Portugal

É difícil substituir Diogo Jota. Por uma “questão de perfil”, Roberto Martínez vai dar a Gonçalo Guedes essa oportunidade

A lista do treinador espanhol contou com 27 convocados
A lista do treinador espanhol contou com 27 convocados
JOSÉ SENA GOULÃO

Roberto Martínez tem vaga para que um terceiro avançado possa acompanhar Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos no Mundial. Apesar dos respeitáveis desempenhos de Paulinho, na antecâmara da competição foi Gonçalo Guedes a merecer a oportunidade. A convocatória para os testes (logísticos e futebolísticos) contra os Estados Unidos e o México não integra Ronaldo, mas tem os melhores alunos dos sub-21 – Rodrigo Mora e Mateus Fernandes – e poderá servir para ressuscitar Ricardo Horta na seleção

Uma vez que o pólen da nacionalidade portuguesa paira numa vasta abrangência de ligas, também fragmentadas estão as ambições a um lugar nos convocados para o Mundial. O prazo para candidaturas esgotou-se. Para aqueles a quem Roberto Martínez ainda não deu relevo, vai ser “muito difícil” estar no grande torneio do próximo verão. Mas “a porta da seleção está sempre aberta”, anima-os o técnico espanhol, repetindo o seu ditado. No entanto, “o futebol é imprevisível” e surpresas podem acontecer.

A três meses da seleção se mesclar num grupo com Uzbequistão, Colômbia e um adversário mistério (vindo do play-off de apuramento), o momento final da recruta implica um teste à exigência das condições. Nesta derradeira “oportunidade para experimentar”, a seleção vai “trabalhar muito o protocolo de mudança de horários e altitude para poupar tempo em junho”.

Assim sendo, Portugal vai defrontar o México (29 de março, 2h) a feijões, no Estádio Azteca, para habituar os sistemas respiratórios dos jogadores a atuarem 2200 metros acima da linha média da água do mar. Seria curioso, num estágio para adaptação às condições, Paulinho ser convocado, ponta de lança que vai testando os pulmões a uma altitude de 2700 metros na casa do Toluca, no Estádio Nemesio Díez. Quanto ao jogo frente aos Estado Unidos (1 de abril, 00h), em Atlanta, a preocupação será lidar com um estádio fechado.

Ambos os encontros contarão com pausas de três minutos em cada parte para que os intervenientes beberiquem água, outro treino para o que aí vem: os jogos do Campeonato do Mundo de 2026 terão, na prática, quatro partes de 27 minutos casa, mais coisa menos coisa.

Um dos grandes dilemas de Roberto Martínez na antecâmara do Mundial é o terceiro ponta de lança, porque o jogador ideal foi promovido a estrela. “O nosso Diogo Jota era um avançado muito importante, tinha polivalência e vamos tentar substituir isso.” O selecionador decidiu ver como Gonçalo Guedes se dá e testá-lo para possivelmente acompanhar Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos entre as opções para a posição mais adiantada. O “avançado polivalente” da Real Sociedad está “num momento de forma que merece a chamada”.

Para tentar sustentar com dados a opção, Martínez citou os nove golos que Gonçalo Guedes tem esta época. Paulinho leva 55 em 80 jogos pelo Toluca, mais do que marcou em três épocas e meia no Sporting. Trata-se de uma “questão de perfil”, justificou o treinador. “O Paulinho é um jogador que respeitamos muito. Acompanhamos o que está a fazer, mas é um perfil igual ao do Cristiano Ronaldo e do Gonçalo Ramos. Precisamos de priorizar outras valências”, completou num involuntário elogio.

Juntando-se às ausências por lesão de Bernardo Silva, Rúben Dias e Nélson Semedo, há um desfalque no ataque. Cristiano Ronaldo tem uma lesão muscular “leve”, mas deve estar apto dentro de “uma ou duas semanas”, nada que encolha as hipóteses do capitão estar no Mundial. “Tudo o que o Cristiano Ronaldo fez fisicamente este ano mostra que está num momento ótimo.”

Os jogos particulares que se avizinham podem servir para Roberto Martínez se desculpar. Ricardo Horta foi o único jogador a quem o treinador ligou após o ter deixado de fora do Euro 2024. Embora não seja internacional desde novembro de 2023, “merece ser chamado pelo papel que tem no SC Braga”, onde vai mantendo a “experiência”, a “inteligência” e a capacidade de “decisão no último terço”, qualidades que em tempos já tinham seduzido o técnico.

Num papiro cheio de novidades, Roberto Martínez premiou desempenhos de relevo nos sub-21. Rodrigo Mora, embora tenha tido presença inativa na final four da Liga das Nações, atravessou um “momento importante” de visita à equipa de esperanças para se entreter na qualificação para o Europeu. A presença no estágio ainda dependente de um exame médico. Com lugar mais seguro está Mateus Fernandes, dotado de “energia e polivalência”.

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