“Precisamos de tempo para assimilar esta rotura”: Juan Carlos Ferrero vive um “luto” depois da separação de Carlos Alcaraz
Ferrero e Alcaraz, numa sessão de treino durante Roland-Garros, quando o casamento ainda corria às mil maravilhas
Tim Clayton
Após sete anos e 24 títulos, incluindo seis Grand Slams, o agora ex-treinador de Carlitos não detalha as razões para o fim da parceria, falando de “desacordo” em “questões contratuais”. Admitindo que não esperava o fim da relação, Ferrero assume que lhe vai “doer” assistir a encontros de Alcaraz no futuro próximo
Sem se alongar nas causas que levaram ao fim de uma dupla de êxito, Juan Carlos Ferrero fala do corte com Carlos Alcaraz com alguma mágoa. Admite que, por sua vontade, teria continuado, revela que confiava nessa permanência, tanto que já organizara a pré-época e planeara a ida ao Open da Austrália, em janeiro de 2026. Mas, por motivos que não ficam absolutamente claros, fechou-se um ciclo que se abrira em 2018.
Ao concluir a época 2025, em que o murciano ergueu oito títulos, entre eles Roland-Garros e o US Open, Ferrero sentou-se com as pessoas mais próximas do seu pupilo para "rever certas coisas de contratos", conta ao El País. Foi aí que surgiram divergências: "Houve desacordo quanto a questões contratuais. Eles tinham os seus interesses, eu os meus e não chegámos a um acordo", indica o valenciano, de 45 anos.
Ferrero, à Marca, diz que, caso as partes "se tivessem sentado a falar", talvez tivesse sido possível "salvar" a relação. "Mas não nos sentámos e decidimos não continuar", afirma.
Nos últimos dias ganharam força três rumores que sinalizavam hipóteses para o fim: dinheiro, o facto de Ferrero ter viajado menos com Alcaraz em 2025 e a preferência que o tenista tem dado à sua academia em Murcia, por oposição à de Juan Carlos em Alicante. O treinador nega as três.
Quanto às questões económicas, o homem que ganhou Roland-Garros em 2003 enquanto jogador assegura que "esse não era o motivo para estar no projeto." Ter viajado menos, até devido à entrada na equipa técnica de Samuel López — que agora assumirá o papel de Ferrero —, foi "normal", porque é importante não dar aos tenistas "um discurso único".
Juan Carlos Ferrero treinou Alcaraz entre 2018 e 2025
Matthew Stockman
Finalmente, Ferrero quer que "fique claro" que a circunstância de Alcaraz passar mais tempo em casa é "uma consequência da exigência que agora há no circuito". Assim, priorizar Murcia face à Ferrero Tennis Academy foi "ententido por todos", já que é na sua terra natal que Charly tem "o local de descanso e o espaço para desconectar".
A dor
Emocionalmente, Ferrero mostra-se mais aberto. Em 2018, o espanhol vinha de treinar Zverev, já então um jogador de topo, e apostou por um adolescente, acreditando no potencial daquele talento.
Passados sete anos, 24 títulos, entre os quais seis Grand Slams, Ferrero reconhece, à Marca, que este é um momento "de luto": "Precisamos de tempo para assimilar esta rotura. Não é fácil. Neste momento dói-me. É difícil deixar estas relações de um dia para o outro. E, sobretudo, suponho que me vai doer quando o vir a jogar torneios", diz Juan Carlos, que afirma ser "triste" e uma "pena" que o divórcio se tenha produzido.
Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero festejam a conquista do US Open 2025
Recordando o rapaz que conheceu com 15 anos, Ferrero lembra esse período com "carinho". "Tive a sorte de encontrar uma pessoa que foi capaz de aprender à velocidade da luz. Vivíamos tudo muito intensamente", confessa à Marca.
Foi, portanto, uma relação sempre "muito boa", muito "próxima", a qual redundou numa "amizade forte". No passado mais recente, "não houve conflitos", pelo que "todos achavam que ia continuar", revela Ferrero.
Alcaraz e Ferrero com o troféu de Roland-Garros
Quality Sport Images
Outro recorrente tema de debate quanto à parelha foram as assumidas e reconhecidas divergências de ambos na forma de ver a vida e o ténis. Ferrero é um confesso viciado em trabalho, Alcaraz precisa, de tempos a tempos, de desligar a ficha da competição e ligar a da diversão. Estas divergências também não explicam o fim, sublinha Ferrero, que se "adaptou ao máximo" a Carlitos.
Para o futuro, o antigo técnico deseja "o melhor" ao ex-pupilo, que, diz, pode "apresentar um grande nível no Open da Austrália, apesar da rotura". E regressa a uma previsão que já fizera anteriormente: "Tem capacidade para ser o melhor tenista da história."