A dívida aumentou 71%, mas a SAD do Sporting regista lucro pela quinta época seguida: quase €35 milhões
PATRICIA DE MELO MOREIRA
O Sporting apresentou, esta terça-feira, o Relatório e Contas da época passada, no qual regista o melhor desempenho da última década em rendimentos com os jogos em Alvalade (lugares de época, bilheteira e corporate) e publicidade. É o quinto ano consecutivo com lucro para a SAD, mas a dívida do clube aumentou 71%, estando nos €651,3 milhões
A Sporting SAD teve um resultado líquido de 34,7 milhões de euros no exercício de 2025/26, uma subida homóloga de 74% face ao lucro de €20 milhões na época anterior, anunciou o clube esta terça-feira, ao apresentar o mais recente Relatório e Contas.
É o quinto ano consecutivo em que a SAD do Sporting regista lucros, com um valor acumulado neste período de €117 milhões. No relatório e contas divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os leões indicam que resultado líquido da última temporada futebolística foi “impulsionado pelo crescimento de 27% dos rendimentos operacionais sem transacções de plantel face a 2024/2025“.
O montante dos rendimentos operacionais em junho de 2026 foi de €187,7 milhões, cerca de mais €40 milhões face ao período homólogo, e constitiu um novo máximo do clube liderado por Frederico Varandas, em grande parte justificado pela fatia de receitas relativas à participação na Liga dos Campeões: um encaixe de €80,3 milhões, “um recorde de rendimentos” como se lê nos principais destaques feitos pelo clube no documento.
Tal explica o que é sabido e foi visto durante o mercado de verão, onde o Sporting gastou €120,7 milhões em contratações para a equipa principal de futebol, um aumento de 62% face ao dispendido na mesma janela de transferências da temporada passada — e 12 vezes superior ao valor de há 10 anos, uma tendência de engordar gastos a que nenhum clube que compita em provas europeias será alheio.
Em vendas, os leões registaram o terceiro mercado vai proveitoso da última década, muito graças à transferências de Viktor Gyökeres (€65,8 milhões) para os ingleses do Arsenal.
Sem dizer respeito a este exercício financeiro, o Sporting somou em vendas, este verão, €156,1 milhões.
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Os rendimentos operacionais beneficiaram ainda dos recordes das outras atividades operacionais, com o Sporting a destacar as receitas da Gamebox (€9,6 milhões), bilheteira (€8,2 milhões) e hospitalidade (€10,9 milhões). Aí registou os melhores resultados da última década, à semelhança da rubrica Publicidade e Patrocínios (€21,4 milhões).
O volume de negócios atingiu um novo máximo de €300 milhões de euros, mais 13% do que no anterior exercício, e os rendimentos excluindo transações de jogadores representam 63% deste montante, “refletindo o compromisso com a sustentabilidade financeira da SAD“, vincou o clube lisboeta.
Já o resultado operacional cresceu 12%, para €50,7 milhões, também, sobretudo, devido ao bom desempenho do Sporting na Champions na última época, na qual só caiu nos quartos de final frente aos ingleses do Arsenal (finalista vencido pelo Paris Saint-Germain).
O passivo da SAD, contudo, fechou nos €651,3 milhões, uma incremento de 71% em relação à temporada anterior. O Sporting justifica-o, sobretudo, com o “financiamento obtido na emissão obrigacionista de Outubro de 2025” — foram €225 milhões, com um prazo de pagamento de 28 anos e um juro anual fixo de 5,75%.
Graças a essa operação há cerca de ano, na qual, na prática, o clube pede dinheiro emprestado a investidores, no mercado, os leões têm pela primeira vez um Fundo de Maneio positivo, no valor de €71,1 milhões. Trocado por miúdos, significa que a SAD tem liquidez para suprir as suas obrigações financeiras de curto-prazo.