Sem vistos para entrar no México e rejeitando fazer 25 horas de carro, a seleção do Iraque pede à FIFA que adie o play-off do Mundial 2026
Festejos, em novembro, da qualificação do Iraque para o play-off do Mundial 2026
Anadolu
A equipa asiática deveria disputar, a 31 de março, uma vaga no torneio diante do Suriname ou da Bolívia, em Monterrey. Só que o espaço aéreo iraquiano está fechado, os vistos ainda não foram obtidos e as embaixadas mexicanas na região estão encerradas. A FIFA propôs que a seleção fizesse 25 horas de carro até Istambul para depois seguir para o outro lado do Atlântico, mas o selecionador rejeita essa odisseia
A ofensiva dos Estados Unidos da América e de Israel contra o Irão, seguida pela retaliação iraniana, continua a ter fortes impactos desportivos. Entre competições que já foram canceladas ou adiadas, uma das maiores incógnitas reside no Mundial 2026.
Ninguém arrisca antever se o Irão competirá, ou não, nos Estados Unidos, onde tem desafios marcados para Los Angeles (contra Nova Zelândia e Bélgica) e Seatlle, perante o Egito. Não obstante, previamente à fase final, o fim da qualificação também se rodeia de incertezas.
Em teoria, a seleção do Iraque aguarda pelo vencedor do confronto entre o Suriname e a Bolívia para, a 31 de março, realizar a final do play-off intercontinental. Esse jogo, em Monterrey, no México, valeria um dos últimos bilhetes para o Mundial 2026, em que participarão 48 conjuntos. Mas a prática é bem mais complexa.
O brasileiro Ian Gentil numa onda do Surf Abu Dhabi, em fevereiro de 2025, quando o circuito mundial parou na piscina de ondas artificiais dos Emirados Árabes Unidos
O espaço aéreo iraquiano está fechado desde 28 de fevereiro, sem data certa para a reabertura. Como a maior parte da seleção atua na liga local, deslocar a equipa para o México é um problema óbvio.
Perante esta situação, a FIFA, segundo o Guardian, propôs que o Iraque fizesse uma viagem de carro de 25 horas, com o intuito de chegar, por essa via terrestre, a Istambul. Da Turquia a equipa iria, então, voar para o México.
Os iraquianos rejeitaram a ideia da FIFA. Também não foi aceite uma sugestão para compor uma equipa somente com futebolistas que militem no estrangeiro. "Não seria a nossa melhor equipa e precisamos da nossa melhor equipa para o jogo mais importante do país em 40 anos", disse Graham Arnold, australiano que orienta a equipa que não vai a um Mundial desde 1986.
Graham Arnold, selecionador do Iraque
Anadolu
Como se fosse pouco, os vistos também são um problema. Parte da comitiva da seleção ainda não conseguiu autorização de entrada no México. Para preparar o play-off, estava agendado um período de treinos em Houston, nos Estados Unidos, e a ausência de vistos também já levou a cancelar esse estágio. O tema é agravado pelo facto de não haver embaixada mexicana em Bagdade e pelas representações diplomáticas no Catar e nos Emirados Árabes Unidos estarem encerradas devido ao conflito.
Tendo em conta este cenário, o seleacionador, que está retido no Dubai, apelou ao adiamento do play-off: "Por favor, ajudem-nos com este jogo, porque estamos a ter dificuldades em tirar os nossos jogadores do Iraque", disse Arnold, que pediu uma solução "rápida".
O Iraque propõe que o Suriname e a Bolívia disputem já o seu compromisso, adiando a decisão do play-off para a semana antes do arranque do Mundial. Desta forma, consideram os iraquianos, seria possível avaliar de forma mais previsível a presença do Irão no torneio.
Caso os iranianos não participem na competição que terá lugar no México, Canadá e Estados Unidos, uma das possibilidades seria a repescagem do Iraque, com base na qualificação das eliminatórias asiáticas. O Mundial 2026 tem pontapé de saída agendado para 11 de junho.