Hjulmand, Trincão, Morita, Diomande, possivelmente Pote e ainda Bragança: chegou a grande revolução do Sporting de Varandas
Trincão já saiu, Diomande também. Será Pote o próximo?
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Desde que os leões quebraram, com Ruben Amorim, o jejum de 19 anos sem vencer a I Liga, a política do clube tem sido de estabilidade na composição do plantel. Este verão está a marcar uma alteração radical nessa continuidade, com saídas de pesos-pesados e um forte investimento em reforços a alterarem a face da equipa às ordens de Rui Borges. Esta terça-feira, Ousmane Diomande foi confirmado no Nottingham Forest
Na verdade, Frederico Varandas já avisara. Talvez estivêssemos todos ainda em choque pelo que sucedera no Jamor, a olhar para o milagre vindo de Torres Vedras, ou, então, já de mirada posta no Mundial 2026, mas o presidente do Sporting, na ressaca da derrota na final da Taça, deu todas as pistas.
“O Sporting perde aquela final por cansaço, por ausência de jogadores, por incapacidade técnica, por incapacidade tática? Não. O Sporting perde aquela final porque, simplesmente, não competiu. Não teve a atitude de quem quer ganhar um título nacional. Tenho de olhar e ser justo: aquele grupo de jogadores já ganhou muito, muitos títulos, muitos troféus, por mérito deles. Mas o Sporting tem de ter um grupo que queira continuar a ganhar muito. O Sporting quer jogadores que tenham como objetivo jogar Champions League, participar num Campeonato do Mundo com as suas seleções, mas o Sporting também exige essa mesma ambição, esse mesmo empenho a jogar competições internas, nomeadamente contra equipas de escalão inferior.”
Contundente, o líder leonino demonstrava o seu desagrado, falando de “não competir”, de ausência de “atitude”, questionando a “ambição”. E, ao falar no “grupo de jogadores” no passado e de um “grupo que queira ganhar muito”, passava a bola para as consequências práticas do diagnóstico realizado.
Pela primeira vez desde 2021, quando o Sporting de Ruben Amorim quebrou 19 anos sem o título de campeão nacional a ir para Alvalade, a estabilidade tem sido a palavra de ordem no universo verde e branco. O inesperado troféu de 2020/21 assentou numa brutal revolução, mas a partir dali criou-se uma base, uma estrutura, com vários dos nomes fortes do Amorismo a transitarem para o período de Rui Borges.
Diomande saiu do Sporting para o Nottingham Forest
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Nas últimas semanas, a política inverteu-se. A saída de Ousmande Diomande para o Nottingham Forest, oficialmente confirmada esta terça-feira, é mais um negócio que traz muitos milhões aos cofres de um clube que se está a habituar a grandes encaixes, mas significa o quarto habitual titular a fazer as malas. Segue-se a Hidemasa Morita, em fim de contrato, a Morten Hjulmand, vendido ao Atlético de Madrid, e a Francisco Trincão, que foi para o Al-Ahli. Já há muito conhecida era a concretização da transferência de Geovany Quenda, que pela lesão grave sofrida teve menos protagonismo em 2025/26 do que em 2024/25, para o Chelsea.
O êxodo pode não ficar por aqui. Gonçalo Inácio, Pote e Daniel Bragança, três dos últimos resistentes do primeiro título de Ruben Amorim — os outros são Eduardo Quaresma e Nuno Santos —, têm sido apontados à saída.
A política da continuidade
A grande transformação do verão de 2020, quando, entre contratações de baixo custo e promoção de jovens da formação, Ruben Amorim, Frederico Varandas e Hugo Viana construíram um Sporting novo. Criaram um plantel que, nos anos seguintes, foi sendo retocado, nunca drasticamente modificado. Assim, note-se que, nos defesos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025, a regra era sair só um ou dois titulares por ano.
Na sequência do título de 2020/21, apenas dois dos mais utilizados saíram de Alvalade. Nuno Mendes foi para o PSG, abrindo uma regra que foi sendo mantida: uma grande venda por verão. Adicionalmente, João Mário, importante no campeonato vencido, não ficou, mas tratava-se de um caso especial, pois estava emprestado pelo Inter.
Uma volta ao sol depois, deu-se o mercado em que Ruben Amorim viu sair mais nomes habitualmente utilizados. No entanto, dois deles têm asterico: João Palhinha, que saiu para o Fulham, já vira, nos meses finais de 2021/21, Manuel Ugarte consolidar-se como sucessor mais do que viável para o português, ao ponto de o uruguaio ter sido titular em desafios de alta exigência. Quem também deixou Alvalade, mas tendo sido decisivo ao longo da campanha, foi Pablo Sarabia, mas aqui não se tratou de uma venda, pois o canhoto estava cedido pelo PSG. Finalmente, a regra de uma venda muito avultada por verão deu-se com a ida, muito mal vista por Ruben Amorim, de Matheus Nunes para o Wolverhampton.
No verão de 2023, apostado em recuperar a competitividade na sequência de uma época má, o Sporting, entre os 11 mais utilizados, somente perdeu Manuel Ugarte. Foi o período da chegada de Hjulmand e Gyökeres, fundamentais para o bicampeonato que seguir-se-ia.
Depois chegou uma temporada de saídas de peso, mas com mais impacto no balneário do que no campo. 2024 foi o momento do adeus a Coates, Paulinho, Adán e Neto, um quarteto de liderança do Amorismo, mas apenas o uruguaio se encontrava entre os 11 com mais minutos da época anterior, sem desvalorizar a importância dos golos e do futebol de Paulinho.
Frederico Varandas é presidente do Sporting desde 2018
Diogo Cardoso
Erguido o bicampeonato, a antecâmara de 2025/26 manteve a política da continuidade. Entre os titulares, deu-se a saída de Gyökeres, continuando toda a restante base do plantel.
E assim chegamos a 2026, o ano da revolução.
Adeus, referências, olá, reforços
Sem Trincão, Morita, Diomande e Hjulmand, o Sporting perde um total de 647 jogos, 75 golos e 8 títulos de campeão nacional. Sai o futebolista mais utilizado da época passada, Francisco Trincão, um criativo incansável, titular em 104 dos 111 encontros que os leões realizaram na soma de 2024/25 com 2025/26. Também se despediu um dos capitães mais marcantes de que há memória em Alvalade, que fazia, com Morita, uma dupla de meio-campo que deixará saudades.
Caso Gonçalo Inácio e Pote se juntem à revolução, tratam-se de mais dois integrantes do top 10 dos mais utilizados da temporada anterior. Quenda foi o 15º com mais minutos.
Morita e Hjulmand, uma dupla de meio-campo marcante em Alvalade que já é passado
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A outra face do agitado mercado em Alvalade são as entradas. Com as chegadas de Rodrigo Zalazar, Ibrahima Ba, Issa Doumbia, Sergi Altimira, Silas Andersen e Pedro Lima, já foram investidos cerca de €101 milhões, fazendo deste um valor recorde para os verde e brancos numa só temporada. Chegou também o inglês Jesse Derry, cedido pelo Chelsea.
O processo promete não ficar por aqui. Nestory Irankunda, jovem australiano, pode engordar ainda mais estes gastos.
Há alguns traços semelhantes a unir estes reforços. Para corresponder à ideia de “ambição” levantada por Varandas no pós-Jamor, aterrou muita juventude, com Zalazar, de 26 anos, a parecer um veterano ao lado dos 24 de Altimira, dos 23 de Pedro Lima, dos 22 de Doumbia e Andersen, dos 21 de Ba e dos 19 de Derry. Irankunda, de 20 anos, entra nesta política.
Também centímetros foram dados a Rui Borges. Cinco dos reforços têm 1,87 metros ou mais, com Doumbia justamente nos 1,87 metros, Derry em 1,88 metros, o mesmo que Altimira. Ba e Andersen estão nos 1,90 metros. Zalazar e Irankunda, sem serem especialmente altos, também encaixam neste perfil de poderio físico, com muita velocidade e capacidade nos duelos.
Mais jovem, mais alto, com menos bagagem no clube. Para voltar a ganhar, Frederico Varandas ajustou a sua política. Para já, a temporada arrancou com um empate na Amadora. Tenha êxito ou não, esta época temporada terá sempre o selo da nova aposta do presidente.