Kimi Antonelli pode tornar-se campeão mundial já na próxima corrida. Mas precisa de novo domingo desapontante de George Russell
Em breve, o banho de água pode tornar-se num banho de champanhe para Kimi Antonelli
Jayce Illman
Depois do 3º lugar em Singapura, o jovem italiano terá o primeiro match point para o título daqui a duas semanas, no GP Estados Unidos, em Austin. Será, numa primeira instância, obrigatório ganhar. E depois esperar que George Russell, seu colega na Mercedes, tenha mais um fim de semana de frustração
Uma má abordagem estratégica de Lewis Hamilton nas ruas da sempre quente e húmida Singapura não significou apenas mais um grande prémio de frustração para o britânico da Ferrari. Com os pneus carecas de saberem que tinha sido um erro não ir à box na última entrada do Virtual Safety Car em pista, Hamilton foi ultrapassado nas derradeiras voltas por Kimi Antonelli, Lando Norris e Oscar Piastri.
Tal permitiu a Antonelli subir a um pódio para o qual parecia não ter ritmo e somar suficientes pontos para ter já na próxima corrida, o GP Estados Unidos, em Austin, a 25 de outubro, o primeiro match point de um título mundial que será tão histórico como inevitável.
Aos 19 anos, Kimi Antonelli lidera o Mundial de Fórmula 1
Com um máximo de 150 pontos disponíveis por piloto quando faltam seis corridas para o fim da época, a vantagem de 102 pontos do italiano para o 2º classificado do Mundial, o seu colega de equipa George Russell, deixa tudo no campo do é-uma-questão-de-tempo. A conta mais simples é esta: caso saia de Austin com uma vantagem de 125 pontos ou mais para os adversários, Antonelli é campeão.
O que significa que, para o italiano, só há uma hipótese no Texas: ganhar e recolher os correspondentes 25 pontos. E depois está dependente dos rivais:
— Se Antonelli vencer, Russell tem de ser pelo menos 8º para continuar na luta. Se o britânico for 9º ou abaixo disso, Kimi é campeão;
— Se Kimi ganhar, Lewis Hamilton tem de ser pelo menos 4º para se manter com hipóteses, mesmo que ligado às máquinas;
— Se o italiano vencer em Austin, Verstappen, Leclerc e Norris, todos com ainda ténues esperanças, ficam automaticamente fora da corrida pelo título.
As contas são, assim, ainda complexas para Kimi Antonelli, em busca de se tornar, aos 20 anos, o mais jovem campeão mundial da história da Fórmula 1, um recorde que está nas mãos de Sebastian Vettel, campeão com 23 anos.
Antonelli a festejar a primeira vitória italiana em Monza em 60 anos
Mark Sutton - Formula 1
Haverá hipóteses mais realistas para a corrida do México, a 1 de novembro, até porque a Mercedes vive um momento de menor fulgor depois de um início de época avassalador: Verstappen venceu as duas últimas corridas, num Red Bull que parece ter encontrado o ponto, mas já não a tempo de ainda assustar Antonelli. E Russell vem de duas provas desapontantes, com uma desistência e um 9º lugar. Seria necessário um terceiro GP seguido de desilusão para o inglês para o campeonato ficar já entregue.
A incerteza quanto à realização das duas últimas corridas do ano, no Catar e Abu Dhabi, numa região do Médio Oriente em convulsão, pode recortar ainda mais as hipóteses dos rivais de Kimi, ainda que, para já, as duas provas se mantenham no calendário. Mas com ou sem viagem à Península Arábica, o título de Kimi Antonelli é uma glória apenas à espera de acontecer.