Elena Rybakina já era a número um. Simplesmente ganhou o US Open para mostrar porquê
A tenista de 27 anos tem agora três Grand Slams conquistados
Sarah Stier
Num duelo cara a cara, enfrentaram-se na final do US Open a virtual número um do ranking e a tenista que a cazaque vai destronar. Elena Rybakina obteve o certificado de mérito ao impor-se contra Aryna Sabalenka (6-4, 5-7 e 6-2) numa passagem de testemunho idílica no Estádio Arthur Ashe
Aryna Sabalenka deixou a cadeira a escaldar. Desde 21 de outubro de 2024 que estava petrificada no lugar mais alto do ranking. A altura de descer do palanque chegou e a sucessora estava encontrada: Elena Rybakina.
Virtualmente, a cazaque conquistou o estatuto de número um mundial no decorrer do US Open. De repente, foi posta num limbo entre o saborear de um patamar inédito e a tensão de lutar pela conquista do torneio nova-iorquino. Uma coisa ficaria incompleta sem a outra.
Não que precisasse de motivação adicional para ganhar o terceiro Grand Slam da carreira, mas bater a adversária que se prepara para destronar era o maior certificado de mérito que lhe podia ser concedido. Rybakina cara a cara com Sabalenka, sem pontos de fuga, as virtudes de uma contra a fraquezas da outra numa crua comparação soava a desafio supremo.
Elena Rybakina nunca tinha vencido o US Open
Pete Staples
Rybakina tinha a boca cosida. Entrou e saiu calada do primeiro set (6-4), sem pânico. O espírito zen contrastava com o de Sabalenka, que rebobinava as pancadas que não lhe saíam bem. A frustração da bielorrussa espelhava os 15 erros não forçados.
Os dois serviços eram artilharia pesada. Sabalenka escolhia muitas vezes fazer mira com o seu diretamente à adversária como se estivesse a responder a uma afronta pessoal. O domínio de ambas sobre esta área tornou raras as intromissões uma da outra nas partidas em que introduziram a bola em jogo. Por esse motivo, as diferenças foram sempre mínimas.
Sabalenka honrou as 99 semanas em que foi líder mundial com a reação que teve. As conversas com o além passaram para o outro lado da rede. Estava então estabelecida uma regra: mais falatório, menos rendimento. A pujança de Sabalenka para conquistar pontos de serviço no segundo set, que lhe sorriu (7-5), sem que a adversária a incomodasse arrancou suspiros ao Estádio Arthur Ashe e garantiu a sua sobrevivência.
Aryna Sabalenka pagou o esforço da recuperação que fez no segundo set durante o terceiro parcial
Pete Staples
A final tinha atingido o ponto de maior equilíbrio. Sabalenka aproximou-se de Rybakina, mas não esteve durante o tempo necessário no nível de consistência da cazaque. A tenista de 27 anos fez um terceiro set imaculado (6-2), mantendo-se dentro dos pontos até os poder encerrar com pancadas a acordar as linhas (15 winners).
Se a pergunta que saiu neste teste era “estará Elena Rybakina pronta para ser a número um?”, a resposta é “sim”. Bater Aryna Sabalenka numa superfície onde tem uma sequência de oito finais de Grand Slams foi a passagem de testemunho idílica. Agora tem um troféu do US Open para fazer companhia ao de Wimbledon (2022) e do Open da Austrália (2026).