Ténis

Por uma vez neste Roland-Garros imperou a lógica: Alexander Zverev está mais próximo do que nunca de ganhar um Grand Slam

A última vez que Zverev esteve presente na final de Roland-Garros foi em 2024, onde perdeu para Carlos Alcaraz
A última vez que Zverev esteve presente na final de Roland-Garros foi em 2024, onde perdeu para Carlos Alcaraz
Clive Brunskill

As opções A, B e C vacilaram. Sobrou a quarta escolha: Alexander Zverev, o sobrevivente do cemitério de favoritos de Roland-Garros. Nas meias, a assistência médica a Jakub Mensik ainda o desnorteou, mas o alemão conseguiu assegurar a quarta presença em finais de Grand Slams e está habilitado a ganhar um torneio deste nível pela primeira vez na carreira. O checo ainda incomodou o número três do ranking com as subidas à rede, mas o ténis mais geométrico do alemão acabou por se sobrepor (7-5, 6-2, 3-6 e 6-3)

Em Roland-Garros os favoritos não têm seguro. O bicampeão, Carlos Alcaraz, nem participou devido a lesão. Jannik Sinner e Novak Djokovic foram eliminados precocemente. Esta pomposa grupeta inclui os 15 últimos vencedores de Grand Slams. Alexander Zverev tem andado perto de aceder à zona VIP, sem nunca o conseguir fazer. Na quinta meia-final em Paris, tornou-se a opção D a ganhar o torneio devido às baixas. Isto, claro está, se não fosse afetado igualmente pela maldição. A competência que se lhe opôs não quebrou a imunidade.

A naturalidade dos gestos fez com que Jakub Mensik se deixasse levar na direção para a qual o corpo o puxava. Após fisgar o serviço, acompanhava o movimento próprio e aproximava-se da rede para ofender de imediato a resposta do adversário. Era uma postura intrépida - tentar o serviço-volley - de quem tinha a ousadia de dar o primeiro golpe. Quando se fixava no fundo do court, tentava com insistência um amorti em banana, de dentro para fora. Não perdeu confiança na pancada e, à terceira, acertou a trivela de mão.

Num par de pontos, Zverev trocou a raquete pelo que parecia taco e fez home run. Jakub Mensik superiorizava-se em jogadas de variação e menor braço de ferro. A fineza requerida fez com que algumas granadas lhe começassem a rebentar nas mãos, sensação deixada sempre que acertava no dique que divide o campo.

A estreia do checo em meias-finais de Grand Slams aconteceu aos 20 anos, tempo insuficiente para ser mais efetivo em momentos de pressão. Após uma bola paralela que foi enroscar-se à interceção da linha final com a lateral, pôs-se numa situação em que dispôs de três break points, porém não aproveitou. Num momento fulcral do primeiro set (7-5), Zverev quebrou-lhe o serviço às custas de mais uma bola pescada pela rede.

Qualidade do serviço do alemão desequilibrou o jogo das meias-finais de Roland-Garros
Franco Arland

O número três do ranking atingiu um nível de fluidez que Mensik demorou a interromper. De vez em quando, lá o germânico era atrapalhado por uma irregularidade no pó de tijolo que parecia ter sido ali deixada por toupeiras investidas em desviar o ressalto da bola. Para que ninguém tivesse dúvidas de que o falhanço era de responsabilidade alheia, fazia questão de apontar para o buraco. Só mesmo isso o arreliava.

Zverev estava mais ágil e móvel, subindo o nível com o desenrolar do encontro. Tendo sido finalista de Roland-Garros, Open da Austrália e US Open, a progressão era uma vantagem clara de quem já tinha estado em situações semelhantes no passado. Mensik, pelo contrário, regredia. A quebra no serviço foi notória num segundo set (6-2) em que não teve a menor hipótese. Ter reagido com uma dupla falta à possibilidade de ser quebrado assim o indicava.

O imperturbável Jakub Mensik contrariou essa sua fama. Para fortuna, os mais de sete minutos em que recebeu assistência médica deixaram-no mais morno. Quando regressou do balneário por onde passou a reabilitação, encontrou um Zverev frustrado, a exagerar no efeito dado à bola e ansioso para concluir os pontos.

Assistência a Mensik interrompeu o jogo por mais de sete minutos
Clive Brunskill

Um novo jogo estava prestes a começar. Mensik trocou de ânimo nas cabines e voltou ainda melhor do que se apresentara no começo das cerca de duas horas que já levava o encontro. Revitalizado, elevou o patamar de perícia para atrair Zverev para o isco lançado com amortis e prolongou o encontro (6-3).

Zverev precisou de voltar ao ténis geométrico para fechar o encontro. O precoce break no quarto set (6-3) foi festejado com um punho cerrado em direção do tenista no outro hemisfério. Não terá sido alheia à efusividade a tensão acumulada na sequência de pontos duvidosos. Sem maneira de pausar o encontro como no set anterior, Mensik ia sobrevivendo graças à melhor execução junto à rede, mas só parou fora de Roland-Garros.

Jakub Mensik e Rafael Jodar, dois jovens em ascensão, tiveram o conto de fadas interrompido por Zverev. O papão de talentos fez mais uma vítima rumo à quarta final em Grand Slams, a segunda em Roland-Garros. O momento alto do tenista de 29 anos pode não tardar. Não importa quem lhe apareça pela frente - Flavio Cobolli ou Matteo Arnaldi -, será sempre favorito.

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