João Almeida foi o 3º mais rápido no contrarrelógio da Vuelta onde Enric Mas se defendeu com categoria
Enric Mas sobreviveu com distinção ao teste do contrarrelógio
Tim de Waele
Na luta contra o tempo da 18ª oitava etapa, o suíço Stefan Küng foi o mais rápido. João Almeida apresentou-se muito bem, fechando o pódio, enquanto o camisola vermelha apenas perdeu 33 segundos para Primož Roglič, num terreno mais favorável ao esloveno. Enric Mas vai para as últimas três tiradas com 1,37 minutos de vantagem
O pior dia para Enric Mas foi um belo dia para Enric Mas. Desde que se viu o patamar em que o balear está, a forma que apresenta nas subidas, tornou-se evidente que a grande armadilha militava no contrarrelógio. Pois bem, o espanhol não caiu na ratoeira.
De caminho a Jerez de la Frontera, Enric Mas, rodando a solo contra o vento, aplicando-se num cenário que lhe era desfavorável, conservou grande parte da sua vantagem. Foi 12.º, cedendo meros 33 segundos para Primož Roglič e até ganhando tempo a Felix Gall.
Era o contrarrelógio da vida de Enric Mas, que vive a grande oportunidade da sua carreira. E continua a agarrá-la com todas as forças, defendendo a liderança com categoria.
Enric Mas lidera a Vuelta à falta de cinco etapas para o fim
O mirrar das distâncias nesta especialidade vê-se bem por, com 32,1 quilómetros, este ser o maior esforço individual na Vuelta desde 2021. Descansem em paz, contrarrelógios de uma hora de duração, temos saudades.
O percurso era plano, não com a canícula de outros dias (cerca de 29 graus), viajando pela zona de Cádiz, terra de carnaval, de festas de verão e de touradas. A partida estava numa praça de touros no Puerto de Santa María, de onde é natural Joaquín Sánchez, lenda do Betis, no futebol.
O vencedor foi um puro sangue do contrarrelógio, o suíço Stefan Küng, da Tudor, fazendo uma média fantástica, acima de 54 quilómetros por hora. O segundo foi o britânico Callum Thornley, da Red Bull, três segundos pior que o helvético. O terceiro lugar foi para um excelente João Almeida, que viu a vitória escapar-lhe por oito segundos.
João Almeida teve o seu melhor dia nesta Vuelta no contrarrelógio que acabou em Jerez de la Frontera
Tim de Waele
Para João Almeida, a tirada foi um motivo de esperança. A viver uma época carregada de problemas, com doenças, quedas e um nível competitivo a léguas do que já mostrou, andar a este nível dá excelentes indicações para a montanha que ainda falta subir — há a óbvia ambição de discutir uma etapa — e, sobretudo, para o seu calendário de final de temporada.
O caldense sublinha, novamente, as suas credenciais no contrarrelógio, sendo esta a 44ª vez em 61 participações na especialidade em que concluiu na primeira dezena de lugares. Nenhum dos corredores da classificação geral fez melhor do que o português.
Ivo Oliveira, o outro ciclista nacional da UAE Emirates, também teve uma etapa de destaque. Concluiu em oitavo.
No duelo pela vermelha, as três últimas jornadas chegarão com Enric Mas como líder. Roglič está a 1,37 minutos, Felix Galla distantes 3,01 minutos, Richard Carapaz já a mais de cinco minutos. Sexta-feira e sábado serão carregados de montanha, quilómetros e quilómetros de dificuldades, mas Mas pode, mesmo, estar a dias da consagração.