Portugal preserva um certo estatuto enquanto cenário de pré-estrelato. Não indo muito mais longe, Carlos Alcaraz ganhou por cá o Challenger de Oeiras mesmo antes de subir à ribalta. Na última edição antes do torneio sair temporariamente do ATP Tour, João Fonseca também trouxe ao Estoril Open uma pequena amostra do que tem exibido nas competições de nível mais elevado.
O encontro entre Luca Van Assche e Alexander Blockx foi um reforço dessa ideia. Se não soubéssemos que esta era a final do Estoril Open, podíamos confundir a partida com o duelo decisivo de um qualquer campeonato de esperanças.
Na manga da t-shirt, Blockx carregava o símbolo do Tomorrowland, um patrocínio adequado à jovialidade e ao futurismo do jogo. A publicidade deixa de ser um pouco mais inusitada quando se consulta a proveniência do tenista de 21 anos natural de Antuérpia, local onde se realiza o festival de música eletrónica com um público alvo muito diferente do que frequenta os courts de ténis. A inferioridade em termos de aura não impediu Van Assche, francês de 22 anos, de conquistar o Estoril Open, o primeiro título do ATP da carreira.
Blockx e Van Assche não estavam propriamente informados de que é suposto ter vantagem quando se serve. Enfim, a norma foi tantas vezes quebrada que uma mudança da regra pareceu estar em curso no início. Nos cinco jogos iniciais do primeiro set, ninguém se conseguiu impor aquando da sua vez de dar a pancada de estreia.
Quem mais rapidamente fez o ajuste foi Van Assche que, a partir do 4-2, tomou conta das operações, ganhando o parcial inaugural (6-4). O serviço de Blockx era tão picado que o francês de 1,78 m parecia uma criança a tentar chegar a um livro na prateleira mais alta da estante. Encontrando forma de responder com segurança, foi mais lesto no desenvolvimento dos pontos contra um Blockx sobretudo capaz na introdução e na conclusão.
A meio do segundo set, Blockx encontrou-se dentro da maior espetacularidade que o encontro demonstrou. Os tenistas tiraram o velcro das sapatilhas e moveram-se pelo campo. Mesmo que a saísse mais mortiça da raquete, as pancadas de Van Assche devolviam a bola com dose superior de veneno. Ainda assim, Blockx não se deixou contaminar e partiu para uma sequência de cinco jogos seguidos conquistados que encaminhou a resposta (6-4).
Nem sempre é fácil continuar fiel ao que se está a fazer quando os resultados desapontam, mas Van Assche manteve-se em modo pulga, deixando pegadas em várias zonas do tapete de pó. Num terceiro set muito disputado, o balão mental de Blockx ia sendo rebentado com a precisão de jogador de dardos demonstrada pelo gaulês, uma apetência que lhe permitiu colocar bolas a invadir a privacidade da linha. Blockx apontava para a cabeça sempre que abalava emocionalmente Van Assche com a conquista de pontos que não estavam no guião. De qualquer modo, prevaleceu (7-5) o ténis mais versátil de Van Assche.
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