Aferir a valia de uma transferência afunilando a visão somente à quantia envolvida é redutor, sê-lo-á sempre, porque um valor sem contexto não passa de um número - ainda mais um que carece de confirmação oficial. Mas, mesmo no estado atual do mercado onde o preço de qualquer futebolista tende a ser inflacionado se, por acaso, o clube interessado vier da Premier League, receber 15 milhões de euros por um avançado que seria o terceiro na ordem de preferência do treinador tenderá a ser um negócio de aplaudir.
Na época passada, Youssef Chermiti esteve em 22 jogos do Sporting, dez dos quais a titular. Deixou três golos marcados, que é a unidade pela qual todos os avançados são medidas, além de um par de assistências, sobretudo durante o período em que Paulinho, o predileto avançado de Rúben Amorim, esteve lesionado - um mês no arranque da época, e outro já na parte final.
Enquanto o negócio foi apenas um rumor, os jornais desportivos e especialistas em transferências nas redes sociais situaram o valor da transferência nos €15 milhões, aos quais se poderão juntar outros €5 milhões caso certos objetivos desportivos estipulados no acordo sejam cumpridos. “Mostraram-me o projeto, agradou-me e vou dar tudo pela equipa. Os adeptos gostam de mim, espero corresponder, é o meu objetivo. É um grande clube, já vários grandes jogadores passaram por aqui”, disse Chermiti, de 19 anos, no vídeo de apresentação.
Com a chegada de Viktor Gyökeres, avançado cujas características dão ao Sporting outros trunfos a atacar - a pujança do sueco com espaço para correr com a bola e a sua capacidade para reter a bola, por exemplo - e que, durante a pré-época, pareceu virar a principal aposta à titularidade, deixou Paulinho pela primeira vez em condição de suplente no Sporting. E Chermiti deparado com a realidade de ficar com menos hipóteses de ter minutos na equipa.
Isso, aliado ao interesse nunca escondido de Sean Dyche, treinador do Everton, no internacional sub-19 com Portugal, permitiu ao clube de Alvalade lucrar com um futebolista numa temporada sem Liga dos Campeões, em que os cofres gritam por receitas. “Se ele fosse seis anos mais velho e tivesse 100 golos marcados, não estaria a vir com o nível que tem. Há uma realidade, haveria outros jogadores mais velhos e com maior experiência, mas o mercado nem sempre te dá tudo o que precisas com a idade certa, no momento certo, pelo dinheiro certo”, comentou, ainda antes da transferência se concretizar, o técnico da equipa que terminou a última edição da Premier League no 17.º lugar.
Diria, depois, Chermiti que “não podia recusar esta oportunidade” de entrar num Everton a apertar o cinto ao dinheiro gasto em transferências (está a construir um novo estádio em Liverpool) e a necessitar de poder de fogo atacante para o que se adivinha ser mais uma época a lutar pela manutenção. O vendedor Sporting, face aos valores envolvidos, terá pensado o mesmo.
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