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    A segunda vitória de Jannik Sinner em Wimbledon foi segura e, ao mesmo tempo, uma questão de detalhes

    Sinner com a sua segunda taça de Wimbledon, repetindo o triunfo de 2025
    Sinner com a sua segunda taça de Wimbledon, repetindo o triunfo de 2025
    Ben Whitley - PA Images

    Frente a um Alexander Zverev que vinha de uma importante vitória em Roland-Garros, Sinner colocou para trás das costas a desilusão de Paris e, numa final sempre equilibrada e definida por duas quebras de serviço, conquistou o seu segundo título consecutivo em Wimbledon, o quinto da conta pessoal de majors

    Convencionou-se dizer no desporto que um encontro, um campeonato, um título, se decidiu nos detalhes. Por vezes é uma forma fácil de acabar com a conversa. Que detalhes são esses? E são assim tão detalhes? Há assim tanta minúcia nessa diferença entre ganhar ou perder ou a muleta é demasiado fácil de usar.

    Pois bem, é possível que a final masculina de Wimbledon possa ser um dos únicos eventos desportivos com o direito de afirmar categoricamente que se decidiu nos detalhes. Nas mais ínfimas das diferenças entre dois tenistas, à sua maneira, com armas semelhantes.

    Alexander Zverev chegou a Wimbledon depois da maior vitória da carreira, uma vitória que, aos 29 anos, chegou a parecer impossível: o triunfo num torneio do Grand Slam, em Roland-Garros, o seu primeiro. Ajudou que Carlos Alcaraz estivesse fora, lesionado, e que Jannik Sinner, favoritíssimo à vitória em Paris depois de vencer os três Masters 1.000 da época em terra batida, tivesse caído com surpresa logo à 2ª ronda, vítima de um aparente golpe de calor que o deixou KO.

    Depois da débacle parisiense, o italiano tinha em Wimbledon a oportunidade de se redimir e não falhou: num encontro sempre dividido, com os dois jogadores a níveis muito semelhantes, o italiano foi mais forte nos momentos-chave, vencendo em quatro sets, com parciais de 6-7(7), 7-6(2), 6-3 e 6-4.

    Sem grande surpresa, Sinner e Zverev chegaram à final do major londrino, como os dois primeiros cabeças de série do torneio. Um jogo de espelhos esperava quem à final assistia: dois grandes serviços, duas poderosas direitas. Pouca fantasia, muito pragmatismo. E, no final, foram detalhes, sim, verdadeiramente pequenos, que fizeram a diferença.

    No filme do encontro não houve táticas inesperadas, twists malucos, surpresas estratégicas. Os enganos graves foram escassos, a batalha fez-se no braço de ferro de dois saques que quase nunca abandonaram os seus amos. Não é por acaso que os dois primeiros parciais se resolveram no tie-break, o primeiro a cair para Zverev, num set que apenas teve um ponto de break, desaproveitado por Sinner, e um mini-break no desempate, este não desperdiçado pelo alemão, que fechou o primeiro set com uma direitaça ao ângulo.

    O segundo parcial foi ainda mais igual, sem qualquer oportunidade de break para qualquer um dos tenistas, com apenas os dois primeiros jogos a irem às vantagens. O saque de ambos prevalecia, as direitas comandavam os jogos de cada um.

    O triunfo do número um mundial no tie-break do segundo set, empatando tudo no resultado, marcaria uma pequena viragem no encontro à entrada para o 3º parcial. Não uma mudança sísmica, impossível de travar, mas que criou um ligeiro elã emocional para o lado de Sinner, ainda que tenha sido de Zverev a primeira oportunidade para quebrar o serviço do adversário, a primeira em todo o duelo para o alemão, com 3-3 no marcador, que Sinner salvou.

    Não fez o break Zverev, faria Sinner pouco depois, quando teve na raqueta aquele que era apenas o seu segundo ponto para quebrar o serviço do adversário. O primeiro break do encontro acontecia quando já se jogava há 2h54 minutos. Sinner fechou o set em 6-3. No 4º set, de novo muito equilibrado, quebrou Zverev ao sétimo jogo, com um winner de direita poderoso, a sua imagem de marca, evitando que o duelo ultrapassase as quatro horas.

    Dois ínfimos pontos de break convertidos por Sinner fizeram então a diferença de numa final que não chegou a ir a um 5º set, mas que foi sempre equilibrada em pontos ganhos e erros totais. Mas Sinner pareceu controlar sempre os tempos e esteve melhor nos momentos decisivos, quando a balança está pronta para pender para um dos lados. Os tais detalhes.

    O italiano de 24 anos foi crescendo ao longo do torneio, depois de ter ido a um 5º set na 1ª ronda e de ter sofrido no início do jogo com Nuno Borges na 2ª. Aos sustos respondeu, no final das duas semanas na relva londrina, com o 5º título em torneios do Grand Slam, o segundo consecutivo em Wimbledon. E numa final tão equilibrada, Zverev irá para casa com um número pesado: foi a 10ª derrota consecutiva com o italiano, finalmente no seu devido lugar depois da desilusão em Roland-Garros.

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