Ténis

Mulher egípcia participou em torneio profissional de ténis sem saber jogar depois de ludibriar a federação queniana

Mulher egípcia participou em torneio profissional de ténis sem saber jogar depois de ludibriar a federação queniana
NurPhoto/Getty

Hajar Abdelkader informou a organização do ITF W35 de Nairobi que tinha experiência e capacidade para receber um convite para o torneio, mas, em campo, o que se viu foi outra coisa: não sabia servir, nem responder, nem as regras básicas do jogo

As imagens parecem saídas de um qualquer vídeo humorístico sobre ténis: alguém lutando desesperadamente para conseguir fazer o movimento típico do serviço, sem conseguir colocar qualquer bola no quadrado correspondente, impotente face à mais simples resposta vinda do outro lado, questionando-se de que lado deveria servir.

Acontece que nada disto aconteceu numa série de humor, mas sim num torneio profissional de ténis, um ITF W35 em Nairobi, no Quénia, do circuito abaixo do WTA Tour. Hajar Abdelkader, de 21 anos, recebeu um wild card da organização para participar na prova, tendo, sem surpresas, sido atropelada na 1ª ronda por uma tenista alemã, Lorena Schaedel, que milita fora do top 1000, por 6-0, 6-0.

Durante os penosos 37 minutos do encontro, que apenas durou tanto porque neste tipo de torneios não existem apanha-bolas e têm de ser os próprios tenistas a fazer esse trabalho, Hajar Abdelkader nunca mostrou ter qualquer tipo de habilidade para jogar de forma recreativa, quanto mais profissional. Somou 20 duplas-faltas e apenas três pontos ao longo de todo o encontro, dois resultaram de duplas-faltas de Schaedel e outro de um erro da adversária.

Imagens do encontro não demoraram a causar escândalo entre os apreciadores de ténis. Como poderia aquela tenista conseguir entrar num torneio modesto, certo, mas ainda assim um torneio profissional, que distribui 30 mil dólares em prémios?

A página oficial da ITF é parca em dados. Diz apenas que Hajar Abdelkader é egípcia, tem 21 anos, é destra e começou a jogar aos 14. O encontro em Nairobi é o único listado pela federação internacional de ténis. Na reação a tão bizarro encontro, a federação egípcia de ténis garantiu que não tem qualquer registo da atleta.

Já a federação queniana, obrigada a explicar-se perante tamanho embuste, sublinhou em comunicado que Abdelkader foi agraciada com um wild card para participar no torneio depois de fazer “um pedido formal” e perante a desistência de última hora da tenista que tinha sido inicialmente convidada. Mais nenhuma jogadora havia solicitado convite.

Abdelkader terá enviado informação à federação do Quénia de que teria capacidade e experiência para jogar e o pedido acabou por ser acedido, até pelo “interesse em manter um quadro equilibrado e ao mesmo tempo ajudar o desenvolvimento do ténis em África”, justifica ainda. Os responsáveis quenianos fazem ainda um mea culpa no comunicado, assumindo que “nunca deveriam” ter dado um wild card a Abdelkader. “A federação tomou nota deste caso e garante que tal ocorrência não irá mais acontecer”, pode ler-se no documento.

De acordo com o jornal britânico “Telegraph”, Hajar Abdelkader estará radicada no Quénia e nas semanas antes do torneio terá enviado vários e-mails à organização a pedir para jogar. A oportunidade apareceu quando outra atleta desistiu do torneio. A federação do Quénia assegura que contactou tanto Abdelkader como Lorena Schaedel para oferecer apoio, perante a atenção mediática que o caso tem tido.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: lpgomes@expresso.impresa.pt