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O Sporting falou do seu “ciclo virtuoso“: “Podemos seguir dois caminhos: investir ou não investir. [Mas] existe um custo ao não investir“

Luis Suárez a apontar para o céu e a celebrar um golo marcado pelo Sporting ao Nacional da Madeira, em Alvalade, para o campeonato
Luis Suárez a apontar para o céu e a celebrar um golo marcado pelo Sporting ao Nacional da Madeira, em Alvalade, para o campeonato
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André Bernardo, vice-presidente dos leões, esteve numa conferência sobre futebol organizada pelo Financial Times para falar do projeto do Sporting com Frederico Varandas e realçar como “melhores condições fora de campo conduzem a melhores resultados, que reforçam a sustentabilidade do clube“

O crescimento estrutural do Sporting está associado ao sucesso desportivo, defendeu André Bernardo, vice-presidente do clube e administrador da SAD dos bicampeões nacionais de futebol.

“Somos bicampeões e conquistámos três campeonatos nos últimos cinco anos. Se duplicarmos receitas nos próximos 10 anos, estamos perante uma mudança estrutural. Num contexto em que algumas linhas de receita, como os direitos televisivos, tendem a estabilizar, esta transformação torna-se essencial, sobretudo num mercado como o português”, detalhou o dirigente, na quinta-feira.

André Bernardo falava em Londres numa cimeira sobre futebol organizada pelo jornal britânico Financial Times, que debateu temas sobre o setor do futebol e contou com a participação do Sporting pela terceira vez seguida.

“Ao reforçar a nossa estrutura operacional, tornamo-nos mais eficazes na gestão de plantel. Podemos investir mais em salários, prospeção e desenvolvimento, reter jogadores por mais tempo e negociar com maior poder. Isso gera um círculo virtuoso: melhores condições fora de campo conduzem a melhores resultados, que reforçam a sustentabilidade do clube”, salientou.

O administrador da SAD lisboeta lembrou a renovação do Estádio José Alvalade, que surge no plano estratégico apresentado pelo Sporting para o período 2024-2034, estando a decorrer de forma faseada há cinco anos.

“Podemos seguir dois caminhos: investir ou não investir. Existe um custo associado a não investir. Após a construção do estádio, estivemos praticamente 16 anos sem realizar investimentos estruturais e isso teve consequências muito negativas, dentro e fora de campo. Investir é, para nós, mais sólido do que o caso de não investimento”, reconheceu.

Advertindo que estes projetos devem ser adaptados à realidade de cada clube e mercado, André Bernardo desejou duplicar os proveitos do Sporting na próxima década, acreditando que os dias com e sem jogo e as múltiplas linhas adicionais de receita podem ser explorados mediante a conversão do estádio ‘verde e branco’ num centro de entretenimento.

“Quando estávamos a angariar financiamento, parte das obras já estava em curso. Fechámos o fosso do estádio em tempo recorde e os investidores puderam ver que estávamos a concretizar o que prometíamos, algo que reforçou a credibilidade do projeto. Contámos com 11 investidores, provenientes de vários setores. Isso demonstra claramente o apetite existente para este tipo de ativo”, explicou.

Em outubro de 2025, o Sporting fez uma emissão de 225 milhões de euros de obrigações, através da sociedade Sporting Entertainment, detida pela SAD leonina, para, entre outros objetivos, financiar a renovação do Estádio José Alvalade, inaugurado em 2003.

“Projetamos multiplicar por 10 o número de visitantes do museu e do estádio. Estamos a responder a uma procura que não estava a ser satisfeita. Isso gera receitas adicionais que serão reinvestidas no clube, melhorando diretamente a experiência dos adeptos”, ambicionou André Bernardo.

O fecho do fosso no final da época passada e a remoção dos dois ecrãs gigantes originais nos topos permitiram mais 2000 lugares sentados nas bancadas, havendo ainda novidades na hospitalidade dos adeptos, mudanças no perímetro exterior e obras em espaços complementares e nos acessos ao recinto.

O Sporting concluiu também a aquisição do espaço comercial Alvaláxia, contíguo ao estádio e alienado em 2007, numa operação avaliada em €17 milhões e aprovada pelos associados do clube em Assembleia Geral em outubro de 2024, devendo o novo museu dos ‘leões’ ser construído nesse espaço.

Com capacidade para 52.000 espetadores, o Estádio José Alvalade recebeu cinco jogos do Euro2004, mais as finais da então designada Taça UEFA de 2004/05 - perdida pelo Sporting frente aos russos do CSKA Moscovo - e da Liga dos Campeões feminina de 2024/25, sendo um dos três recintos nacionais propostos pela candidatura conjunta de Portugal, Espanha e Marrocos ao Mundial2030, a par dos Estádios da Luz e do Dragão.

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