Não o fez em Copenhaga, aos jornalistas ou diante de um microfone. Fê-lo na plataforma onde é a pessoa mais seguida do planeta. “Após a conferência de imprensa do Selecionador Nacional, e no seguimento de uma conversa com o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol”, escreveu Cristiano Ronaldo no Instagram, “tomei a decisão de deixar o estágio na Seleção Nacional”.
No Instagram, rede social onde conta com mais de 679 milhões de seguidores, o capitão da seleção nacional foi conciso. “A seu tempo, direi a verdade a todos os Portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional, à qual sempre me dediquei“, resumiu, sendo, até ao momento, o primeiro dos envolvidos a reagir ao sucedido na Dinamarca, esta quarta-feira.
Cristiano decidiu não comparecer no treino da seleção e abandonar o estágio após a conferência de imprensa de Jorge Jesus, na qual o treinador abordou a polémica dos últimos dias, declarando não haver “caso nenhum” com Ronaldo após a sua não utilização no encontro em Oslo, frente à Noruega, no domingo. Foi apenas a terceira vez em jogos oficiais de Portugal que o jogador ficou no banco de suplentes e não entrou em campo.
Ronaldo confirma o seu abandono do estágio da seleção nacional que, além da partida de quinta-feira, contra a Dinamarca (19h45, RTP1), ainda incluirá um quarto jogo, no domingo, quando Portugal receber a Noruega no Estádio do Dragão. “Agora é tempo de desejar boa sorte a Portugal e a todos os meus companheiros de equipa, sem exceção“, completou.
Nem meia-hora depois, a FPF emitiu o seu comunicado a confirmar que Cristiano Ronaldo “deixou o estágio” e que “a preparação prosseguirá nos termos previstos” com os restantes 24 jogadores. A entidade garante que “a comitiva mantém o foco absoluto nos próximos compromissos” de Portugal e na “concretização dos objetivos definidos”.
O capitão da seleção nacional foi o primeiro a reagir ao que parecia ser a sua não comparência no treino, mas afinal foi um abandono do estágio, o primeiro com Jorge Jesus enquanto selecionador nacional. Ronaldo não mencionou Jorge Jesus e, ao indicar que falou com Pedro Proença antes de decidir abdicar desta concentração da equipa, coloca o presidente da Federação como estando a par do processo.
Um jogador sair pelo próprio pé de um estágio da seleção nacional é uma raríssima raridade. Aconteceu antes com Ricardo Carvalho, em 2011, um dia antes de Portugal defrontar o Chipre para a qualificação rumo ao Europeu do ano seguinte. O selecionador era Paulo Bento e o defesa central, então no Real Madrid, alegou sentir-se “desrespeitado e ferido” pelo treinador. A Federação Portuguesa de Futebol, ainda liderada por Fernando Gomes — antecessor de Pedro Proença —, castigaria o jogador com um ano de suspensão.
Mais tarde, com o mesmo líder federativo mas convidado por um treinador diferente (Fernando Santos), o defesa central regressou à equipa nacional, em 2014, a tempo de ser campeão europeu em 2016.
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