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Mourinho no Real Madrid? O treinador garante que é “tudo especulação“ e a falar com os espanhóis, só falará no final da época

José Mourinho a reagir durante a conferência de imprensa antes do jogo do Benfica contra o Gil Vicente, para o campeonato
José Mourinho a reagir durante a conferência de imprensa antes do jogo do Benfica contra o Gil Vicente, para o campeonato
NurPhoto

Antes de o Benfica receber o SC Braga, na segunda-feira (20h15, BTV), o seu treinador assegurou que não teve qualquer contacto com o Real Madrid e, se vier a ter, será apenas nos 10 dias seguintes ao derradeiro jogo da época, período estipulado no seu contrato com os encarnados para qualquer uma das partes ativar a cláusula de não renovação

Mourinho no Real Madrid? O treinador garante que é “tudo especulação“ e a falar com os espanhóis, só falará no final da época

Diogo Pombo

Editor de Desporto

Podia ter sido uma daquelas semanas, como tantas houve esta época, em que José Mourinho se abstinha de comparecer à protocolar conferência de imprensa no Seixal, na véspera de um jogo do campeonato, antes fazendo a antevisão da partida no contexto dócil e simpático da “Benfica TV”, sem perguntas difíceis nem inesperadas. Não o fez. “Todas essas histórias que têm saído - exigências, reuniões -, é tudo especulação”, disse, este domingo, no dealbar da sessão perante os jornalistas dedicada à partida contra o SC Braga, mas cedo tomada de assalto pelo Real Madrid.

A segunda pergunta da sessão tocou logo no tema após vários dias do que o treinador descreveu como rumores: que o clube, ou melhor, que o presidente Florentino Pérez, teria falado com Mourinho sobre a hipótese do seu retorno a Madrid para treinar os merengues como o fez entre 2010 e 2013, ganhando uma liga com recorde de pontos (100), uma Copa del Rey e uma Supertaça, deixando um rasto belicoso para trás com o estilo confrontacional que adotou para antagonizar a hegemonia do Barcelona de então. Pep Guardiola ter feito um ano sabático após sair dos catalães

Com uma equipa desfeita em cacos, onde os jogadores brigam (Valverde e Tchouaméni, depois de Carreras com Rüdiger), desrespeitam treinadores (primeiro Xabi Alonso, agora Álvaro Arbeloa), outros fazem escapadelas na Sardenha em dias de folga e, por estarem lesionados, regressam à capital espanhola a minutos de um jogo (Kylian Mbappé) ou amuam por serem substituídos (Vinícius Júnior), esta semana noticiou-se até que presidente do Real Madrid já se teria reunido com o português e o Benfica conformado estaria já com a saída do técnico, no final da época.

Mas não, palavra de José Mourinho. “Continuam a falar do Real Madrid, eu continuo a fugir, mas a fugir com toda a honestidade: não tive qualquer contacto nem com o presidente, nem com nenhuma das pessoas importantes na estrutura”, garantiu o treinador, de 63 anos. “Não tive qualquer contacto com o Real Madrid, não tive, e até ao último jogo do campeonato contra o Estoril também não o vou ter”, assegurou o homem que venceu apenas um título (a Liga Conferência com a AS Roma, em 2022) nos últimos nove anos e, pelos vistos, continua a ser considerado para um dos postos mais exigentes do futebol.

Tendo-se em elevada consideração, como o próprio já o demonstrou esta temporada - disse, após um resultado adverso: “eu sou aquele que ganhou tudo, que ganhou tudo muitas vezes e que repetiu muitas vezes as vitórias e, por isso, talvez tenha crescido de um modo onde muitas vezes sinto que nunca falho ou erro” -, Mourinho chutou para daqui a cerca de duas semanas uma eventual conversa com o Real Madrid. “Há ali uma janela de uma semana onde eu terei a liberdade de falar com quem eu achar que devo falar”, definiu quem acabará esta época sem títulos conquistados pelo Benfica.

Esse período de que falou são os “dez dias após o último jogo” da época de que o clube informou a CMVM, em setembro, ao contratar Mourinho, durante os quais o treinador ou o clube podem “optar por não dar continuidade ao contrato”. Mais tarde, soube-se que custará €3 milhões a quem a ativar. “Aproveito para lhe agradecer o facto de perceber o momento do Benfica, porque não são cláusulas tão vulgares quanto isso”, disse Rui Costa na apresentação do técnico, feita antes do mediático sufrágio que o reelegeu na presidência dos encarnados.

No início de abril, durante as suas idas à Assembleia da República para reunir com os partidos políticos e transmitir o que o Benfica pensa, e quer, para o futebol português, Rui Costa frisou que José Mourinho “tem mais um ano de contrato e não é tema”. Nesta semana que passou, em paralelo com os rumores em torno do interesse do Real Madrid em regressar ao passado com o português, também foi sendo noticiado que Marco Silva, técnico do Fulham, da Premier League, seria o substituto desejado caso o “tudo” que Mourinho diz ser “especulação” se venha realmente a confirmar.

E, para memória futura, nestas coisas de clubes quererem treinadores, segundo o homem que conquistou duas Ligas dos Campeões e trocou de poiso sempre que o fez, aparentemente apenas conta a vontade de quem contrata: “No mundo do futebol não são os profissionais que têm interesse em ir ou não ir. Acho que as coisas, quando começam (não me estou a referir ao meu caso concreto, estou a referir-me no geral), quando alguma coisa acontece com jogadores, com treinadores ou com dirigentes profissionais, são os clubes que têm interesse e são os clubes que iniciam ou não procedimentos para tentarem ter as pessoas que querem.

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