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    Sporting Campeão

    Aconteceu Sporting – o paradigma Amorim e o leão com dente sueco

    Aconteceu Sporting – o paradigma Amorim e o leão com dente sueco

    Tomás da Cunha

    Analista e comentador de futebol

    A competitividade interna permitiu que o Sporting nunca tivesse quebras de rendimento. Além da dimensão individual, o aperfeiçoamento do modelo de Amorim tornou o novo campeão num conjunto praticamente indecifrável. Sabíamos que o treinador era o maior crítico de si próprio, mas faltava a prova de que tinha capacidade de passar as palavras para a prática, escreve Tomás da Cunha, que lembra quando o treinador perguntou, há dias, “e se correr mal?”. Porque, face ao contexto, nunca foi tão provável correr bem

    Para um treinador, há algo ainda mais difícil do que conquistar títulos. É mudar a realidade de um clube, criando uma sensação comum. Rúben Amorim sabia – como grande parte dos adeptos - que o último campeonato vencido pelo Sporting, em 20/21, foi obtido sem uma superioridade inquestionável. Guiada por uma “estrelinha”, talvez pelo espírito que os jovens acrescentaram, essa equipa transcendeu-se e contou com o lado matador de Coates. O defesa uruguaio foi a principal figura, precisamente pelo que fez na área contrária. Terminou um jejum longo e teve valor simbólico. Acima de tudo, garantiu tempo para trabalhar um projeto duradouro. O feito de 23/24 surge como consequência de uma época esmagadora, em que os leões podem atingir os 90 pontos (recorde da instituição) e os 100 golos marcados na liga. Viu-se um coletivo de ataque, que venceu todas as partidas em Alvalade e chegou perto de registos do tempo dos Cinco Violinos. Fez-se um ídolo instantâneo.

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