Futebol internacional

“Alguém precisa de manter as pontes abertas”: presidente da FIFA defende fim da suspensão das equipas russas

Infantino segura o troféu do Mundial
Infantino segura o troféu do Mundial
Alex Wong

Infantino defende que a ausência das seleções e clubes da Rússia do palco internacional “não atingiu nada”, criando somente “mais frustração e ódio”. O líder da FIFA rejeitou as ideias de boicote ao Mundial 2026 e voltou a defender Trump que, diz, tem sido “fundamental para resolver conflitos e salvar milhares de vidas”

“Alguém precisa de manter as pontes abertas”: presidente da FIFA defende fim da suspensão das equipas russas

Pedro Barata

Jornalista

Desde que, em 2022, a Rússia foi colocada de parte das principais competições internacionais de futebol, esta é a mais contundente declaração de Gianni Infantino contra essa suspensão. O presidente da FIFA costuma ter alergia a entrevistas, mas concedeu uma exceção à Sky News para, quando a exclusão está quase a fazer quatro anos, apelar ao fim do ostracismo russo na modalidade mais popular do planeta.

O suíço, que afirma ter uma posição de partida contrária a suspensões, entende ser, "sem dúvida", o momento de devolver os clubes e seleções da Rússia às provas europeias e mundiais: "A suspensão não atingiu nada, apenas criou mais frustração e ódio", defende Infantino.

Importa recordar que a ausência das equipas russas não se deveu a uma posição de princípio tomada pela FIFA e pela UEFA na sequência da invasão em larga escala à Ucrânia, realizada a 24 de fevereiro de 2022. Na verdade, foi a reação de vários adversários da Rússia que forçou as entidades a atuar.

Assim, horas depois da invasão, a Polónia, que deveria disputar contra a seleção russa o play-off de qualificação para o Mundial 2022, recusou-se a participar nesse encontro. A Suécia e a Chéquia defrontariam os russos caso estes batessem os polacos, mas também garantiram que não entrariam em campo. Foram estas atitudes que obrigaram a FIFA e a UEFA a agir.

Quatro anos passados, a porta é reaberta pelo líder máximo da entidade mais importante. "Nunca deveríamos banir um país por causa das ações dos seus líderes políticos", argumenta Infantino, ao considerar que "alguém precisa de manter as pontes abertas" com a Rússia.

Infantino teve, até à suspensão de 2022, uma excelente relação com Vladimir Putin. O presidente russo atribuiu ao líder da FIFA a "ordem da amizade" em 2019, numa cerimónia no Kremlin, na sequência da cooperação que levou ao Mundial 2018.

As ideias de Infantino não caíram com agrado em Kiev. Matvii Bidny, ministro do desporto da Ucrânia, classificou as palavras como sendo "de uma grande irresponsabilidade": "Retiram o futebol de uma realidade em que crianças estão a ser mortas. Deixem-me relembrar que, desde que a Rússia iniciou esta vaga de violência em grande escala, mais de 650 atletas e treinadores foram mortos por russos. Entre eles, estavam mais de 100 futebolistas", disse o governante.

A defesa de Trump

Outro tema da entrevista foi Donald Trump e o Mundial 2026. Perante a atuação do inquilino da Casa Branca, nomeadamente a pressão sobre a Gronelândia ou as ações do ICE, Infantino foi questionado sobre o prémio que a FIFA deu ao presidente dos Estados Unidos, aquando do sorteio para o Mundial.

Sem surpresa, o suíço defendeu Trump, a quem atribuiu a edição inaugural do troféu da Paz da FIFA: "Se consegues salvar vidas, proteger o teu povo e outros povos em torno do mundo, mereces respeito", sublinhou Infantino, que descreveu Trump como "fundamental para resolver conflitos e salvar milhares de vidas".

Os apelos de boicote ao Mundial 2026 também não convencem Infantino. "Se não me engano, o mais importante parceiro comercial do Reino Unido são os Estados Unidos. Está alguém a propor que o Reino Unido deixe de fazer negócios com os Estados Unidos? Nunca ouvi que devesse haver um boicote comercial ou um cortar de relações diplomáticas e políticas. Porquê no futebol?", questionou.

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