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Talvez nunca mais vejamos Novak Djokovic em Roland-Garros, o cemitério de favoritos que fez mais uma vítima

Nole ganhou o major francês em 2016, 2021 e 2023
Nole ganhou o major francês em 2016, 2021 e 2023
NurPhoto

João Fonseca, um menino duas décadas mais novo do que o sérvio, transcendeu-se e eliminou Novak Djokovic na terceira ronda. O principal favorito ainda em competição desperdiçou dois sets de vantagem pela segunda vez na carreira. Admite que ficou “sem gás” e, fustigado pelos 39 anos, não sabe se foi a despedida do pó de tijolo francês

Carlos Alcaraz nem esparralhou poeira pela roupa na terra batida devido a lesão. Jannik Sinner sucumbiu fisicamente e foi eliminado na segunda ronda. A participação de Daniil Medvedev foi ainda mais curta, ficando pelo caminho logo na estreia. Roland-Garros está a ser um inferno para os favoritos.

Um jornalista começou a enumerar as vítimas precoces do torneio, desbravando caminho para perguntar a Novak Djokovic se não tinha perdido uma oportunidade de conquistar o major francês. O sérvio nem o deixou acabar a formulação. Interrompeu o repórter e pediu que se mudasse de tema.

Quer se queira, quer não, a retirada dos líderes da nova guarda contribuía para a tempestade perfeita. Aos 39 anos, Nole atravessa um invulgar interregno – provavelmente, normal – de seca de Grand Slams. A última vez que conquistou um título desta envergadura foi no US Open, em 2023. Porém, mantém-se à espreita e ainda no início do ano disputou a final do Open da Austrália, que perdeu para Carlos Alcaraz.

Na terceira ronda de Roland-Garros, enfrentou o prodígio João Fonseca. Ao fim de dois sets, tinha a raquete à volta do pescoço do menino de 19 anos com vitórias por 6-4. Os dois nunca se tinham encontrado e, pela diferença de duas décadas, até era um confronto que não estava propriamente previsto. O cruzamento geracional resultou num jogo memorável. João Fonseca ressuscitou e acabou por vencer com parciais de 6-3, 7-5 e 7-5.

Novak Djokovic tinha até ali perdido apenas uma vez na carreira quando, em jogos à melhor de cinco, usufruiu de uma vantagem de dois sets. Aconteceu em 2010, contra Jürgen Melzer, também em Roland-Garros.

João Fonseca atingiu pela primeira vez a quarta ronda de um Grand Slam
Tim Clayton

“Fiquei sem gás”, admitiu Djokovic no rol de explicações que teve que dar após o colapso. Ainda assim, sendo João Fonseca o fator dominante em court, pouco mais havia a fazer. “No final do quarto set, senti que tive a minha melhor oportunidade. Ele jogou pontos muito bons. Atacou, teve grande serviços. Quando olho para trás, para os momentos importantes, podia ter feito algo diferente?”

O aumento da frequência com que convive com desilusões, introduziu no veterano tenista um certo conformismo. A consciência da fase da carreira em que está assim o obriga. Mas terá sido esta a última vez que esteve em Roland-Garros, o Grand Slam que menos vezes ganhou (2016, 2021 e 2023)? “Não sei”, deixou no ar.

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