• África do Sul
    20:0011 JUN
    2
    0
    Grupo A
  • Chéquia
    03:0012 JUN
    2
    1
    Grupo A
  • Bósnia
    20:0012 JUN
    1
    1
    Grupo B
  • Paraguai
    02:0013 JUN
    4
    1
    Grupo D
  • Suíça
    20:0013 JUN
    1
    1
    Grupo B
  • Marrocos
    23:0013 JUN
    1
    1
    Grupo C
  • Escócia
    02:0014 JUN
    0
    1
    Grupo C
  • Turquia
    05:0014 JUN
    2
    0
    Grupo D
  • Curaçao
    18:0014 JUN
    7
    1
    Grupo E
  • Japão
    21:0014 JUN
    2
    2
    Grupo F
  • Equador
    00:0015 JUN
    1
    0
    Grupo E
  • Tunísia
    03:0015 JUN
    5
    1
    Grupo F
  • Cabo Verde
    17:0015 JUN
    0
    0
    Grupo H
  • Egipto
    20:0015 JUN
    1
    1
    Grupo G
  • Uruguai
    23:0015 JUN
    1
    1
    Grupo H
  • Nova Zelândia
    02:0016 JUN
    2
    2
    Grupo G
  • Senegal
    20:0016 JUN
    3
    1
    Grupo I
  • Noruega
    23:0016 JUN
    1
    4
    Grupo I
  • Argélia
    02:0017 JUN
    3
    0
    Grupo J
  • Jordânia
    05:0017 JUN
    3
    1
    Grupo J
  • RD Congo
    18:0017 JUN
    1
    1
    Grupo K
  • Croácia
    21:0017 JUN
    4
    2
    Grupo L
  • Panamá
    00:0018 JUN
    1
    0
    Grupo L
  • Colômbia
    03:0018 JUN
    1
    3
    Grupo K
  • África do Sul
    17:0018 JUN
    1
    1
    Grupo A
  • Bósnia
    20:0018 JUN
    4
    1
    Grupo B
  • Catar
    23:0018 JUN
    6
    0
    Grupo B
  • Coreia do Sul
    02:0019 JUN
    1
    0
    Grupo A
  • Austrália
    20:0019 JUN
    2
    0
    Grupo D
  • Marrocos
    23:0019 JUN
    0
    1
    Grupo C
  • Haiti
    01:3020 JUN
    3
    0
    Grupo C
  • Paraguai
    04:0020 JUN
    0
    1
    Grupo D
  • Suécia
    18:0020 JUN
    5
    1
    Grupo F
  • Costa do Marfim
    21:0020 JUN
    2
    1
    Grupo E
  • Curaçao
    01:0021 JUN
    0
    0
    Grupo E
  • Japão
    05:0021 JUN
    0
    4
    Grupo F
  • Arábia Saudita
    17:0021 JUN
    4
    0
    Grupo H
  • Irão
    20:0021 JUN
    0
    0
    Grupo G
  • Cabo Verde
    23:0021 JUN
    2
    2
    Grupo H
  • Egipto
    02:0022 JUN
    1
    3
    Grupo G
  • Áustria
    18:0022 JUN
    Grupo J
  • Iraque
    22:0022 JUN
    Grupo I
  • Senegal
    01:0023 JUN
    Grupo I
  • Argélia
    04:0023 JUN
    Grupo J
  • Usbequistão
    18:0023 JUN
    Grupo K
  • Gana
    21:0023 JUN
    Grupo L
  • Croácia
    00:0024 JUN
    Grupo L
  • RD Congo
    03:0024 JUN
    Grupo K
  • Canadá
    20:0024 JUN
    Grupo B
  • Catar
    20:0024 JUN
    Grupo B
  • Brasil
    23:0024 JUN
    Grupo C
  • Haiti
    23:0024 JUN
    Grupo C
  • México
    02:0025 JUN
    Grupo A
  • Coreia do Sul
    02:0025 JUN
    Grupo A
  • Alemanha
    21:0025 JUN
    Grupo E
  • Costa do Marfim
    21:0025 JUN
    Grupo E
  • Países Baixos
    00:0026 JUN
    Grupo F
  • Suécia
    00:0026 JUN
    Grupo F
  • Estados Unidos
    03:0026 JUN
    Grupo D
  • Austrália
    03:0026 JUN
    Grupo D
  • França
    20:0026 JUN
    Grupo I
  • Iraque
    20:0026 JUN
    Grupo I
  • Espanha
    01:0027 JUN
    Grupo H
  • Arábia Saudita
    01:0027 JUN
    Grupo H
  • Bélgica
    04:0027 JUN
    Grupo G
  • Irão
    04:0027 JUN
    Grupo G
  • Inglaterra
    22:0027 JUN
    Grupo L
  • Gana
    22:0027 JUN
    Grupo L
  • Portugal
    00:3028 JUN
    Grupo K
  • Usbequistão
    00:3028 JUN
    Grupo K
  • Argentina
    03:0028 JUN
    Grupo J
  • Áustria
    03:0028 JUN
    Grupo J
  • 2B
    20:0028 JUN
    1/16 de Final
  • 2F
    18:0029 JUN
    1/16 de Final
  • 3 A/B/C/D/F
    21:3029 JUN
    1/16 de Final
  • 2C
    02:0030 JUN
    1/16 de Final
  • 2I
    18:0030 JUN
    1/16 de Final
  • 3 C/D/F/G/H
    22:0030 JUN
    1/16 de Final
  • 3 C/E/F/H/I
    02:0001 JUL
    1/16 de Final
  • 3 E/H/I/J/K
    17:0001 JUL
    1/16 de Final
  • 3 A/E/H/I/J
    21:0001 JUL
    1/16 de Final
  • 3 B/E/F/I/J
    01:0002 JUL
    1/16 de Final
  • 2J
    20:0002 JUL
    1/16 de Final
  • 2L
    00:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 3 E/F/G/I/J
    04:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 2G
    19:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 2H
    23:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 3 D/E/I/J/L
    02:3004 JUL
    1/16 de Final
  • Vencedor Match 75
    18:0004 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 77
    22:0004 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 78
    21:0005 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 80
    01:0006 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 84
    20:0006 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 82
    01:0007 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 88
    17:0007 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 87
    21:0007 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 90
    21:0009 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 94
    20:0010 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 92
    22:0011 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 96
    02:0012 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 98
    20:0014 JUL
    Meias-Finais
  • Vencedor Match 100
    20:0015 JUL
    Meias-Finais
  • Loser Match 102
    22:0018 JUL
    3º/4º Lugar
  • Vencedor Match 102
    20:0019 JUL
    Final
  • Ténis

    Djokovic ganhou, perdendo com Medvedev

    Djokovic ganhou, perdendo com Medvedev
    Sarah Stier/Getty

    O que ficámos a saber com a final do US Open, sem a mais microscópica dúvida, é que há formas de ganhar quando se perde, até quando a derrota tem toneladas de perfume em cima com a fragrância de uma irrepetível oportunidade perdida. Daniil Medvedev chegou a cilindrar Novak Djokovic e venceu-o (6-4, 6-4, 6-4) para conquistar o seu primeiro Grand Slam, mas, quando o fim já estava perto, o sérvio ganhou a consensualidade no apoio que nunca sentira em tantos anos. E o sérvio acabou desfeito em lágrimas

    “Aprendi que tenho de ser muito melhor”. Das mais individuais formas de praticar desporto que há, o ténis é, também, das mais prováveis de apanhar na curva quem o joga, por tão solitário estar o tenista também quando não o está a jogar, mas chega à altura de falar sobre o que jogou, o que vai jogar ou acerca do que está prestes a ter de lidar, sozinho, num court, no caso um azul, de piso rápido, aperaltado como uma greta na crosta da terra em que as duas paredes se forçam uma contra a outra.

    Daniil Medvedev estava a ser apertado entre duas fases da história. A sua, do tenista-girafa russo implacável na constância de pancadas que aos 25 anos maturou, à procura da primeira conquista de um Grand Slam, e a de Novak Djokovic, o papão de todos os desafios e pesadelo para seja quem for o adversário, que estava a um jogo de ficar proprietário dos quatro Grand Slams de 2021 e, por sinal, de 21 desses torneios na carreira. A um jogo, só um, de se agarrar a um feito do qual Roger Federer e Rafael Nadal, os dois da vida lendária que costumam cair no goto de muita gente antes do sérvio, nunca se abeiraram.

    Pelo choque de histórias, pela maior barrigada de história passível de ser escrita para o lado de Djokovic, por o sérvio ser quem é e porque, em janeiro, Medvedev foi derrotado por ele, sem grandes alaridos de competitividade, na final do Open da Austrália, o russo dá aquela resposta ao entrevistador do US Open, sozinho e a meio do corredor para entrar no campo. Tinha de ser muito maior e foi-o, feito motor sem um deslize na engrenagem durante o primeiro set, em que quebrou o serviço a Novak logo no jogo inaugural.

    A impassibilidade tomou conta de Daniil. O russo jogou como uma máquina, sem uma falha que fosse na engrenagem, a despachar ases e com prontidão máxima no serviço, como se estivesse com pressa para ir a algum lado enquanto falhava quase nunca perante os erros frequentes, portanto incomuns, de Djokovic. O nunca campeão de um Grand Slam ganhou por 6-4 ao campeoníssimo destas andanças, mais encrencado do que o costume no jogo de pés (chegou a bater contra as próprias coxas, em clara frustração após falhar uma pancada numa bola que lhe foi à figura).

    As direitas disparadas da raquete de Medvedev mantiveram a constância no segundo set, acompanhadas pela mesma brevidade no serviço que colocava à lupa, com regra e esquadro, acrescentem os instrumentos precisos da geometria que acharem melhor, todos servirão de reforço a quão estável era o russo a martelar o campo de Djokovic com bolas servidas para os cantos dos quadrados.

    O fascinante de ver era torturante de lidar e, ao terceiro jogo — e, sobretudo, depois do juiz de cadeira fazer reset a um ponto em que Medvedev teve um raro segundo serviço manso, por se ouvir um berro na bancada durante a troca de bola, quando Djokovic jogava um ponto de break —, o sérvio passou-se.

    Gritou empreitadas de frustração na sua língua, fez o gesto de bater em alguém com a raquete e depois esborrachou-a contra o chão com fúria. Nem o seu momento de clausura zen no descanso entre pontos, quando escondeu a cabeça com o abat-jour da toalha branca e se lhe viu o peito a reagir com respirações fundas, o atinou com o seu eu interior, o eu do costume, o Novak Djokovic robótico na sublimidade.

    Medvedev quebrou-lhe o serviço de novo e levaria igualmente o segundo set, ao terceiro ponto que teve para o fazer. À quinta vez que perdera o parcial inaugural neste US Open, o sérvio juntou-lhe a segunda ocasião em que um adversário lhe ganhou os dois primeiros atos de um encontro. E, logo de seguida, com a mesma diligência de pressa com que distribuía as bazucas do fundo do court que jamais deram uma bola que fosse para o adversário bater sem pressão, Medvedev voltou a quebrar o serviço no jogo inaugural do terceiro set ao fantasma de Djokovic.

    Desfeito assim, novamente desta forma, parecia que o tubo do aspirador do Além lhe surrupiara a alma sem que alguém desse conta, sem que o próprio sérvio se apercebesse logo. Mas, a partir desse momento, Djokovic pareceu simplesmente um esqueleto preso por músculos a reagirem por memória, um corpo inerte a rasgos de genialidade.

    Era incerto o paradeiro da fiável esquerda paralela com que vira tantas arrelias contra o feiticeiro que esteja do outro lado da rede, ou da espetacular resposta ao serviço que sempre o coloca imediatamente a atacar quando é suposto, diz o ténis, que se defenda. A única certeza é que tinham sumido de vez.

    Escrever que Novak Djokovic está arrumado na espiral que o suga para o ralo de um jogo dá nervos aos dedos, a sensação é de se estar a arriscar um crime, este é o tenista dos feitos hercúleos, das tantas vezes que aparentou estar atropelado e acabou por ser ele a alcatifar os outros com a demonstração, e mais uma, e outra, e enésimas outras, de ser uma lenda a formar-se no seu habitat natural. A fazer de qualquer tenista uma presa, até daqueles dois que está há 15 anos a perseguir no número de Grand Slams e nas preferências dos corações das gentes que enchem os estádios.

    O sérvio ruiu, aos poucos, com erros estapafúrdios e bolas falhadas sem tino. Chegou a estar a perder por 4-0, sem mais truques além de subir à rede porque sim e a fortaleza das pancadas de Medvedev na linha de fundo o despedaçarem de qualquer esperança. Djokovic acabaria a final com 47 subidas à divisória, cada uma a falir-lhe um pouco mais as hipóteses de sucesso até Daniil se ver a servir com championship point e 5-2 no marcador, depois de o sérvio trocar a suada camisola azul por uma branca.

    Mas, aí, com Djokovic de vestimenta nova para o que parecia ser a queda da cortina, entrou a condição humana, o tiquetaque mecânico do relógio de cuco que mora na cabeça de todo o desportista, em qualquer modalidade. Com o público a desrespeitar o código de conduta do ténis, apupando e berrando antes de Medvedev servir cada bola, o russo falhou quatro serviços. Quando farejou o ligeiro odor da sua história poder esmagar a gloriosa história de Djokovic, cedeu à barulheira que só ele escutava dentro da sua mente.

    O esqueleto de Daniil foi chocalhado pela pressão, os nervos, a ansiedade, chamem-lhe o que acharem melhor, mas o pulso do russo tremeu perante a oportunidade de cortar o que seria a maior árvore plantada na carreira de Djokovic, de quem, no final, disse achar ser “o melhor tenista da história”. Esse tenista ainda ganharia o seu jogo de serviço seguinte quase à parte desta final, tão fácil que lhe foi, provocando um momento de euforia no estádio que se encheu de apoio ensurdecedor, como se um soro de esperança tivesse sido espalhado pelo ar.

    E, aí, Novak desfez-se em choro e empanturrou-se em lágrimas, a soluçar enquanto enterrava a cara na toalha quando se sentou no seu banco antes de Daniil Medvedev não desaproveitar a segunda oportunidade que teve de conquistar o seu primeiro Grand Slam e, desajeitadamente, se deixar tombar no chão como os futebolistas de consola fazem caso quem os controla premir uma certa combinação de botões no comando — o russo explicou-o no discurso da vitória, prova do fosso geracional que há entre ele e o trintão que derrotou.

    Djokovic não o disse diretamente, mas aquele foi o momento de uma carreira que não equivale a canecos físicos ou a mais um recheio do museu lá de casa. No court onde durante tantos anos, em tantíssimos duelos contra Federer ou Nadal, o público escolheu religiosamente empurrar o suíço ou o espanhol contra o sérvio, Novak encheu o depósito de revolta para se insurgir contra a mestria desses outros lendários e a avalanche de desapoio que sentia. Naquele momento, todo um US Open desenterrou todos esses anos para devolver a alma a Djokovic.

    Gracioso como sempre foi nas derrotas, o sérvio admitiu ter o coração atolado com esse gesto breve, mas eterno, Djokovic deixou a sublime chance de uma carreira no court onde Medvedev, finalmente, talvez tenha acabado de descolar o périplo conquistador da sua, não tardará e saberemos se este foi o sinal de que o russo é o herdeiro de muitas coisas boas no ténis.

    O que ficámos a saber, sem a mais microscópica dúvida, é que há formas de ganhar quando se perde, até quando a derrota tem toneladas de perfume em cima com a fragrância de uma irrepetível oportunidade perdida. Novak Djokovic não aproveitou a chance de uma vida, mas viveu o suficiente no ténis para ser consensual no coração de toda a gente.

    Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: dpombo@expresso.impresa.pt