Portugal

“Poderia estar mais feliz”: Jorge Jesus está debaixo da lei da rolha. Mesmo só querendo falar da Noruega, descaiu-se sobre o tema Ronaldo

Jorge Jesus fez a antevisão ao jogo contra a Noruega no Estádio do Dragão
Jorge Jesus fez a antevisão ao jogo contra a Noruega no Estádio do Dragão
MANUEL FERNANDO ARAUJO

Para evitar comentar o sumiço do capitão, o selecionador considerou que “o problema, neste momento, chama-se Noruega”. Portugal vai defrontar os nórdicos num jogo que pode valer a passagem aos quartos de final da Liga das Nações. Quanto a Cristiano Ronaldo, “há muito tempo para falar sobre isso”. Com o respaldo de Pedro Proença, quem sabe

Renato Veiga estava desejoso por falar sobre Cristiano Ronaldo, alguém por quem tem “um carinho muito grande”. Foi incitado a fazê-lo após o jogo contra a Dinamarca, na zona mista, e parecia ter uma resposta na ponta da língua. Inocentemente, pôs os olhos no assessor de imprensa e disse ter recebido “indicações" para não falar sobre o colega. Escoltado pelas autoridades, conseguiu fugir ao tema.

A sinceridade do defesa expôs a lei da rolha que abrange inclusivamente o selecionador. Jorge Jesus foi de novo alvejado com questões sobre o sumiço do capitão antes do Portugal-Noruega. Conseguiu fazer de todos os temas que preferiu abordar um pronome para o avançado. Para o caso de lhe saltar a tampa, o assessor que o acompanhou bateu o recorde mundial de aparições no plano televisivo e de ações de policiamento contra a insistência.

Jorge Jesus manteve a compostura quase até ao final. O microfone já circulava pela imprensa estrangeira quando o selecionador se descuidou. Abriu uma exceção, porque a pergunta vinha do Brasil. “Fui bem tratado”, disse para justificar a abertura e responder a uma questão sobre o quão complicada foi a última semana. “O mais difícil na carreira de um treinador é arranjar formas para que a vitória esteja próxima jogo após jogo. A vitória na Dinamarca encheu-me de orgulho pelo que os jogadores fizeram. Fiquei super feliz, mas poderia estar mais feliz.”

A conferência de imprensa ficou por aí.

Para varrer o tema Cristiano Ronaldo para debaixo do tapete, remeteu os jornalistas para “depois do jogo”. Aí sim, “há muito tempo para falar sobre isso”. “O problema, neste momento, chama-se Noruega”, desviou. Por certo, Jorge Jesus conta que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol intervenha finalmente na situação. Até agora, Pedro Proença ainda não se pronunciou.

Jorge Jesus remeteu-se às suas funções, porque “o foco tem que ser a seleção, a Noruega e aquilo que temos que fazer bem em sintonia com a bandeira”. Afinal, esperam-se dificuldades. “A Noruega é uma equipa do top-5 da Europa”, referiu sobre um conjunto repleto de jogadores “altos, grandes e que evoluíram tecnicamente”.

“Não somos tão grandes, mas tecnicamente, somos melhores e mais rápidos. O Bernardo, o Vitinha e o João Neves são todos jogadores de 1,70m/1,75m, mas com a bola nos pés é difícil pará-los. É através das características dos nossos jogadores que temos que nos impor”, afirmou antes de um encontro que prevê “ser extremamente bem jogado pelas duas equipas”, e “muito intenso”.

Em Oslo, Portugal venceu por 2-1. Repetindo o resultado na receção aos nórdicos no Estádio do Dragão, a seleção nacional garante desde já o apuramento para os quartos de final. Caso, além disso, se verifique um empate no País de Gales-Dinamarca, o primeiro lugar no grupo A4 fica também ele selado.

Jorge Jesus, como habitual, deve fazer mudanças no onze inicial. “Vamos para o quarto jogo. Aqueles jogadores com mais minutos começam a estar em risco de lesão e não vão estar tão disponíveis fisicamente. Vamos mudar alguns jogadores que estão mais carregados”, anunciou. João Félix e Francisco Conceição são os internacionais que mais dúvidas levantam. A decisão depende do último treino antes da partida.

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