Uma noite inesquecível para o Sporting
“Deixe-me dedicar a vitórias aos meus pais, à minha família, ao meu filho, à minha mulher, às minhas irmãs, eles merecem, sofrem muito comigo - em especial à minha estrela, o meu avô. Tenho saudades, estão lá sempre a torcer por nós. Em relação à vitória, é como a franse que usei hoje na palestra que foi o Luís Neto que disse, e muito bem: nós conhecíamos o melhor Bodø, o Bodø não conhecia o melhor Sporting.
Hoje tínhamos de ser o melhor Sporting e fomos. Senti isso desde o primeiro momento em que fomos treinar nestes dias, a energia era diferente, a vontade de fazermos algo diferente era infinita, com o passar dos dias sentir claramente que ia ser uma noite diferente. Podíamos ter ganhado só 2-0 e não ter passado, mas eu estaria aqui super orgulhoso. E mais do que qualquer estratégia de jogo, tem muito a ver com a crença, com a vontade, com a intensidade que metemos no jogo nas nossas ações individuais e coletivas. Fez toda a diferença.”
O que desbloqueou o jogo?
“Sabíamos que nas poucas coisas que criámos em Bodø não podíamos entrar demasiado em jogo interior, que gostamos muito, tínhamos que explorar mais os corredores, lá foi sempre assim que tivemos os momentos para finalizar: foi sempre pelos corredores, com diagonais entre o central e lateral. A equipa percebeu, passou o jogo todo a fazer isso, sabia muito bem o que fazer em termos ofensivos e defensivos. Fê-lo na perfeição, a energia esteve lá na malta que jogou e na que entrou, todos foram importantíssimos ao longo dos 120 minutos, eles estavam muito ligados e queriam muito virar o jogo.
Sabíamos que em Bodø não tínhamos sido o Sporting que somos sempre. Acontece, faz parte, ao fim de sete ou oito meses termos um jogo menos bom. Aconteceu ser na Champions, faz parte, mas os jogadores merecem esse respeito, da minha parte e de todos. Hoje foi do oito ao 80, a intensidade foi altíssima o jogo todo, só caímos na parte final do prolongamento. Foi impressionante a forma como pressionámos e tivemos a bola. Eles estiveram perfeitos na parte estratégica do jogo.”
Os jogadores sentiram as críticas após a derrota na 1ª mão?
“Vou ser muito honesto e defender os meus jogadores: eu percebo as críticas, mas não as mereceram por tudo o que foram capazes de fazer até aqui. Volto a dizer, não é pelo jogo de Bodø que mereciam as críticas. Têm sido estupendos todos, o grupo tem sido fantástico. Mais do que as críticas, nós, internamente, ficámos desilutidos pelo que não fomos capazes de fazer e demonstrar, mais do que ninguém tínhamos essa noção. Sabíamos que aqui ia ser diferente. Se há equipa que o conseguia e estádio onde era possível eram estes. Os adeptos foram fenomemais, tal como a equipa. Que seja sempre assim, também precisamos deles, foram muito importantes para esta remontada.”
E agora?
“Os verdadeiros campeões caem e levantam-se as vezes que for preciso. A resiliência deste grupo é inabalável e infinita. Isso tem sido mostrado desde que estou no Sporting, a ambição deles é infinita e, mais uma vez, demonstrarm-na.”
É a vitória mais importante da sua carreira?
“Não, essa tem de ser no domingo. Foi um jogo importante que marca o meu caminho, mais um, mais uma vitória na Champions. Continuo a marcar de alguma forma a história do Sporting e é isso que me deixa feliz. Amanhã já estou a pensar no Alverca, será um jogo importante para nós continuarmos na luta no campeonato.