Com Geny Catamo em destaque, Moçambique ganha um jogo na CAN pela primeira vez na história
Chiquinho Conde, selecionador e figura fundamental do futebol de Moçambique
NurPhoto
À sexta participação, o primeiro triunfo: os Mambas derrotaram (3-2) o Gabão, podendo agora sonhar com os oitavos de final. Geny, com um golo e uma assistência, foi fundamental para um dia histórico no futebol moçambicano
Em 1986, Moçambique participou na CAN pela primeira vez. Em 1996, chegaram o primeiro ponto e o primeiro golo para os Mambas. 2023 viu chegar a melhor prestação até ao momento, com dois pontos e tantos golos marcados (4) como em todas as edições anteriores.
Eis que, em 2025, Moçambique eleva a fasquia. À sexta CAN, e ao 17.º desafio, a seleção venceu, pela primeira vez, na fase final da grande competição continental.
A vítima foi um Gabão, num 3-2 em Agadir. Na sequência da derrota, por 1-0, contra a Costa do Marfim, os campeões em título, na ronda inaugural, os homens de Chiquinho Conde realizaram uma excelente exibição, com um sofrimento final que até poderia ter sido evitado.
Ao terminar, os braços de Chiquinho Conde, elevados aos céus, mostravam a emoção pelo feito. É mais um pedaço de glória para o homem que personifica boa parte da história dos Mambas, presente em cinco das seis fases finais do país: 1986, 1996 e 1998 enquanto futebolista, 2023 e 2025 sentado no banco. E o líder do triunfo de estreia.
Moçambique, equipa organizada, fez um primeiro tempo de alto nível. Ao intervalo estava 2-1, mas a sensação era que poderia estar 3 ou 4-0.
Para a história ficará, uma vez mais, a preponderância de Geny Catamo, claramente o mais decisivo futebolista deste coletivo. O canhoto do Sporting assistiu Faisal Bangal para o 1-0, apontando um canto, antes de apontar o 2-0 de penálti.
Perto do intervalo, Witi, num grande remate à barra, roçou o 3-0, antes de chegar o sofrimento. Pierre-Emerick Aubameyang, um dos grandes goleadores da última década do futebol internaciona, festejou pela 404.ª vez na carreira, levando o marcador em 2-1 para o segundo tempo.
No recomeço, os ataques rápidos de Moçambique voltaram a ferir o Gabão. Witi, com um cruzamento que pareceu voar de Agadir até Maputo, colocou a bola na cabeça de Diogo Calila, um golo made in futebol insular, do Nacional para o Santa Clara.
Mas os Mambas teriam de sofrer. Moucketou-Moussounda apontou o 3-2. Geny esteve sempre ativo, ameaçando terminar com o sobressalto, mas o triunfo seria mesmo pela margem mínima, apoiado também na segurança do guardião Ernan Siluane.
Com três pontos e um saldo de três golos marcados e três sofridos, Moçambique, que na última jornada do grupo F defrontará os Camarões, sonha com uns inéditos oitavos de final. Seria mais um pedaço de inédito para Chiquinho Conde e seus rapazes.