Austrália concede asilo a cinco jogadoras do Irão que temiam represálias por não cantar o hino
As jogadoras do Irão não cantaram o hino do país antes do encontro contra a Coreia do Sul
Albert Perez
As futebolistas foram colocadas num refúgio seguro, estando ao abrigo da proteção do governo da Austrália e não regressando ao seu país. A seleção do Irão não cantou o hino nacional antes do jogo contra a Coreia do Sul, na Taça da Ásia, o que levou as jogadores a serem chamadas de "traidoras" na televisão estatal
Quando, na estreia na Taça da Ásia, a seleção do Irão não cantou o hino do país, abriu-se um foco de tensão. O silêncio das jogadoras imitou o que os jogadores da equipa masculina haviam feito na abertura do Mundial 2022, na altura em protesto pela violenta repressão ao protesto de mulheres desencadeado pela morte de Mahsa Amini.
Com o duelo diante da Coreia do Sul a decorrer a 2 de março, pouco depois do ataque dos EUA e e de Israel e da retaliação iraniana, a recusa em entoar o hino foi entendida como uma crítica ao regime de Teerão.
A sensação ganhou contornos de ameaça quando, na televisão pública do Irão, se comentou o episódio: "Deixem-me dizer uma coisa: traidores em tempo de guerra devem sofrer consequências severas. Quem tomar atitudes contra o país deve ser punido", disse o apresentador Mohammad Reza Shahbazi.
Festejos, em novembro, da qualificação do Iraque para o play-off do Mundial 2026
O gesto fez as iranianas ganharem máxima atenção mediática. A viagem até à Austrália, palco da Taça da Ásia, decorrera mesmo antes do ataque ao país. Nos dois restantes desafios que disputaram, contra a Austrália e as Filipinas, as jogadoras cantaram o hino e fizeram uma saudação.
A hipótese de haver represálias no regresso a casa levou a grande agitação diplomática. Donald Trump apelou a que o governo australiano agisse, a FIFA assegurou estar "em contacto" com todas as autoridades do país da Oceânia, uma petição dirigida ao governo de Camberra, solicitando que fosse dado asilo às futebolistas, reuniu 68.500 assinaturas. À saída do estádio, após a participação da equipa na Taça da Ásia que se concluiu com três derrotas em três jogos, ouviram-se emocionados cânticos com palavras de ordem como "salvem as nossas meninas".
Ora, na sequência desse duelo final contra as Filipinas, cinco jogadoras optaram por aceitar a proteção oferecida pelo governo da Austrália. As cinco permanceram no país com o estatuto de asilo político.
As jogadoras iranianas a saudarem o hino nacional do país antes da segunda partida da seleção na Taça Asiática feminina
Albert Perez
Ao contrário das colegas de equipa, as cinco não embarcaram no voo de volta, tendo ido para um refúgio seguro, escoltadas pelas forças de segurança. Donald Trump elogiou a ação do governo australiano, dizendo que esteve em contaco com Anthony Albanase, primeiro-ministro da nação dos antípodas.
"Elas são bem-vindas a ficar na Austrália. Estão seguras e devem sentir-se em casa aqui", disse Tony Burke, ministro da administração interna.
O restante plantel iraniano optou por regressar. "A quem optou por não ficar na Austrália, digo o mesmo: a mesma oportunidade está aqui. A Austrália colocou a equipa de futebol feminino do Irão no seu coração", completou Burke.
A FIFPro, o sindicato internacional de jogadores, revelou que, após a escalada do conflito no Médio Oriente, perdeu o contacto com a seleção.