Futebol internacional

Um olá aos quatro defesas, um até já aos três centrais, um recurso aos seis defesas e o Manchester United lá ganhou

Amorim celebra a vitória contra o Newcastle
Amorim celebra a vitória contra o Newcastle
Ash Donelon

Os red devils contornaram as ausências e derrotaram (1-0) o Newcastle. Amorim fugiu do habitual e não utilizou três centrais, porque sentiu que só mexendo conseguiria "criar perigo", e na segunda parte foi o momento de "sofrer" em conjunto

Um olá aos quatro defesas, um até já aos três centrais, um recurso aos seis defesas e o Manchester United lá ganhou

Pedro Barata

Jornalista

"Não sofremos golos, usámos quatro defesas, o Mainoo está lesionado. Não preciso de conferência de imprensa, todos os temas estão tratados. Podemos ir para casa desfrutar do Boxing Day."

Ruben Amorim utiliza o humor para dizer com um sorriso coisas sérias, quase como escudo protetor. Foi isso que fez após o apito final do Manchester United 1-0 Newcastle, na única amostra de futebol de Premier League no que costumava ser o dia mais especial do futebol inglês.

Vencido o desafio, o treinador tentou resumir, na entrevista rápida à televisão com direitos, todos os tópicos que foram resolvido na noite seguinte ao dia de Natal: a sua equipa não sofreu golos, quebrando uma série de 10 jogos seguidos sempre a encaixar; Mainoo, menino querido da imprensa que não é tão querido para Amorim e é constante motivo de perguntas, está lesionado e por isso a sua ausência não é tema; e, finalmente, quatro defesas.

Ruben Amorim não terá enterrado a sua querida linha de três centrais. Foi ainda no Casa Pia que a estrutura se tornou quase extensão do treinador, acompanhando-o, omnipresente, ao longo de 13 partidas no SC Braga, 231 no Sporting e 60 no United, com algumas nuances e ajustes. Até à 18.ª ronda da Premier League.

O belo golo de Dorgu contra o Newcastle
Martin Rickett - PA Images

Amorim já avançara a possibilidade de um até já à sua estrutura-assinatura na antevisão ao jogo. Cheio de ausências — De Ligt, Maguire, Mainoo e Bruno Fernandes lesionados, Diallo, Mbeumo e Mazraoui na CAN —, Ruben decidiu mexer.

"Senti que era a única forma de criar perigo, tendo quatro atrás e muita gente por dentro. Tentámos ajudar os jogadores", explicou o treinador português. Lisandro Martínez, plenamente de volta após lesão grave e em modo líder, fez dupla no eixo da defesa com Heaven, o jovem de 19 anos que é das melhores notícias dos red devils na época. Dalot e Shaw foram os laterais, com Ugarte e Casemiro à frente do quarteto.

Mount atuou atrás de Šeško — nova exibição imprecisa, novo encontro sem marcar para o atacante que custou €76,5 milhões e só tem dois golos —, Cunha partiu da esquerda para deambular e, na direita, a maior transformação posicional.

Dorgu, quase sempre um ala-esquerdo, foi extremo pela direita. O dinamarquês, que muitas vezes tem sido criticado em Inglaterra, particularmente pela dificuldade em contribuir ofensivamente quando recebe no pé, teve mais campo para correr, mais liberdade, e decidiu a noite com um grande remate de pé esquerdo.

A primeira parte trouxe alguma fluidez ofensiva, traços de alegria para um coletivo que, perante as muitas ausências, poderia sentir-se limitado. Amorim reconheceu que, para adaptar a equipa, pesaram as duras experiências da época passada, quando o United foi derrotado em ambos os jogos pelos magpies por um saldo total de 6-1.

O sofrimento e os seis defesas

Após uma primeira parte em que criou algum perigo, o United encolheu-se. Foi assumindo que seriam os visitantes com a iniciativa, numa história bem contada pelos números.

A equipa de Manchester teve apenas 24% de posse no segundo tempo, parte em que houve três remates para os locais e 13 para os visitantes, zero cantos para uns e seis para outros, 2-31 em toques na área adversária.

O United ficou sem sofrer golos pela primeira vez em 10 jogos
Martin Rickett - PA Images

"Defendemo-nos na segunda parte, às vezes com uma linha de seis", admitiu Amorim. Após o até já aos três centrais e o olá aos quatro defesas, houve ainda uma experiência com meia-dúzia atrás.

Passada a hora de jogo, ao colocar Yoro, o United adotou uma estrutura de veículo pesado de mercadorias. Havia os quatro defesas, mais Dalot e Dorgu, alas que eram praticamente os laterais, fazendo linha de seis atrás.

À frente do sexteto havia Ugarte e Jack Fletcher, jovem que entrou ao intervalo para colmatar mais um problema físico, agora de Mount. Fletcher é filho de Darren, que realizou 342 encontros e ganhou 16 títulos pelo United. O outro irmão, Tyler, também estava no banco.

Com o recurso à linha de seis, assumiu-se que a ordem era resistir. "Sofremos juntos na segunda parte, metemos tudo em campo. Metemos o corpo em frente à baliza, demos tudo", comentou Amorim.

Para o futuro que se pretenderá construir, será preciso algo mais, mas em Old Trafford ganhar no dia a dia continua a ser a prioridade, o caminho para navegar entre a vida instável. Há três encontros que o United não triunfava em casa e obter os três pontos era, mesmo, fundamental.

"Houve jogos em que controlámos melhor o adversário e sofremos golos. Foi uma boa vitória, houve ocasiões em que jogámos muito bem e não conseguimos os três pontos. Hoje foi o oposto. Conseguimos ganhar", disse Ruben.

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