Portugal

Muitos nomes garantidos, poucas dúvidas por dissipar: o que esperar da convocatória de Portugal para o Mundial 2026

A convocatória de Portugal é divulgada às 13h00, na Cidade do Futebol
A convocatória de Portugal é divulgada às 13h00, na Cidade do Futebol
Omar Vega

Uma vaga no centro da defesa, uma no meio-campo, uma no ataque, possivelmente uma entre o meio-campo e o ataque. Residem nestas posições os escassos pontos de interrogação sobre os 26 que Roberto Martínez irá levar ao Mundial, em lista a conhecer às 13h00

Muitos nomes garantidos, poucas dúvidas por dissipar: o que esperar da convocatória de Portugal para o Mundial 2026

Pedro Barata

Jornalista

Durante muitos anos, os selecionadores nacionais tentavam imitar os primeiros-ministros ou Presidentes da República, agendando as mais importantes comunicações ao país para as 20h00. Seguindo essa tradição, Carlos Queiroz, Paulo Bento ou Fernando Santos habituaram-nos a optar pela hora de abertura dos telejornais para divulgar os eleitos para as fases finais de grandes torneios.

Talvez pela ausência de dúvidas quanto à esmagadoria maioria dos 26 futebolistas que estarão no Mundial 2026, Roberto Martínez não colocou o anúncio da convocatória na solene janela horária. Será às 13h00 e, a menos que o técnico espanhol seja invadido por uma súbita tendência para a surpresa, pode-se avançar, com elevado grau de segurança, que a base do plantel não sairá do que tem sido hábito. Desta forma, mais de 20 das vagas parecem ter dono, salvaguardando-se lesões de última hora.

Os bilhetes no avião para o outro lado do Atlântico que se encontram em disputa dizem respeito a opções secundárias, até com poucas hipóteses de serem utilizados de forma significativa. Falamos da quarta opção para o centro da defesa, de um ou dois nomes para o meio-campo e de um atacante. Mas vamos por setores, recordando que Portugal arranca o Mundial no dia 17 de junho, defrontando a República Democrática do Congo, seguindo-se um embate perante o Uzbequistão no dia 23 e fechando o Grupo K diante da Colômbia, quatro dias depois. O torneio principia a 11 de junho e tem final a 19 de julho.

Guarda-redes

Há três nomes a escolher para a mais específica das posições e, salvo surpresa, os três guardiões estão decididos. Diogo Costa, José Sá e Rui Silva foram o trio de guarda-redes presente em todas as convocatórias de 2025, não havendo motivo para pensar que Bob fugirá ao habitual.

Diogo Costa é o indiscutível titular. Com 42 internacionalizações, assumiu a sucessão de Rui Patrício ainda com Fernando Santos e o estatuto nunca esteve em causa com Martínez. Vem da melhor época no FC Porto. José Sá e Rui Silva, cada um deles com direito a um encontro de início nos recentes amigáveis diante de EUA e México, são as alternativas. Caso suceda alguma coisa com Costa, Sá ou Silva, o quarto na hierarquia é Ricardo Velho, que esta época representou o Gençlerbirligi, da Turquia.

Defesas

No centro, três defesas têm ida certa ao Mundial. São eles Ruben Dias, Renato Veiga e Gonçalo Inácio. Os dois últimos, canhotos, devem lutar por um lugar ao lado do homem do Manchester City, titular nas três últimas fases finais. Ainda assim, Dias — que tem sofrido com problemas físicos — vai para o torneio na sequência da época de menor utilização no City, não disputando um desafio completo desde 11 de março.

Olhando às últimas listas do antigo selecionador da Bélgica, o bilhete que falta será um duelo benfiquista. António Silva e Tomás Araújo discutem a quarta vaga entre os centrais, aplicando-se uma lógica quase inversa à que se tem visto no clube: se no Benfica Araújo vem sendo opção preferencial face a Silva, na seleção é António quem, de longe, tem mais tempo de utilização, também devido às limitações físicas do colega. António Silva esteve em todas as convocatórias de Portugal ao longo de 2025, contando 20 internacionalizações e presença nos derradeiros Europeu e Mundial. Tomás Araújo só fez três encontros por Portugal, sendo que a única aparição oficial foi na Croácia, em 2024, num embate em que o futuro na Liga das Nações já estava decidido. Ainda assim, está tudo em aberto, até a hipótese de irem cinco centrais e menos um centrocampista.

Colegas no Benfica, António Silva e Tomás Araújo devem discutir uma das vagas no centro da defesa
Gualter Fatia

As laterais contam com três futebolistas garantidos e um que, estando bem encaminhado, ainda encerra algumas dúvidas. Os certos são Nuno Mendes, Diogo Dalot e João Cancelo. O canhoto do PSG é fixo no onze, enquanto os outros dois, de características bem diferentes, oferecem a vantagem da polivalência, podendo atuar em ambos os flancos.

O favorito para lhes fazer companhia é Matheus Nunes. Médio de grande rendimento no Sporting de Ruben Amorim, foi puxado para a direita da defesa por Pep Guardiola e vem de meses de alto rendimento, tendo dado boas indicações nos últimos amigáveis da seleção nacional. Não obstante, Nélson Semedo, presente nos cinco jogos de Portugal no Euro 2024, em nove dos 10 da Liga das Nações e em quatro dos seis da qualificação, não pode ser tirado da equação, ainda que pareça ter perdido neste sprint final.

Médios

Principiemos pelos que, livrando-se de azares, estarão no Mundial. Ruben Neves, João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes e Bernardo Silva estarão na convocatória, tendo todos, até, legítimas ambições de figurar no onze inicial. Em aberto fica uma ou duas vagas no meio-campo, segundo a arquitetura que Martínez pretenda adotar.

Samu Costa jogou ambas as partidas que Portugal fez, em março: foram as últimas antes de Roberto Martínez escolher os convocados para o Mundial
Manuel Velasquez

Um dos duelos diretos parece ser entre João Palhinha e Samu Costa. São dois médios que partilham o vigor físico, a agressividade e a força nos duelos, ainda que o segundo possua mais chegada à área adversária, como se vê pelos sete golos que leva no Maiorca. Palhinha foi, durante largos meses, uma constante no plantel da seleção, mas a conjugação entre alguns problemas físicos, a época atribulada no Tottenham e o excelente rendimento de Samu em Espanha, bem como as boas indicações que o último deixou nos últimos amigáveis de Portugal, colocam o favoritismo do lado do menos experiente dos dois.

Outra disputa que se vem desenhando é entre Ricardo Horta e Pote. O capitão do SC Braga fez uma época superior, mas uma lesão recente abriu a porta ao transmontano do Sporting. Nesta posição atrás do ponta-de-lança, Rodrigo Mora seria, há um ano, o grande favorito, tendo até ido à final four da Liga das Nações, mas o menor protagonismo no FC Porto de Farioli tornam-no um outsider.

Finalmente, caso Martínez decida levar um médio de maior abrangência posicional, mais na linha de João Neves, Mateus Fernandes pode entrar no lote de escolhidos. O ex-Sporting tem sido destaque na Premier League, pelo West Ham, e a inclusão nos últimos particulares da seleção evidencia que está no radar de Bob.

Avançados

Outra zona plena de certezas. Com efeito, Pedro Neto, Rafael Leão, João Félix, Francisco Trincão, Francisco Conceição, Gonçalo Ramos e Cristiano Ronaldo constarão, salvo grande surpresa, dos nomes que serão escutados um pouco depois das 13h00.

Neto, Leão, Conceição e Trincão têm ocupado as alas do ataque de Portugal. De características diferentes, todos já dispuseram de momentos de protagonismo na era Martínez, que não tem extremos com o carimbo de titulares absolutos. Ronaldo é indiscutível no meio, secundado por Ramos.

Goleador no México, Paulinho é uma das dúvidas da lista
Agustin Cuevas

Em teoria, há espaço para mais um atacante. Pode até dar-se o caso de serem dois, se o número de médios minguar, ou, em sentido inverso, de não caber mais ninguém para a dianteira.

Em todo o caso, o espaço que se pode abrir (ou não), irá, salvo surpresa, para Paulinho ou Gonçalo Guedes. Convém frisar — e isto vale para o ataque e para o resto da convocatória — que, no passado, Roberto Martínez mencionou que a ausência prévia em listas era um fator que pesava contra a inclusão de certos jogadores. Seguindo esta regra, Paulinho e Guedes, eleitos para os mais recentes amigáveis, são os mais plausíveis candidatos para o ataque.

Será, sobretudo, uma eleição de perfil. O selecionador tem sublinhado o impacto desportivo da perda de Diogo Jota, um avançado que tanto era ponta-de-lança como descaía mais para as alas, características que não têm substituto óbvio. Gonçalo Guedes é um nome mais para extremo, apostando na velocidade e verticalidade, enquanto Paulinho seria um terceiro homem de área, além de Ronaldo e Ramos, acrescentando jogo aéreo e golos, como tem provado no México.

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