Equipa de Finlay Tarling abandona Volta a Portugal e organização da prova apela: “Não é momento para especulações“
Alex Hewes, um dos ciclistas da NSN Development, a pedalar em Águeda durante a 5ª etapa da Volta a Portugal
NurPhoto
A NSN Development anunciou, este sábado, a retirada da competição após a morte do seu ciclista, Finlay Tarling, atropelado por um carro durante a 8ª etapa da Volta a Portugal. A organização da prova anunciou que não haverá mais ações publicitárias e lembrou que “a ocorrência está a ser investigada pela GNR, a quem compete o apuramento rigoroso dos factos“
Não dá para supor o choque, imaginar as feridas deixadas pela morte de um dos seus na estrada. A NSN Development, equipa a que pertencia Finlay Tarling, ciclista galês que morreu após ser atropelado, na sexta-feira, durante a 8ª etapa da Volta a Portugal, decidiu retirar-se da prova.
A equipa secundária do conjunto suíço não irá completar a tirada deste sábado e a última, de domingo. Em comunicado, anunciou contudo que a sua formação principal - do WorldTour, principal divisão do ciclismo internacional - vai, “com o apoio total dos pais do Fin”, continuar a participar na Volta à Chéquia e na Corrida do Ártico, na Noruega, competições que já decorrem.
Finlay Tarling tinha 19 anos e foi atropelado na passagem da etapa por Ponte de Lima, ao descolar um pouco do pelotão e colidir com um carro que seguia em contramão, confirmou a Guarda Nacional Republicana. Foi a primeira vez que um ciclista morreu durante a Volta a Portugal em 87 edições da prova.
“Continuaremos a guardar o Fin nos nossos corações enquanto competimos em sua honra, fazendo o que ele mais gostava”, acrescentou a NSN Development, agradecendo “a todos na comunidade do ciclismo e não só pelo apoio incrível durante este período difícil”.
Finlay Tarling, em 2024, com uma das três medalhas de bronze que conquistou nos Mundiais juniores de ciclismo de pista
Também este sábado a organização da Volta a Portugal lamentou a “tragédia que ultrapassa a competição”, mostrando-se “profundamente abalada“ pelo acidente que marcou a prova. “O ciclismo é um desporto que comporta riscos, mas nunca estamos preparados para uma tragédia desta dimensão. Finlay perdeu a vida. Uma família perdeu um filho. Uma equipa perdeu um companheiro. O ciclismo perdeu um dos seus“, descreveu, em comunicado.
Em memória de Finlay Tarling, a Volta fará “um momento de homenagem“ antes do arranque da 9ª etapa que terminará com a subida ao mítico alto da Senhora da Graça, em Mondim de Basto. Com a anuência dos “principais patrocinadores da prova“, foram canceladas “todas as ações [publicitárias] previstas para os dois últimos dias“ da competição, que termina no domingo.
A organização defendeu também que “não é o momento para especulações sobre as circunstâncias do acidente“, ao salientar que “a ocorrência está a ser investigada pelo Comando da GNR, a quem compete o apuramento rigoroso dos factos“.