Andrey Rublev era um berbicacho para Nuno Borges. Perdera os cinco jogos que partilharam e o português do boné lograra vencer um set apenas nos dois duelos mais recentes ao russo com fita na cabeça a tentar conter a farta guedelha.
Quando Nuno, natural da Maia, tirou o seu adereço destapando a seu cabelo empapado em suor, rasgou um sorriso, mirou o céu e ergueu os punhos fechados, agitando-os com a felicidade da inédita vitória alcançada contra Rubley, o 18º melhor tenis do ranking mundial. Mais do que a simbólica primeira vez que superou o russo, por 6-3 e 6-4, o olhar para as nuvens do português terá vindo de outro pedaço de alegria.
O resultado pôs Nuno Borges nos oitavos de final do Masters 1000 de Cincinnati, onde nunca um português batera bolas até tão longe no torneio. É “o ar americano“ que dá “um extra“ ao tenista, que adiou por uns anos a sua entrada na vida profissional da ATP para competir no circuito universitário dos Estados Unidos. “Faz-me lembrar dos meus tempos do college“, disse no court, logo após a vitória.
Terminada apenas a terceira ocasião em que derrotou um adversário do top 20 da hierarquia mundial, Numo Borges desabafou que se sentiu “ótimo”, reconhecendo os duelos do passado em que Rublev o tornou “desconfortável” no campo. No seu retorno ao piso rápido de Cincinnati verá do outro lado o norte-americano Brandon Nakashima. O jogo será na quarta-feira.
Antes de se ir esconder do tórrido sol que iluminava um dos campos da cidade do Ohio, o português, mal confirmou a vitória, dirigiu-se à câmara de TV onde, por costume, ao tenista que prevaleceu é dada uma caneta de feltro para deixar uma mensagem na lente. “Portugal on fire!!!“, escreve Nuno Borges, generoso nos pontos de exclamação.
O entusiasmo foi justificado: ainda esta terça-feira, lá mais para a noite, Jaime Faria jogará com o australiano Adam Walton também por um lugar nos oitavos de final do Masters. “Espero que inspire muito, ainda somos um país de futebol, tentamos colocar um pouco mais de ténis na nossa cultura. Para o quão pequenos somos, acho que é incrível“, congratulou, alumiando com a voz o caminho pelo qual tenta puxar no desporto português.
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