Ténis

O corpo traiu Jannik Sinner e Roland-Garros perdeu o seu único favorito

Italiano sofreu tonturas e desidratação durante o duelo da 2ª ronda e sai de cena muito mais cedo do que o previsto
Italiano sofreu tonturas e desidratação durante o duelo da 2ª ronda e sai de cena muito mais cedo do que o previsto
Daniel Kopatsch

Choque em Paris, com o número 1 mundial a cair à 2ª ronda frente a Juan Manuel Cerúndolo (3-6, 2-6, 7-5, 6-1 e 6-1), depois de quebrar fisicamente quando servia no terceiro set para fechar o encontro. Nove majors depois, haverá um vencedor não chamado Jannik Sinner ou Carlos Alcaraz

Roland-Garros já começou algo coxo, sabendo-se há muito da ausência de Carlos Alcaraz, campeão em título, um dos protagonistas da louca final de há um ano, uma batalha de cinco horas e meia que o espanhol ganhou depois de perder os primeiros dois sets. Do outro lado, Jannik Sinner, a outra cabeça do monstro bicéfalo que tem aterrorizado o ténis nas últimas temporadas. E sem Alcaraz, o italiano não era um dos favoritos à vitória em Paris: era muito provavelmente o único favorito.

Não era só a ausência de Alcaraz que reforçava este estatuto. O italiano vinha de 30 vitórias seguidas e de triunfos nos últimos cinco torneios disputados, todos eles Masters 1000. Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Madrid, Roma, por todos eles passou como uma brisa arrasadora, glutona de recordes, igualando Novak Djokovic como os únicos tenistas a conquistar os nove torneios da categoria máxima do circuito ATP.

Até que chegou a onda de calor. Um bafo quente que está a oprimir Paris, com temperaturas bem acima dos 30 graus, às quais o mui alpino Sinner não reagiu bem. Na 2ª ronda, frente a Juan Manuel Cerúndolo, modesto número 56 do ranking mundial, previa-se mais um passeio no Phillippe-Chatrier, não muito diferente do da 1ª ronda, em que o número um ATP atropelou o francês Clement Tabur em sets diretos. E parecia que tal ia acontecer: Sinner venceu o primeiro por 6-3, o segundo por 6-2 e já ganhava por confortáveis 5-1 no terceiro parcial quando o seu corpo deu de si.

Seguiram-se três jogos consecutivos do argentino e, a servir para fechar o encontro, com 5-4 no marcador, Sinner não aguentou mais: queixou-se de tonturas, um mal-estar que o dominava. Foi assistido pelo médico. Mas a partir daí até final foi uma luta pela sobrevivência, uma via crucis sem armas físicas. Lento, desidratado, sem forças, Sinner manteve-se em campo, mas Cerúndolo deu facilmente a volta ao marcador, fechado o encontro em 3-6, 2-6, 7-5, 6-1 e 6-1.

Jannik Sinner a sofrer com o calor durante o jogo contra Cerúndolo, em Roland-Garros
Anadolu

Vencedor em aberto

O choque tomou conta até de Juan Manuel Cerúndolo, que nem festejou um triunfo que, em condições normais, mudaria a vida de um tenista. Em 2021, o mais novo dos irmãos Cerúndolo, agora com 24 anos, fez a estreia num quadro principal de um torneio ATP no Córdoba Open, que viria a ganhar. Mas a carreira, que parecia auspiciosa, tem sido travada por lesões. Neste Roland-Garros tornou-se interveniente quase acidental de uma das maiores surpresas de que há memória na cimeira parisiense, que, do nada, fica em aberto.

Há nove torneios do Grand Slam consecutivos que, no final, o vencedor se chama Jannik Sinner ou Carlos Alcaraz. A final de Paris quebrará essa série. Será Novak Djokovic capaz de uma histórica last dance, chegando ao major número 25 aos 39 anos? Ou a porta ficará finalmente aberta para Sasha Zverev, um dos lesados da geração que mediou o big three e o aparecimento de Sinner e Alcaraz, ainda à procura do seu primeiro torneio de Grand Slam?

Certo é que o físico privará Sinner de aproveitar uma oportunidade de ouro de completar o Grand Slam. Com vitórias no Open da Austrália (duas), Wimbledon e US Open, Roland-Garros era o único major que lhe escapava. Depois de há um ano o deixar fugir de forma dramática, sem Alcaraz no caminho tudo parecia uma mera burocracia. Até o corpo falhar ao italiano.

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