Portugal

A primeira convocatória de Jorge Jesus terá novidades quanto baste. Onde poderão estar as mudanças?

O que vai na cabeça de Jorge Jesus? O selecionador foi apresentado em julho e vai-se estrear no banco de suplentes no arranque da Liga das Nações
O que vai na cabeça de Jorge Jesus? O selecionador foi apresentado em julho e vai-se estrear no banco de suplentes no arranque da Liga das Nações
Horacio Villalobos

O novo selecionador nacional prometeu apenas “dois ou três jogadores novos” face ao grupo que Roberto Martínez levou ao Mundial 2026. A zona central da defesa, o equilíbrio dos laterais, a procura por um médio mais intenso e o terceiro avançado podem estar na origem das alterações que dificilmente afetarão as figuras principais. Só a bola a rolar, contra País de Gales e Noruega, vai permitir decifrar os alicerces da era que se avizinha

As ideias impulsivas estão condenadas ao insucesso pela maneira precipitada como são colocadas em prática. Os planos que sejam dignos de tal nome passam por várias fases de maturação, uma delas o papel, que os acolchoa enquanto ainda não estão no estado sólido.

Esta sexta-feira, a convocatória de Jorge Jesus vai saltar das notas para a praça. Pela primeira vez, o selecionador que chegou ao cargo em julho para substituir Roberto Martínez após o insípido Mundial 2026 vai fornecer material para a querela. O técnico prepara-se para apresentar os jogadores prontos a defrontar País de Gales (24/9, 19h45) e Noruega (27/9, 19h45), encontros que marcam o início da defesa da Liga das Nações, título que pertence a Portugal.

JJ considera que tem ao dispor “uma das melhores seleções do mundo” recheada de “matéria-prima para desenvolver”. Não há indícios de que se aproxime uma razia à lista de 27 jogadores premiados pelo antecessor com uma viagem às Américas. O treinador de 72 anos deixou-o bem explícito quando foi apresentado. Considera que a média de idades dos jogadores que estiveram no Mundial (27,32 anos) não exige uma mudança tão acentuada. “Neste momento, não tem que haver uma remodelação na seleção”, afirmou. Para acalmar os insurgentes, foi ainda mais longe numa entrevista ao Canal 11 onde preparou a audiência para a inclusão de apenas “dois ou três jogadores novos”.

A baliza parece a salvo de ser visada com retoques. Mesmo que Samuel Soares ao assumir a titularidade do Benfica tenha atingido a notoriedade necessária para ser observado, o trio de gurada-redes deverá permanecer intocável. A titularidade de Diogo Costa não se questiona. José Sá, que se prepara para alargar o grupo de jogadores convocados para a seleção nacional enquanto representam um clube da segunda divisão, e Rui Silva aproveitarão a sombra. Já Ricardo Velho espreita um eventual reordenamento hierárquico para sair da cauda do grupo.

Após falhar o Mundial, João Palhinha voltou ao radar da seleção ao reforçar o Benfica
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Foi assunto ao longo do Mundial o desequilíbrio entre destros (quatro) e esquerdinos (um) nas opções para as laterais. Na eventualidade de Nuno Mendes ser acompanhado por uma opção natural para o flanco canhoto, o regresso de Nuno Tavares ou a estreia de Flávio Nazinho (em destque no Mónaco) são possibilidades. Para tal acontecer, as vagas para o lado direito da defesa terão que ser desbastadas. Matheus Nunes é um escolha pouco ergonómica, uma opção para treinadores com um paladar especial, e João Cancelo ainda está à procura de consistência no regresso ao Barcelona (realizou apenas dois jogos como titular).

Noutros assuntos, Jorge Jesus tem recebido alguns conselhos. O treinador do Sporting deu-lhe a indicação de que Eduardo Quaresma “é claramente jogador de seleção”. O central leonino poderá entrar numa equação onde o dilema António Silva/Tomás Araújo também terá que ser resolvido. O início de época periclitante nos leões pode descolar Gonçalo Inácio da corrida, embora goze do trunfo de ser esquerdino.

A prontidão com que abordou a configuração do meio-campo demonstrou vontade acrescida para levar a cabo reformulações. O selecionador nacional assumiu preferir médios “com mais andamento e dinâmica”. Com estas pistas, há um nome que entra imediatamente nas cogitações: João Palhinha. A novela de mercado em que se transformou a transferência para o Benfica devolveu-o à ribalta. No entanto, a resolução tardia da mesma adiou a chegada ao pico de forma, que parece cada vez mais próximo. Assim, talvez a continuidade de Samuel Costa, jogador fetiche de Martínez, esteja em vias de ser extinta.

Gonçalo Paciência tem duas internacionalizações por Portugal, um golo e uma assistência. Vestiu a camisola da seleção pela última vez em 2019
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Em aberto está a mítica vaga do terceiro avançado. Cristiano Ronaldo vai ser anunciado por JJ, que o vai utilizar “dentro das condições que achar que são as melhores para a seleção”. Gonçalo Ramos também fará parte da lista. Candidatos não faltam para a vaga restante: Paulinho superou os 30 golos no Toluca na época passada, Gonçalo Paciência marcou cinco vezes em seis jogos pelo Santa Clara e André Silva voltou ao FC Porto para entrar neste debate. De recordar, que Jesus tem em Pedro, avançado brasileiro do Flamengo que alia a compleição física ao bom trato de bola, o protótipo de ponta de lança.

Devido ao número reduzido de pinceladas autorais prometidas, por agora, a constituição do plantel não deve ser a alteração mais drástica. As mudanças profundas serão estilísticas. “A minha ideia de jogo tem zero a ver com aquilo que era a seleção portuguesa”, revelou Jorge Jesus. Perspetiva-se uma equipa menos contemplativa e mais objetiva. Só assim o treinador poderá cumprir a promessa de colocar Portugal a “jogar o dobro”.

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