A Associação Super XV - Rugby Portugal vai organizar e dar nome ao campeonato português de râguebi a partir desta época, confirmaram à agência Lusa os clubes fundadores e a Federação Portuguesa de Rugby (FPR).
O protocolo que delega à associação de clubes a organização do principal escalão competitivo português será assinado na terça-feira, na sede da FPR.
A atual Divisão de Honra passará a ser denominada “Super XV” e o modelo competitivo volta a sofrer alterações, com o campeão nacional a ser, novamente, apurado através de uma final, após dois anos em que o campeonato não incluiu fases a eliminar.
“É um modelo mais apelativo, mais democrático, que permite alargar a competição a 12 clubes”, explicou à Lusa Luís Lança de Morais, presidente da Associação Super XV - Rugby Portugal, oficialmente constituída por escritura notarial em 6 de julho e aceite como sócia da Federação Portuguesa de Rugby (FPR) “por unanimidade da direção”.
A prova será disputada, em 2026/27, por Benfica, Cascais, Direito, Belenenses, CDUL, São Miguel, Agronomia, Técnico, Académica, CDUP, RC Santarém e AR Setúbal.
Todos os clubes irão defrontar-se numa volta única, que dá início à competição, e os oito primeiros classificados apuram-se para a fase final, o 'top 8', onde serão distribuídos em dois grupos de quatro equipas que se defrontam, novamente, numa volta única.
“Desta fase resultarão os apuramentos para as meias-finais e final, que determinará o campeão nacional”, explica um comunicado da Super XV.
Ainda assim, “é a federação que atribui o título de campeão nacional”, vincou Lança de Morais.
Isto porque, acrescentou o presidente da FPR, Carlos Amado da Silva, “nos termos do protocolo”, a atribuição da organização do campeonato nacional à Associação Super XV é “uma delegação de competências que a FPR faz apenas na vertente de organização” da competição.
“O campeonato é organizado pela Associação [Super XV], por delegação, mas o campeonato é da FPR, que mantém todas as suas competências regulamentares”, confirmou o líder federativo, em declarações à agência Lusa.
Os conselhos de Disciplina, Justiça e Arbitragem “mantêm as suas competências” sob a alçada da FPR, frisa, também, o comunicado da Super XV.
Ainda assim, clubes e FPR estão de acordo em que esta “ainda não é” uma Liga, uma vez que os clubes "ainda não são profissionais".
Em 1 de abril, Direito, Agronomia, Belenenses, Cascais, São Miguel, CDUL, Técnico e Benfica anunciaram a criação da "Super XV - Rugby Portugal", uma associação que teria “como objetivo reforçar o desenvolvimento, competitividade e sustentabilidade da modalidade" no país.
Nessa altura, o Super XV estava previsto para ser uma competição realizada à margem da Divisão de Honra, que até poderia “servir de apuramento” para o torneio, de acordo com declarações de Luís Lança de Morais à agência Lusa.
“A ideia não é colidir com a Divisão de Honra. Mas o âmbito da associação não se cinge somente à área desportiva. Tem como objetivo, também, criar sinergias e benefícios comuns aos seus clubes associados através da criação de uma economia de escala“, destacou, então, o também presidente do Direito.
Só que, entretanto, os clubes fizeram “uma proposta de modelo de competição da Divisão de Honra que foi aceite pela FPR” e o processo "evoluiu mais rapidamente" do que estava previsto.
“Chegámos à conclusão de que não havia espaço no calendário [para uma competição adicional], face aos compromissos internacionais das seleções e dos clubes. Então, propusemos que nos deixassem organizar a Divisão de Honra mediante protocolo”, explicou Luís Lança de Morais.
O campeonato português de râguebi disputa-se desde 1959 sob a alçada da FPR.
O Benfica é o atual campeão nacional, após vencer a Divisão de Honra 2025/26, colocando um ponto final num ‘jejum’ de 25 anos sem festejar a conquista do principal título da modalidade em Portugal.
Além do Benfica (10 títulos), todos os anteriores campeões nacionais integram o futuro Super XV: CDUL (20), Direito (12), Belenenses (10), Cascais (seis), Académica (quatro), Técnico (três) e Agronomia (dois).