Portugal

O número 7 foi usado por 15 jogadores durante a era Ronaldo, mas apenas deu sorte a um: o rasto da camisola mais desejada da seleção

Rafael Leão quis "honrar" a camisola 7 contra a Dinamarca
Rafael Leão quis "honrar" a camisola 7 contra a Dinamarca
Eurasia Sport Images

Quando Cristiano Ronaldo abandonou a seleção, o seu número foi atribuído a outro jogador por obrigatoriedade regulamentar da UEFA. Rafael Leão vestiu o 7 contra a Dinamarca, tornando-se o 15º jogador a usá-lo em encontros oficiais. Bruma foi quem mais vezes o teve à disposição e Nani o único que marcou com esta camisola

Rafael Leão é um crónico sorridente que não precisa de ser excessivamente persuadido para mostrar os dentes. Neste caso, a ocasião era especial e justificava a alegria. De certo modo, não deixa de ser um sinal do quão indiferentes os jogadores da seleção ficaram em relação ao tumulto dos últimos dias.

A partir de 2007, após a retirada de Figo da seleção, a camisola 7 passou a fazer parte dos pertences de Cristiano Ronaldo. O tom empresarial que adotou torna o detalhe relevante. Desde aí, o número fixou-se nas suas costas. O desertar do estágio de preparação para o jogo contra a Dinamarca tornou inevitável que o algarismo fosse atribuído a um dos perenes elementos da equipa.

Teve um “significado especial” para Rafael Leão utilizar a camisola 7 contra a Dinamarca, na Liga das Nações. As razões do contentamento, admitiu, prendem-se com a admiração para com Ronaldo, que com ela se fez o jogador com mais internacionalizações (234) e golos (146) por Portugal. “Para mim, o Cris é um ídolo de infância”, afirmou o extremo do Galatasaray. Depois, o lado pessoal também pesou. “É a data de nascimento dos meus filhos.”

A atribuição da camisola 7 não se tratou de uma provocação a Cristiano Ronaldo, apenas do cumprimento das normas.

Bruma, outro dos jogadores que se apoderou da camisola
NurPhoto

O artigo 37 do regulamento da Liga das Nações obriga a que “os jogadores sejam numerados entre 1 e 23 nos jogos da fase de grupos, quartos de final e play-offs”. Uma vez que Portugal inscreveu o número máximo de jogadores na ficha de jogo, era impossível deixar dorsais por atribuir.

Jorge Jesus convocou 25 jogadores para o quádruplo compromisso de Portugal, mais dois do que aqueles que podem estar disponíveis para as partidas. De encontro em encontro, por vezes de forma forçada, o técnico tem feito ajustes na lista, algo que levou a menos mediáticas mudanças na numeração. Por exemplo, Gonçalo Inácio ficou na bancada frente ao País de Gales, mas foi suplente contra a Noruega. Ao saltar para as opções, tomou a camisola 8, normalmente detida por Bruno Fernandes, médio que esteve ausente do jogo realizado em Oslo.

A distribuição de números consecutivos é uma prática habitual no futebol de seleções, motivo pelo qual nunca veremos alguém usar o 87 como João Neves faz no Paris Saint-Germain. Além disso, também no campeonato espanhol os futebolistas têm que estar obrigatoriamente ordenados de 1 a 25, de forma contínua.

Quem são os outros 7's?

“Tentei honrar a camisola.” Rafael Leão tinha o peso da história nas costas. Embora, o número esteja vinculado aos feitos de Cristiano Ronaldo, ao longo do seu reinado, o 7 foi emprestado mais vezes.

De 2007 em diante, a camisola foi atribuída a 15 jogadores, contando apenas encontros oficiais. Desse conjunto, 11 tiveram a oportunidade de a utilizar em campo: Rafael Leão, Carlos Forbs, Ricardo Horta, Sérgio Oliveira, Bruma, André Silva, Ricardo Quaresma, Miguel Veloso, Fábio Coentrão, Nuno Assis e Nani. Os restantes levaram-na para casa sem conspurcação. São os casos de Pedro Neto, Francisco Trincão, Pedro Tiba e Ricardo Pereira.

A distribuição do número aconteceu em situações nas quais Cristiano Ronaldo esteve ausente. Em geral, foi atribuído a jogadores com poucas internacionalizações internacionalizações até à data e com pouco estatuto na seleção. Carlos Forbs, o último jogador a usá-lo antes de Rafael Leão, fez com ele a estreia na seleção A, numa altura em que o capitão cumpria um jogo de suspensão contra a Arménia.

Os 7's de Portugal foram titulares apenas em sete ocasiões. Bruma foi quem mais teve a veste à disposição. A primeira vez aconteceu em 2013, num jogo contra o Luxemburgo em que não saiu do banco. Seguiram-se depois duas partidas como titular diante da Itália, em 2018. No mesmo ano, viria a ser suplente utilizado frente à Polónia.

Nani foi o único a marcar com o 7. Fê-lo por duas vezes, uma delas contra a Dinamarca
Clive Rose

O talismã de Cristiano Ronaldo não deu a mesma sorte aos restantes. A indumentária que se tornou símbolo de golos só se revelou produtiva no corpo do quatro vezes Bola de Ouro. Além dele, só Nani conseguiu marcar com o 7. Fê-lo por duas vezes, contra Malta e Dinamarca, em 2008.

Nos grandes torneios ninguém ousou açambarcar o manto. Cristiano Ronaldo recorreu ao amuleto em todos os Europeus e Mundiais a partir de 2006, ano da última competição de Figo.

Equipamentos com regras apertadas

A UEFA demonstra outras preocupações relacionadas com a numeração nas suas diretrizes para a Liga das Nações. A tutela europeia detalha que o número 1 só pode ser utilizado pelo guarda-redes, sendo que não especifica que números devem ser usados pelos outros ocupantes desse posto. Em Espanha, os restantes porteros devem ficar com o 12 e com o 25.

Na Final Four, a norma altera-se face àquela que está em vigor na fase de grupos. O momento decisivo da prova de que Portugal é detentor contempla a possibilidade da numeração atingir o 26, devido ao alargamento da quantidade de jogadores que os técnicos podem levar a jogo.

As exigências feitas relativamente às camisolas obrigam as equipas a “exibirem os números à altura do peito na parte da frente”. Atrás, “o nome dos jogadores deve ser acrescentado acima do número”.

A UEFA dedica todo o sexto capítulo do guia para a competição a questões relacionadas com os equipamentos. É especificado que “todos as partes devem estar livres de publicidade”, que “o badge da competição deve ser usado na manga direita por todas as equipas” ou até que os suplentes só podem usar coletes fornecidos pela organização.

Por vezes, o que parece estético — e polémico — é mais do que isso.

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