Portugal

Sem referir futuro de Ronaldo, Jorge Jesus diz que a sua primeira convocatória só “terá dois ou três jogadores novos”

Jorge Jesus durante a conferência de imprensa da sua apresentação como selecionador nacional
Jorge Jesus durante a conferência de imprensa da sua apresentação como selecionador nacional
Gualter Fatia

Numa entrevista ao Canal 11, o novo selecionador nacional apontou o Mundial de 2030 como “o grande foco” e, para já, não vai entrar em revoluções, até porque ainda não começou a falar com os jogadores. Começar com quatro jogos oficiais, na Liga das Nações, é, sublinha, uma ajuda

Ainda não há treinos, mas Jorge Jesus trabalha como se tivesse um jogo já daqui a dias. O novo selecionador nacional tem passado os dias na Cidade do Futebol. Para já, a conhecer os cantos a uma casa que pretende que seja sua pelo menos nos próximos quatro anos.

“Todos os dias estou aqui, às 8h ou 9h já estou aqui. Saio às 17h. ‘Ah, mas o que é que estás a fazer se não há treinos?’ Há muita coisa para fazer”, confessou o treinador de 71 anos, bem à sua maneira, na primeira entrevista desde que se tornou no novo líder da seleção portuguesa, concedida ao Canal 11, meio oficial da Federação Portuguesa de Futebol.

Mantendo o registo da conferência de imprensa de apresentação, dias depois da saída de Roberto Martínez e da desilusão que foi a participação de Portugal no Mundial 2026, Jorge Jesus confessou na conversa que ainda não começou a falar com os jogadores: “Porque ainda devem estar de férias. Mas tenho de começar a falar”. Quando estiver para sair a primeira convocatória, em setembro, para os compromissos da Liga das Nações, Jesus quer já ter contactado “com a grande maioria” dos futebolistas, numa lista que, sublinha, não trará uma revolução face aos nomes que estiveram no Mundial das Américas.

Porque, para já, não há tempo para tal e Jesus, frisa, não é “burro”. Diz que não há “um leque assim tão grande” de jogadores que possam ser chamados para setembro. “Não vai fugir muito, terá dois ou três jogadores novos”, garantiu. “Mas nos quatro anos vai acontecer, não tenho dúvidas nenhumas”, atirou, sobre possíveis caras novas. Quanto ao que pode ser a sua equipa, não abriu muito o jogo, revelando, no entanto, que é raro uma equipa sua não ter “um médio posicional“.

Jesus acredita que começar já com quatro jogos na Liga das Nações vai ajudá-lo. “Dá-me tempos nestes 15 dias para estar com eles. Os jogos são de três em três dias, mas vamos ter vários treinos em que vamos estar a crescer para o futuro”, aponta. O facto de já ter treinado “12 dos jogadores chamados ao Mundial” é outra vantagem. “Há uma ligação, eles já me conhecem, eu conheço as características dele e eles as minhas”, aponta, lembrando, ainda assim, que é hoje “um treinador diferente”. Com “mais paciência”, ainda que o nervo esteja lá sempre: “No dia em que já não tiver nervos é porque a minha paixão já não está igual, aí de certeza que já não serei treinador.”

O foco e a ideia principal

Numa entrevista em que não houve perguntas específicas sobre Cristiano Ronaldo e o seu presente e futuro, Jesus assumiu que, sim, “os jogadores têm estatutos diferentes” pelo seu passado e importância para as equipas - mas “regras iguais”, lembrou - e apontou a ideia principal para se construir uma equipa ganhadora: “É saber defender bem. Vimos no França-Espanha, ganhou a Espanha porquê? Porque defendeu melhor, soube parar a qualidade dos franceses. Eu passo isso aos meus jogadores: para conquistar títulos é preciso defender bem. Se não souberes, até vais ganhando uns jogos, mas não conquistas títulos”.

Ter uma equipa forte passa também, “além da técnica e da tática”, porque ter “carácter, um grupo unido, amigo, que perceba que não podem jogar todos ao mesmo tempo”. Mas em todas as equipas, recordou, “uns são mais importantes do que outros, isso não há volta a dar”.

O grande foco deste projeto, que aceitou por acreditar que há “condições para ganhar Mundiais e Europeus”, é o “Mundial de 2030”. O apelo de treinar Portugal em Portugal foi muito forte. Para a sua equipa técnica, reconheceu, está ainda à procura de um antigo internacional português, mas não alguém apenas para ir para ir marcar o campo e meter os pinos, mas sim para fazer parte do trabalho“.

Jorge Jesus fará a estreia como selecionador nacional frente ao País de Gales, no dia 24 de setembro, para a Liga das Nações. Dois dias depois joga na Noruega.

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