Andebol

Paulo Jorge Pereira tem uma ideia: “Nós em Portugal temos de ‘coopetir’ mais e não competir. As modalidades não têm de se tentar ‘matar’”

Paulo Jorge Pereira é o selecionador nacional de andebol desde 2016 e já levou Portugal a oito fases finais de grandes competições
Paulo Jorge Pereira é o selecionador nacional de andebol desde 2016 e já levou Portugal a oito fases finais de grandes competições
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O selecionador nacional de andebol que já levou Portugal a oito fases finais explicou que as modalidades e os respetivos treinadores devem cooperar na gestão dos atletas a bem da evolução do desporto no país: “Quando é que começamos a fazer isto? Nunca. Porquê? Porque uma modalidade quer aniquilar outra e não cooperar.”

O selecionador de andebol português, Paulo Pereira, defendeu que as modalidades desportivas deveriam ‘coopetir’ mais e competir menos, numa noite em que disse que a liderança dá muito trabalho, mas também precisa de intuição.

“Nós em Portugal temos de começar a ‘coopetir’ mais e não a competir entre modalidades. Eu coopero contigo. Compito contigo, mas também coopero. As modalidades não têm de se andar a tentar 'matar' umas às outras”, defendeu Paulo Pereira.

O selecionador falava hoje em Tondela, no distrito de Viseu, e cidade onde a seleção está em estágio até sábado, depois de, na sexta-feira à noite, enfrentar a seleção da República Checa.

Paulo Pereira deu como exemplo a eventualidade de haver um miúdo alto, que gosta de futebol, mas nem sabe correr, de o treinador levá-lo a um treinador de basquetebol e ver se é um atleta em ascensão. “Ou vice versa, em qualquer outra modalidade”, disse.

“Quando é que começamos a fazer isto? Nunca. Porquê? Porque nos queremos 'matar' uns aos outros. Uma modalidade quer aniquilar outra e não cooperar”, considerou.

O mesmo acontece no desporto escolar, indicou. “As modalidades nas escolas são organizadas em função das competências dos professores que lá estão. Se são bons em voleibol, arranja-se um clube de voleibol”, apontou.

Tudo isto, no seu entender, “porque tudo dá muito trabalho e é muito fácil ser-se comodista e até morar ao pé da escola, de preferência”, mas “com trabalho e vontade, tudo pode mudar”.

A liderança

Da mesma forma que “há uns anos a atitude era outra” perante os jogadores, hoje, Paulo Pereira, olha para si “mais como um líder, com outra atitude, de que como alguém que chega e manda”.

Perante uma plateia com mais de 50 pessoas, o selecionador apontou a “humildade, gratidão, perdão, respeito, maturidade, empatia, compreensão, confiança, trabalho e sentido de humor, sempre” como o plano de jogo da sua equipa.

Para Paulo Pereira, trabalhar uma equipa masculina “é também gerir egos” e é “preciso preparar muito bem o plano de trabalho com os jogadores, para potenciar, individualmente, cada um dos atletas e gerir os seus propósitos individuais, para que haja um sucesso coletivo”.

“Às vezes, tenho de virar a mesa e perguntar o que é que estamos ali a fazer. Se não queremos ganhar. Outras, é preciso focar mais na solução, enquadrando o problema, mas com foco na solução. Trabalhamos muito para ter bons resultados e temos de pensar muito”, assumiu.

No seu entender, “é preciso trabalhar muito e saber a tática” para alcançar os resultados desejados, “mas, às vezes, o mais importante é seguir a intuição, para falar com os jogadores da melhor forma e que se torne mais eficaz”.

Da lista de atitudes a ter, de parte a parte, quer atletas, quer treinador ou selecionador, fazem parte também o “entusiasmo, amor, paixão, sentido crítico, autonomia, prazer e compromisso e não haver ninguém invisível” nos treinos e estágios.

“E nós treinadores, temos ainda que ter a capacidade de nos adaptarmos. O melhor treinador não é o mais forte, é o que melhor se consegue adaptar às diversas situações, porque isso traz resultados mais constantes”, defendeu.

No final, Paulo Pereira dedicou mais de uma hora a responder às questões levantadas sobre os desafios de ser selecionador, treinador de um clube, e do andebol feminino, que, “infelizmente, praticamente não tem mulheres profissionais” em Portugal.

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