o brasileiro, 113 vezes internacional, acabaria por ser mais vezes titular nas provas a eliminar do que no campeonato, onde entrou a partir do pontapé de saída em cinco jogos. Sem brilhar, também não comprometeu, acrescentando a esperada serenidade. Ganha o nono campeonato da carreira, depois de sete em França e um em Itália. 4
Nehuén Pérez
Antes da aquisição de Kiwior, foi o acompanhante de Bednarek no eixo defensivo. Titular nas quatro primeiras jornadas, marcou ao Casa Pia, fez um auto-golo em Alvalade, na única vez que Diogo Costa foi batido para o campeonato até ao final de outubro. Sofreu uma lesão grave a 13 de setembro, na receção ao Nacional, não mais voltando a estar apto.2
Zaidu Sanusi
Importante em várias épocas da era Sérgio Conceição, com o golo do título na Luz em 2022 como símbolo máximo, o nigeriano vinha de duas temporadas de apagão. Somando 2023/24 e 2024/25, o canhoto apenas fora cinco vezes titular na I Liga. Com pouca utilização até fevereiro - apenas começando do princípio num par de encontros -, a segunda metade da campanha viu-o ter um inesperado renascimento. Com dois meses de uso quase ininterrupto, recuperou-se num momento fundamental, em contraciclo com Francisco Moura. Além dos conhecidos atributos físicos, espantou um renovado acerto com bola. Atinge os sete troféus pelo FC Porto, passando a somar dois campeonatos. 6
Francisco Moura
Foi um jogador em 2025 e outro em 2026. No ano que passou foi a primeira escolha de Farioli para a esquerda da defesa, até com dois golos e duas assistências. Na volta ao sol em que nos encontramos alternou entre o ausente e o criticado. Só com uma jornada a titular desde que 2026 existe, essa presença foi diante do Casa Pia, derrota que o deixou marcado. As duas partidas em que entrou afundaram ainda mais a imagem: lançado aos 84' contra o Sporting, cometeu o penálti que levaria ao empate leonino; saído do banco aos 58' na Luz, ficaria mal na fotografia dos dois golos encarnados. Possivelmente para proteger o ex-Famalicão da pressão dos adeptos, Farioli não o colocou a jogar no Dragão desde 9 de fevereiro.3
Alan Varela
Uma época de recuperação do melhor nível. No campeonato, apenas o indiscutível trio formado por Diogo Costa, Bednarek e Froholdt somou mais minutos que o pêndulo argentino. Sem a abrangência espacial de outros médios, foi importante pelo sentido posicional e certeza com a bola. Um dos que nunca saíram do onze durante o forte impacto no arranque da temporada, teve momentos de rotação com Rosario, mas foi seu o lugar nos embates decisivos. Não tremeu no penálti que deu a vitória, aos 85', em Guimarães, num dos golos marcantes do título. Já foi campeão argentino, agora estreia-se a ganhar a I Liga. 8
Victor Froholdt
De desconhecido a estrela do futebol português 2025/26. De médio que se destaca no Copenhaga, na periférica liga dinamarquesa, a motivo de cobiça dos grandes europeus. Victor Mow Froholdt é, possivelmente, o mais sério candidato a melhor futebolista do campeonato e isso diz tudo sobre o impacto do rapaz que só em fevereiro chegou às duas décadas de existência. Jogador de campo mais utilizado por Farioli na I Liga, a sua temporada está umbilicalmente ligada a esta caminhada: surgiu arrasador, levando tudo à frente através da energia, da pressão, de morder os calcanhares, de repetir movimentos e esforços vezes sem conta; teria uma quebra a meio da época, fruto do desgaste; regressaria à melhor forma no período em que se deu a definitiva descolagem dos rivais, beneficiando da rotação de Farioli - suplente para a Taça em Alvalade, suplente em todos os encontros a eliminar da Liga Europa - para brilhar nas últimas semanas: golo da vitória ao Rio Ave, assistência contra o Arouca, golo ao Benfica, bis de assistências ao Moreirense, golos a Estoril e Tondela. Marcando seis vezes e assistindo outras tantas, só Samu teve mais participação direta em golos. Mas o contributo do enérgico escandinavo vai bem além disso.10
Froholdt chegou e afirmou-se de imediato como indiscutível no meio-campo
NurPhoto
Pablo Rosario
Uma agradável e necessária surpresa. Aposta pessoal de Farioli, que o conhecia do Nice, foi fundamental na rotação que manteve o plantel fresco até ao fim. Com uma invulgar polivalência, que o fez atuar em diferentes funções da defesa e meio-campo, ninguém somou mais minutos que o internacional pela República Dominicana na junção entre Liga Europa e Taça de Portugal. Rosario foi uma espécie de alívio para outros companheiros, permitindo reservá-los para o campeonato, e um canivete suíço para Farioli, apto para o centro da defesa ou a posição mais recuada do meio-campo, para as laterais ou para um segundo escalão do setor intermédio. Olhando meramente para a I Liga, onde apenas foi titular 12 vezes, o seu destaque decresce face ao cômputo global da temporada, no qual merece nota mais alta.7
Gabri Veiga
Antes do Mundial de clubes, Villas-Boas “testou o mercado“. Da prova saiu a contratação de um ainda jovem espanhol, resgatado às Arábias para onde fora, com surpresa, depois de brilhar no Celta de Vigo com Carlos Carvalhal e ser apontado a grandes europeus. Finda a era Farioli, 2025/26 lançou o galego como escolha primordial face a Rodrigo Mora, o grande fenómeno da temporada anterior. Com um rendimento em crescendo, Veiga correspondeu ao desejado pelo treinador, dando força na pressão, capacidade de recuperação de bola, movimentos de rutura e, claro, a crucial bola parada. Dos pés do ex-Al Ahli brotaram várias jogadas criadas no laboratório do Olival, levando-o para as 12 assistências na época, o máximo do plantel. Com três golos na I Liga, falta-lhe aprimorar a finalização para regressar ao patamar de notoriedade alcançado em Vigo - 11 festejos na La Liga na tal época com Carvalhal -, mas a aposta de há 12 meses saiu vencedora e o duelo com Mora teve um triunfador claro.8
Seko Fofana
Poucos minutos, muito impacto. Está nesta lista à justa, pois leva 221 minutos no torneio da regularidade, resultado de 11 aparições vindas do banco, seis delas não fazendo mais do que 15 minutos. No entanto, o costa-marfinense maximizou as oportunidades: golo na estreia ao Sporting, golo decisivo na reviravolta em Braga, golo que não foi decisivo perante o Famalicão porque o adversário ainda chegaria ao empate. Com um físico longe do esplendor de há uns anos, a sua voracidade a atacar a área foi muito importante.6
Rodrigo Mora
Os horrores de 2024/25 tiveram no criativo a única luz para o FC Porto. Ora, quase uma época depois, Mora encontra-se na situação quase oposta, com o coletivo campeão e ele com muito menos destaque do que seria de imaginar. Foi claro, desde o verão, que Farioli preferia outro perfil de centrocampista, mais caçador de bolas e menos pensador. Bloqueada a transferências para a Arábia Saudita no desfecho do mercado, o ainda adolescente não virou a cara à luta e foi à procura de convencer o italiano. Acabou a ser titular num número considerável de desafios na temporada (19), mas o contributo no título foi diminutivo. Só por uma vez, na I Liga, esteve em campo mais do que 65 minutos, registando meramente um golo e uma assistência, ambos ainda em 2025. Desde a viragem do ano, só realizou mais do que 45 minutos na Madeira, frente ao Nacional. Uma época de choque com as dificuldades do futebol para um dos maiores talentos portugueses, que dificilmente estará no Mundial para onde parecia encaminhado há 12 meses, quando foi chamado à final four da Liga das Nações.4
OskarPietuszewski
O achado que ajudou a embalar para o título. Menor de idade, vindo do Jagiellonia Bialystok, o polaco poderia parecer um nome para o futuro, mas Farioli fê-lo protagonista do presente. A estreia, no quente D. Afonso Henriques, mostrou ao que vinha o adolescente de leste: entrado aos 73', ganhou o penálti que deu os três pontos e forçou uma expulsão. Num coletivo que, no equador da época, parecia perder energia, dando a ideia de ficar sem a genica do começo da campanha, Pietuszewski foi o agitador que evitou esse adormecimento. Foi seu, na Luz, um dos retratos icónicos do título, deitando por terra Otamendi e marcando contra o Benfica. Assistiu para o golo da vitória diante do Rio Ave, abriu caminho para o triunfo diante do Arouca, marcou ao Moreirense, cavalgou para dar a marcar em Braga, conquistou o penálti que levou ao 0-1 na Amadora. Com corpo de adulto, forte e potente, e entusiasmo de menino, o vigor nas semanas mais recentes tem a marca do mais novo dos campeões.8
O golo de Oskar Pietuszewski na Luz é um dos monumentos icónicos da época dos dragões
Carlos Rodrigues
Pepê
Uma época peculiar. Um dos mais titulados (chegou ao sétimo troféu, sendo a segunda liga) e antigos (vai em 239 partidas de dragão ao peito) do plantel do FC Porto, teve um ano de bastante utilização, mas escassos focos sobre si. O quarto com mais minutos na liga, principiou em 29 jornadas, agradando a Farioli pela fiabilidade e compromisso com a ideia de jogo. A questão que reduz a sua nota é que, depois de um arranque em força, com dois golos e duas assistências nas primeiras sete jornadas, deixou de fazer a diferença ofensivamente, só marcando uma vez e assistindo duas desde setembro. Um soldado coletivo, ainda que sem rasgo.6
Borja Sainz
Com algumas semelhanças com Pepê, também ele foi um atacante que se fez notar pelo lado gregário. Forte na reação à perda, sempre disponível para pressionar e repetir os mesmos padrões uma e outra vez, sem nunca verdadeiramente entusiasmar. Praticamente indiscutível, acabou por ser o grande lesado pela chegada de Pietuszewski. Foi 16 vezes titular, a última delas há mais de dois meses e meio. Entregou cinco golos e duas assistências, mas está em branco nas participações diretas em festejos desde dezembro de 2025. 6
William Gomes
É, basicamente, o oposto dos dois nomes anteriores. Menos utilização, menos trabalho operário, mais brilho, mais criação. Com cerca de menos mil minutos no campeonato do que Pepê e 400 atrás de Sainz, marcou o mesmo do que os dois colegas juntos. Oito tiros certeiros, no total da época foram 13, só atrás de Samu. Se, com Martín Anselmi, nas poucas vezes em que jogou foi recorrentemente ala esquerdo, agora partiu sempre da ponta oposta, como extremo direito. Ainda inconsistente, teve momentos de pequeno Hulk, fletindo forte para o centro, procurando o remate em arco para o poste mais distante. Em Alvalade marcou um candidato a golo mais bonito do campeão, contra o Estoril Praia e SC Braga foi decisivo em vitórias pela margem mínima. Um solista num grupo onde estes escasseiam.7
Samu
Os últimos dois campeonatos ficaram marcados pela superioridade de um ponta de lança face ao resto da competição. Viktor Gyökeres foi-se embora e, na sequência das duas campanhas de domínio do sueco, o novo rei da bola portuguesa não ficará na memória pelos registos históricos do seu atacante. Ainda assim, não se pode ignorar que, até se lesionar em fevereiro, Samu levava 13 golos em 20 partidas. Ainda o máximo concretizador da equipa, não se resumiu ao homem que decidiu contra o Nacional, o Estrela da Amadora, o AFS ou o Santa Clara. Quando Farioli chegou, rapidamente se vaticinou que o espanhol teria dificuldades com o estilo do italiano, sobretudo pela necessiade de ligar futebol e de efetuar apoios frontais. O que é certo é que, sem ser um prodígio técnico, Samu soube-se ir adaptando e, antes da grave lesão no começo da segunda volta, correspondia bem mais ao pretendido pelo treinador. Estava na rota do Mundial com Espanha e, sem ser o rosto do título, foi peça-chave enquanto disponível. 8
Apesar da lesão grave sofrida em fevereiro, Samu mantém-se como o melhor marcador da época do FC Porto
Diogo Cardoso
Terem Moffi
O FC Porto foi ao mercado em janeiro para dar profundidade ao plantel. Se Thiago Silva, Fofana e Pietuszewski corresponderam à intenção, Moffi foi um tiro ao lado. Outro velho conhecido de Farioli, com quem apontou 11 golos pelo Nice na Ligue 1 2023/24, as lesões fizeram do nigeriano um atacante pesado, preso de movimentos, que fica de mãos no joelho ao menor sprint. Somente com uma titularidade no campeonato, nem as lesões de Luuk De Jong e de Samu o ajudaram, perdendo na corrida para o esforçado, mas pouco goleador, Deniz Gül. Marcou para confirmar a vitória diante do Arouca nuns quase sempre irrelevantes 243 minutos.1
Luuk de Jong
Contratação à antiga, de surpresa, com contornos de golpe de teatro, foi mais um nome dos que, para além das qualidades com os pés, chegaram para contribuir com experiência e liderança. Relegou Samu para o banco em Alvalade, onde marcou, parecendo que a sua facilidade em ser referência frontal e o entendimento do jogo levá-lo-ia a ter papel importante. Não obstante, uma primeira lesão roubou-lhe três meses de competição. Voltou em novembro, antes de outro problema físico o fazer não jogar mais. Meros 259 minutos em campo. 2
Deniz Gül
Com Samu e Luuk, estava destinado a ser o terceiro na hierarquia. Sem o neerlandês, mas com Moffi, estava destinado a ser o terceiro na hierarquia. Ora, chegámos a maio e o turco foi titular em 10 das últimas 11 jornadas. Como? Bem, as ausência prolngadas de Samu e Luuk, associadas à falta de forma de Moffi, fizeram-no saltar para uma continuidade inesperada. Batalhador, constante na pressão e esforço sem bola, vestiu o fato de macaco, mas com a falta de golo que o caracteriza. Só festejou oito vezes em 65 desafios no FC Porto, contando quatro nesta caminhada para o título. Três deles valeriam, ainda assim, vitórias: o golo em Moreira de Cónegos, nos descontos, e o bis na Amadora, na reta final. Cumpriu perante as necessidades.5