Farta das constantes trocas de treinador, Emma Raducanu descobriu a solução: deixar de ter treinador
Raducanu chocou o mundo ao ganhar o US Open 2021. Não mais conquistou um títulio
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Com nove técnicos desde 2021, a britânica separou-se de Francis Roig depois do Open da Austrália e não coloca a contratação de um substituto como prioridade. Emma pretende “regressar“ à sua “forma natural de jogar“, o que levará algum tempo porque essa essência foi-lhe “retirada“ pelos treinadores. “Prefiro não ter alguém que chegue e me diga ‘vamos fazer isto‘ e eu discorde, mas tenha de o ouvir“, diz
Fosse a bola da modalidade de dimensões maiores e menos felpuda e, em vez de Emma Raducanu, poderíamos estar a falar do Watford (24 treinadores nos últimos 15 anos) ou até do Vitória SC (11 técnicos nos derradeiros seis anos). Mas não, é mesmo a tenista britânica, 25ª do ranking WTA: nove treinadores desde 2021, o ano em que protagonizou uma das maiores surpresas da história do desporto, ao ir de desconhecida a vencedora do US Open.
Após o Open da Austrália deste ano, Raducanu tomou um rumo que lhe é familiar. Separou-se de Francis Roig, que a orientava há meros seis meses. Foi o sucessor de Nigel Sears, Andrew Richardson, Torben Beltz, Dmitry Tursunov, Sebastian Sachs, Vladimir Platenik, Nick Cavaday e Mark Petchey, mas ainda não era aquele o match perfeito para Raducanu, que também foi tendo ajuda técnica, em regimes temporários, de Jane O’Donoghue, amigo da família e antigo jogador, Ian Bates, diretor de ténis feminino na federação britância, e Louis Cayer, também técnico federativo.
Para preencher o vazio de orientação, Raducanu vai disputar o torneio de Indian Wells com a ajuda de Mark Petchey, comentador de ténis que já foi seu treinador. No deserto também a acompanha Alexis Canter, parceiro de treino.
Não obstante, não há pressa na procura de uma solução mais definitiva. Na verdade, em entrevista à BBC, Raducanu parece convencida que a solução para terminar com o entra e sai de treinadores é deixar de ter treinador.
“Quero regressar à minha forma natural de jogar. Isso levará algum tempo a reaprender porque foi algo que me foi retirado um pouco pelos treinadores“, explica a jogadora de 23 anos, que se queixa: “Tive muitas pessoas a dizerem-me o que fazer, como jogar, e isso não encaixou propriamente bem.“
Assim, Raducanu não necessita “obrigatoriamente“ de ter um treinador porque, contrate quem contratar, isso “será alvo de escrutínio“, o que a britânica pretende evitar.
Raducanu trabalhará, durante Indian Wells, com o técnico Mark Petchey. A britânica trabalhou com nove treinadores diferentes desde 2021
Robert Prange
Os últimos meses condensaram o habitual ciclo Raducanu. Lesões, como a que sofreu no pé direito na pré-época; encontros em que abandonou, como em Doha, em fevereiro, ou em Wuhan, em outubro, sempre por questões físcias; instabilidade técnica; e a apetência para firmar grandes contratos publicitários intacta, como se indiferente aos resultados.
Emma Raducanu conquistou zero títulos desde aquele US Open. Nunca mais regressou aos quartos de final de um major, só em fevereiro esteve numa outra final, quando perdeu na decisão do título em Cluj-Napoca, na Roménia. Passa largos meses a sofrer para ganhar dois ou três encontros de seguida.
Não obstante, o seu apelo comercial mantém-se inalterado. Em 2024, encaixou €11 milhões, o que a fez ser a sétima desportiva mais lucrativa desse ano.
Nos courts as prestações são bem mais modestas. A última vez em que esteve entre as 10 primeiras do ranking WTA foi em agosto de 2022.
O futuro próximo, ao que tudo indica, será sem um treinador a tempo inteiro ao lado, porque “é díficil encontrar quem preencha todos os requisitos“ para o cargo. “Prefiro não ter alguém que chegue e me diga ‘vamos fazer isto‘ e eu discorde, mas tenha de o ouvir“, concluiu.