Thea Frodin foi dupla de uma jovem Serena Williams no cinema. Aos 17 anos, fez a estreia no US Open - agora a sério
Thea Frodin na 1ª ronda do quadro principal, onde defrontou Elena Rybakina
Pete Staples
Aos 12 anos, Frodin foi notada pelos produtores do filme “King Richard”, sobre a história das origens das duas irmãs Williams. Não para o papel da jovem Serena, mas sim para fazer de sua dupla nas cenas em campo, já que já dava nas vistas em torneios para o seu escalão na Califórnia. Anos depois, Thea é uma tenista em nome próprio, que acabou de se estrear num torneio do Grand Slam
Olha-se para os créditos do filme “King Richard”, que conta a história de Richard Williams, pai de Venus e Serena Williams, e do percurso das irmãs, desde as origens humildes em Compton até ao topo do ténis, e a atriz que faz da mais nova das irmãs é Demi Singleton. Mas não é Singleton quem protagoniza as cenas de ação desportiva do filme, as pancadas, as movimentações em court. Para tal, foi contratada, para dupla, uma verdadeira aspirante a tenista.
Thea Frodin tinha então 12 anos. Filha de pai sueco e mãe de ascendência gabonesa, a jovem já dava nas vistas em torneios para o seu escalão na Califórnia, onde nasceu e cresceu. Começou a jogar aos 6 anos e foi notada por membros da equipa que realizou o filme depois de limpar os três quadros de um torneio local, singulares, pares e pares mistos. Passaria seis meses nas gravações do filme que valeu a Will Smith o Oscar de melhor ator - “King RIchard” foi também nomeado para melhor filme na cerimónia de 2022.
Quatro anos depois, já não estamos a falar de ficção: aos 17 anos, Frodin estreou-se no quadro principal do US Open, graças a um convite da organização. Dado não porque um dia emulou uma jovem Serena Williams, seis vezes campeã no último torneio do Grand Slam da temporada, mas depois de vencer o campeonato sub-18 da federação norte-americana de ténis.
Na 1ª ronda, Frodin defrontou a número 2 mundial, Elena Rybakina. Vencer seria um feito milagroso e o resultado acabou por ser concludente para a cazaque: 6-3 e 6-2. Ainda assim, Frodin disparou 11 ases, quase o dobro da adversária. Tal como Serena, a força está-lhe no sangue.
A tenista norte-americana no torneio junior de Wimbledon de 2025
Patrick Khachfe
“Sinto que sempre fui uma jogadora agressiva, sempre foi o meu tipo de jogo”, apontou aos jornalistas após o seu primeiro duelo a contar para o circuito principal. Com mais de 1,80m, Frodin reconhece que a altura também a ajuda a ter no serviço uma das suas melhores armas. Tal como Serena.
O passado de Frodin e a sua história como dupla de Serena não passaram naturalmente ao lado de ninguém em Flushing Meadows. Thea sublinhou que mesmo antes de ser convidada para o filme já sabia bem quem era a tenista, vencedora de 23 títulos em singulares em torneios do Grand Slam. “Sou uma grande fã dela e foi uma honra poder fazer de alguém que eu admirava”, frisou.
O que retirou de Serena
Para Thea Frodin, que vai continuar no US Open, agora para jogar o torneio de juniores, o tempo que passou a gravar “King Richard” foi uma espécie de continuação dos treinos: “Ajudou-me ter de estar ali a praticar o desporto que tinha jogado a vida toda, assim que não foi nada de novo. Eu só tinha de ir para lá e jogar, tentar replicar as pancadas dela”. O jovem diz que fazê-lo com Will Smith foi um bónus. “Ele é muito fixe, um tipo muito simpático. Até me deu algumas dicas para representar”, contou.
A poderosa pancada de direita de Thea Frodin, no encontro frente a Rybakina
Robert Prange
E, neste caso, a realidade imitou a arte: Thea reconhece que depois de terminar as gravações, deu por si a incorporar algumas das pancadas mais típicas de Serena no seu treino: “Os meus treinadores ficaram um bocado frustrados porque eu de forma natural comecei a bater na bola como a Serena. Adotei um pouco com a técnica de esquerda dela, mas de resto depois tentei ao máximo voltar às minhas pancadas”.
Sobre a estreia em torneios do Grand Slam, a tenista de 17 anos, para já ainda fora do top 500 do ranking WTA, leva as lições positivas. Frisou que tentou “divertir-se”, afastando a pressão: “É claro que tenho muito para aprender, mas estou entusiasmada com as coisas que fiz no jogo e quero ter esta experiência mais vezes, espero”.
Por falar em experiência, uma que Thea Frodin ainda não teve foi o prazer de conhecer Serena Williams em carne e osso. Aos jornalistas, deixou o desejo de, quem sabe, conhecer as duas irmãs, que vão participar no torneio de pares do US Open, talvez até trocar umas bolas com elas: “Isso seria incrível, um sonho”.