Na seleção parece não existir um por todos, apenas todos por um. A braçadeira que se devia amarrar a quem defende o bem comum encontra-se acoplada a alguém capaz de abalar o estágio de Portugal para que a sua vontade particular prevaleça.
O tema da não utilização de Cristiano Ronaldo contra a Noruega e posteriores desenvolvimentos estava engatilhado. Era só Jorge Jesus colocar-se à disposição para responder a perguntas e ele surgiria. Uma situação complexa não se esclarece sem uma comissão de inquérito que aprofunde com detalhe o assunto que teima em permanecer em debate. Não é obsessão jornalística, é o caos em que a gestão do avançado se tornou.
O assessor de imprensa frisou que esta era uma conferência de lançamento do jogo contra a Dinamarca. A indicação, dada em tom de pedido, foi somente uma ilusão.
“É verdade que eu combinei com ele, tal como também combinei com o Bruno Fernandes. Disse ao Cris que ele não ia jogar na Noruega e na Dinamarca. Trabalhei um ano com ele e conheço as condições físicas do Cris. Na Arábia Saudita, quando havia jogos de três em três dias, raramente o Cris jogava. O Cris nunca treina no primeiro dia e no segundo dia após o jogo”, arrancou reiterando que o ponta de lança “nunca se negou a nada” apesar de ter ficado descontente por ter aquecido “20 ou 30 minutos” e não ter entrado.
Perante os rumores que apontavam para um conflito com Ronaldo, o técnico esclareceu que está em paz com o jogador. “Já tive casos com muitos jogadores, mas neste caso não existe. Isto foi uma opção de treinador, que tinha um plano. Isto para vos dizer que o estatuto é uma coisa. As regras são iguais para todos. O estatuto não faz os jogadores diferentes uns dos outros. O estatuto é o respeito pela carreira deles. Quem decide sou eu. Até os presidentes sabem. Na equipa, mando eu. Em tudo onde eu estiver.”
Jorge Jesus preparava-se para fugir ao tema, porque só ia deixar que lhe fizessem duas questões sobre Ronaldo, mas voltou a ser abordado. A certo momento até desabafou. “Parece que viemos aqui fazer um jogo amigável sem interesse nenhum.” Para que não restassem dúvidas, explicou os passos dado por Cristiano na antevéspera do duelo frente aos nórdicos. “Não se recusou a treinar. Fez mobilidade no campo e depois foi fazer um trabalho de reforço para o hotel. Era impossível ele recusar-se a treinar. Acham que algum jogador de nível de seleção que se recusa a treinar?”
O burburinho causado pela situação obrigou Jorge Jesus a ter uma conversa com Cristiano Ronaldo “sobre um caso que não existia”. Nesse momento, o jogador do Al-Nassr terá demonstrado total alinhamento com a vontade do treinador. Mais tarde, juntou-se a eles Pedro Proença. “O papel do presidente é falar com o capitão e com o treinador quando há ruído. Se não houvesse este caso, ele vinha na mesma. O presidente não veio resolver nada.”
“Nenhum jogador ou ninguém do futebol vai mudar as minhas ideias como treinador.” Assim sendo, Gonçalo Ramos tem a titularidade contra a Dinamarca assegurada.
Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: piquete@expresso.impresa.pt