José Madeira, um dos capitães dos ‘Lobos’, vai jogar (se tudo correr bem) no melhor campeonato europeu de râguebi
José Madeira a cantar o hino nacional, agarrado a Nicolás Martins, antes da final do Rugby Europe Championship contra a Geórgia
Levan Verdzeuli
O avançado português recém-promovido ao estatuto de capitão na seleção nacional e que em fevereiro conquistou o troféu do Rugby Europe Championship, fugido a Portugal há 23 anos, vai jogar no Perpignan na próxima época. O clube compete no Top14, principal liga francesa, cujo valor dos direito televisivos supera o da Ligue 1, a primeira divisão do futebol do país
São 25 anos de arcaboiço, 195 centímetros de altura e para cima de uma centena de quilos de peso assente em bastante músculo. José Madeira nem duas décadas de vida tinha quando se marimbou para o ‘e se corre mal?’, largou o Belenenses que nele cultivou o râguebi e zarpou, em 2020, rumo a França. Foi jogar para a equipa de espoirs do Grenoble, saído do amadorismo oval português para o profissionalismo gaulês, não tardando, logo à primeira época, a ser promovido à equipa principal.
Ele veio “de um país onde o futebol é religião”, onde “as crianças não sonham todas em serem All Blacks”, mas sim de um dia serem “o novo Cristiano Ronaldo”, evidências ditas assim pelo próprio José Madeira, em bom português, a narrar o vídeo publicado pelo Perpignan este sábado, no Instagram, como mensageiro da novidade: o português vai jogar no clube da terra do sudoeste de França, colada aos Pirinéus, a partir da próxima época.
A cidade fica a uma viagem de quatro horas de carro de Grenoble, muitas vezes José Madeira a visitou durante os anos na ProD2, o segundo patamar do râguebi gaulês. O pulo será maior do que os quase 450 quilómetros a separar os dois lugares. O Perpignan está no Top14, a cintilante primeira divisão de França considerada a melhor liga nacional na Europa, povoada pelos jogadores que recheiam a seleção bicampeã do Seis Nações e repleta de estrangeiros com tarimba.
“Enquanto os meus amigos iam jogar futebol, eu ia jogar râguebi”, relata José Madeira na sua apresentação no Perpignan, ocupante do 13º e penúltimo lugar do Top14 do qual já dificilmente sairá. A posição obrigará a equipa a disputar um play-off de manutenção, no final da temporada, com o segundo classificado do ProD2, de momento o Colomiers, equipa de Rodrigo Marta, recordista de ensaios pela seleção nacional.
José Madeira, à direita, a levantar o caneco do Rugby Europe Championship com Tomás Appelton: são co-capitães da seleção nacional
Quando deixou Lisboa, José Madeira levava “um sonho no coração”, sabemo-lo porque o ouvimos da sua voz à chegada virtual ao Perpignan onde na realidade já esteve (foi a base de Portugal durante o Mundial de 2023) e clubistícamente ainda não chegou: “Jogar no Top14.” O avançado e atual capitão dos ‘Lobos’, responsabilidade partilhada com Tomás Appleton, terá de ficar a torcer pelos futuros companheiros para que a sua em breve nova equipa permaneça no campeonato mais endinheirado da Europa.
O cume do râguebi gaulês é hoje mais generoso a recompensar com euros as equipas que lá competem do que a Ligue 1, um dos campeonatos que consta entre os big 5 do futebol europeu, o faz, prova da saúde do Top14 onde os estádios apinham-se de gente e as transmissões televisivas recolhem audiências consideráveis. “O sonho agora é que está a começar“, disse José Madeira, que assinou um contrato até 2028.