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Ténis

Se depender de Djokovic, a maratona apressada será a próxima invenção do ténis

Se depender de Djokovic, a maratona apressada será a próxima invenção do ténis
Julian Finney/Getty

Não competia há dois meses e, logo no mesmo dia, agendaram-lhe dois jogos seguidos. Com tão-só 20 minutos de intervalo entre o fim de um e começo do outro, Novak Djokovic deixou de apenas aconselhar outros tenistas da sua equipa da Laver Cup para ser ele o alvo de incentivo dos outros (ou para Roger Federer lhe servir de aguadeiro). O sérvio contou 2h33 quase consecutivas em campo, ganhou ambas as partidas e acabou a fazer figas para que, um dia, o suíço regresse aos bons velhos tempos

Se depender de Djokovic, a maratona apressada será a próxima invenção do ténis

Diogo Pombo

em Londres

Na ampulheta temporal do ténis, dois meses sem competir é uma catrefada, por muito que se faça por desempoeirar os ossos com treino atrás de treino. Novak Djokovic pôs-se à mercê de levar com essa acumulação de pó com a decisão, tomada há muito, de não se vacinar contra o microscópico bicho que nos estremeceu a vida e Londres, simbolicamente, proporciona-lhe um pequeno círculo a fechar-se: uns quilómetros para este na cidade, ganhou a Nick Kyrgios na última final de Wimbledon, um dos 21 títulos em que o speaker da Laver Cup tem de desdobrar a voz para enumerar ao anunciar a entrada do sérvio.

O público aplaude-o sem contenção, mas a extroversão do barulho não alcança a do que se ouve quando é apresentado o membro que falta da equipa europeia; apesar de ser o cabeça de cartaz da noite de sábado, Djokovic não tem honras derradeiras, essas são para Roger Federer, o colega do estrito bairro das lendas que se retirara dos courts na véspera e não é de agora que granjeia mais carinho de qualquer plateia. Aqui, mais ainda. “C’mon Roger!”, ouve-se alguém a gritar a piada quando o jogo do sérvio começa a servir no jogo contra Frances Tiafoe. A gargalhada é uníssona.

Linear também é o saque de Novak, que o fecha em branco e praticamente nenhuma reação motiva no primeiro par de vezes que vai ao banco. Estava a jogar bem, por cima do adversário, os companheiros nada lhe teriam a sugerir. Nem Roger, que dele ouve no dia anterior como “a precisão ainda está” no suíço após fazer uma bola passar no mais improvável das nesgas - entre um poste da rede e o, de facto, início da rede -, mas Federer levanta-se para encostar uma toalha nas costas do banco onde o sérvio descansa nos intervalos dos pontos. É bonito assistir à realeza do ténis a trocar gentilezas.

Uma preocupação demonstrada pelo conforto no costado não explica que, em 15 minutos, Djokovic já supere potente Tiafoe por 4-1. Talvez a pressa fosse mais chamada ao barulho, porque mesmo Novak sendo uma parede que tem o super poder de nunca estar quieta para devolver qualquer bola em estado mais trabalhoso do que aquele em que lhe chegou, a agenda deste segundo dia de Laver Cup escala-o para jogar dois encontros seguidos, com 35 anos. O seguinte seria de pares, ao lado de Matteo Berrettini e contra Alex de Minaur e Jack Sock, para testar a energia do campeoníssimo que foi polindo a sua lenda com essa ilusão de ser incansável.

O 6-1 fixado em 23 minutos parece um atestado a essa urgência e com certeza mais uma prova da grandeza de Djokovic, distinguível, entre outras, também por esta capacidade de banalizar adversários e vergá-los. “Tanto controlo depois de tantos meses, é impressionante”, admitiu até a chancela de Roger Federer, que em troca recebe um “obrigado” reverente de Novak, único momento em que interrompe o transe de concentração no intervalo entre sets. Constante e robótico, quebraria o serviço a Tiafoe logo ao primeiro jogo do regresso ao campo.

O americano que encosta o braço à testa e o dobra sobre a cabeça durante o gesto de servir quase devolve a atenção logo a seguir e, na vez seguinte em que marcador vai aos zeros, Djokovic leva-o às vantagens. O encontro recebe alguns sintomas de ser renhido e Federer tê-lo-á sentido com Andy Murray, ambos abeiram-se do sérvio no descanso para o aconselharem - o jogo seguinte é fechando em branco pelo constante sérvio, que sente a aragem de outro break logo a seguir que o semifinalista do último US Open salva, livrando-se dos cercos que o adversário lhe monta na rede.

Mas é o menos rodado competitivamente desde o solstício de verão que dita o ritmo, conjura os caminhos dos pontos e impõe a sua vontade. Frances consegue manter-se na disputa aprimorando a difícil arte de bater passing shots em corrida e Roger, Andy e a restante turma já se aprochegam de Djokovic nos intervalos. Vista cá de cima da bancada, é a preocupação a confundir-se com o incentivo: o sérvio do par de meses de inatividade fecha a partida com um 6-3, ficando com uma hora e doze minutos na mochila para a vindoura sessão em campo. Congratulou-se por “um jogo muito decente” da sua parte, em que “viu sempre bem a bola”, a falar ainda mais apressado ao microfone, porque dali por uns 20 minutos teria de se apresentar de novo no piso rápido.

Dedicou a maioria desse tempo a elogiar “um dos momentos mais bonitos” que já viveu, “certamente”, revelando como o seu coração badalou quando, na noite anterior, “os filhos” de Roger “apareceram” para segurar o pranto do pai. O comovido Djokovic admitiu “o privilégio” de ter estado presente no até já do suíço, que até as vezes de aguadeiro fez ao questionar o sérvio se tinha sede, num dos recreios do jogo.

Se depender de Djokovic, a maratona apressada será a próxima invenção do ténis
Julian Finney/Getty
Se depender de Djokovic, a maratona apressada será a próxima invenção do ténis
Julian Finney/Getty
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Não poderia haver água que lhe esfriasse os músculos para, depois, “praticar o italiano no court” com Berrettini. Nem a pressa pareceu abandoná-lo. A inédita dupla cedo se colocou a ganhar por 3-0 no primeiro parcial, com o sérvio a segurar várias bolas no fundo do retângulo e a atirar-se para o chão para socorrer outras, afinal a linha será ténue entre o estar sem ritmo competitivo e o ter frescura de sobra pela falta de competição mesmo se ajudado pela aprumada mistura entre força bruta e caxemira de mãos do gigante italiano com quem faz dupla.

Mas, no cair do terceiro set do dia para o sérvio e o primeiro deste jogo, a pressão testaria a moldura de Bettettini já depois de Federer a pressentir no faro apurado por tantas jornadas sob a fervura de circunstâncias incomparavelmente maiores do que esta. “Quando sentes que falhaste, não falhaste, sentir isso é normal aqui”, advertiu o suíço ao aconselhá-lo nesta vertente de pares da qual nunca foi especialista. Porém, o adivinhador que leva dentro não se enganou. De Minaur e, especialmente, o aniversariante Jack Sock, ele sim um perito nesta vida (três Grand Slams ganhos), começaram a insistir na troca de pancadas com o italiano quando perdiam por 3-5.

Conseguiram uma quebra de serviço e igualariam o marcador, levando Djokovic a ser alquimista do que bem sabe mexe com o tico e o teco da confiança: quando a travessia errática de Matteo já ia longa e ele, na rede, congeminou forma de resgatar um ponto sozinho, Novak pulou, gritou e clamou por uma apoteoso da bancada que exaltasse a breve façanha do companheiro. Este é o homem que, numa final do US Open onde o maior estádio de ténis do planeta entoava em sincronia por Federer, imaginou que os milhares de vozes gritavam por ele.

Os europeus sintonizaram-se e levariam o set por 7-5, servindo uma dose de espetacularidade entre as repostas que Berrettini já batia em voos rasantes e uma esquerda de atleticismo máximo de Djokovic, quando se virou completamente de costas para a rede e se curvou para o chão com as pernas esticadas, como se tivesse umas calças em baixo nos tornozelos, para devolver a derradeira bola do parcial. Todos no banco o felicitaram com a palma da mão. Este torneio é de exibição e sem pontos ATP por caçar, mas o sérvio manifestava-se como os houvesse a monte, festejando pontos e até refilando com o juiz de cadeira.

As tropelias no pulso foram arremessadas para o outro lado da rede, onde passaria a ser Jack Sock o representante-maior do erro em campo. Num ápice haveria um 4-1 para os azuis, encarrilados num estado que o inglês americanizado define como estar in the zone. Mais livres de falhas, constantes nas respostas a tocar nas linhas e com quase todas as pancadas a depositarem pressão nas cordas das raquetes adversárias, o eixo italo-sérvio forçou o mais amigo do risco Sock a ousar investidas na rede que expunham a sua dupla a sofrer pontos fáceis. John McEnroe, às tantas, disse ao seu par que estava a querer atacar a toda a hora e a porem-se a jeito de serem atacados.

A leitura do capitão da colheita do mundo, simples e acertada, também tinha o seu quê de profética. O australiano e o americano perderiam ao fim de uma hora e vinte e um minutos, esse é o tempo que tiveram em court durante este sábado e perderam com dois corpos ambos remoídos, no dia, por um encontro de singulares cada um - Berrettini serviu a entrada na ementa diária, ganhando um rasgado duelo contra Felix Auger-Aliassime. Os frescos a serem assolados pelos rodados, ou os apressados a imporem-se sobre a falsa sensação de ter mais combustível no depósito, será uma mistura destas poções.

Ou então a Laver Cup também está a magicar mais outra sintética invenção para o ténis, quiçá haja margem para existirem maratonistas de raquete em punho e poliglotas, instituiu-se o inglês como idioma consensual e eis Novak Djokovic a insistir na língua de Berrettini. “Foi ele que disse para falarmos em italiano e fala melhor do que eu”, contou jocosamente Matteo, no final, esperando que o sérvio “não tenha entendido os palavrões”.

A troca de mimos entre os parceiros da acumulação de minutos no court foi mais acentuada em quem pertence ao espaço sideral do ténis, Novak fez figas com as palavras para que “não seja a última vez” que joguem pares juntos e redobrou-as, depois, no olho que piscou a um afago do público. Ele, que tão desfavorecido foi ao longo dos anos se comparado aos outros dois monstros em exposição aos raios de afeto de fãs da modalidade. Ao elogiar a raridade que a Laver Cup proporciona, ao aproximar enquanto “companheiros de equipa” os “maiores rivais”, apressou-se nessa tal sedução: “Quero dizer que nunca vai acontecer outra vez, como toda a gente pensa, mas ainda acho que o Roger vai voltar um dia. Também querem? Façam-no ouvir-vos!”.

E as gentes que sobravam na arena gritaram em tons de euforia pelo desejo do maratonista crente em renascimento de fénix, que claramente não acredita na ferrugem. Havia um 8-6 no embrulho do segundo dia da Laver Cup para a Team Europe e quem chegar primeiro aos 13, ganha. Por enquanto, há pizza para todos no balneário.

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