“Quem é melhor, ele ou o Pelé?“: Messi foi à Casa Branca, mas Trump pareceu mais interessado em falar sobre o Irão e Cuba
Messi a olhar para Trump, que segura num dos presentes que o Inter Miami ofereceu ao presidente
Win McNamee
Meses depois de Cristiano Ronaldo, agora foi o outro ícone do futebol do século XXI a visitar o presidente dos Estados Unidos, com a justificação do triunfo do Inter Miami na MLS. Entre referências vagas ao soccer, Donald Trump falou largos minutos sobre ofensivas militares com os jogadores, calados, atrás de si
Sempre que o tema é futebol, Donald Trump vai buscar a mesma referência. Longe de ser um adepto da modalidade, o presidente dos Estados Unidos recorre, provavelmente, ao seu único contacto com o jogo até chegar à Casa Branca: o Cosmos de Pelé, quando a lenda brasileira liderou a experiência que, nos anos 70, também levou Franz Beckenbauer até Nova Iorque.
“Não deveria dizer isto, porque sou velho, mas vi o Pelé jogar. Não sei, talvez sejas melhor do que Pelé. O Pelé era bastante bom“, atirou Trump na Casa Branca. O destinatário das frases era Lionel Messi, que liderou a comitiva do Inter Miami que visitou a residência oficial do presidente, meses depois de terem vencido a MLS.
“Quem é melhor, ele ou o Pelé?“, perguntou Trump ao restante plantel do Inter Miami. Na verdade, a interação com Messi foi uma exceção numa receção em que a política internacional teve o papel principal.
Trump segura uma camisola dos Inter Miami, juntamente com Jorge Mas, um dos donos do clube, e ao lado de Messi
Win McNamee
O discurso de Trump já tinha quase 10 minutos de vida - 9 minutos e 43 segundos, precisamente - quando foi feita a primeira referência ao futebol. Até lá, com o plantel do Inter Miami atrás de si, com Messi a um lado e Jorge Mas, co-dono do clube, a outro, houve uma sucessão de dissertações sobre a geopolítica do presente.
Trump falou sobre como os EUA, em conjunto com os “formidáveis“ parceiros de Israel, estão a “demolir“ o inimigo do Irão, encontrando-se “muito à frente do calendário“ e realizando “o que ninguém julgava ser possível“. Foi feito um apelo às forças da resistência iraniana, pedindo-lhes que pousem as armas, caso contrário “serão todos mortos“.
A cena soou ao que se assistira durante o Mundial de Clubes, no verão passado. Na altura, aquando de uma visita da Juventus, Trump discutiu, com vários jogadores da vecchia signora em segundo plano, sobre a hipótese de bombardear o Irão. A possibilidade virou realidade, debatida com outros futebolistas na audência.
Donald Trump, presidente dos EUA, com o troféu do Mundial em dezembro, durante a cerimónia de sorteio da fase de grupos do torneio, que aconteceu em Washington
Entre os espetadores estavam o venezuelano Telasco Segovia, ex-Casa Pia, vindo de um país cujo presidente foi capturado em janeiro pelos Estados Unidos. Encontrava-se, também, o lateral Sergio Reguilón, espanhol, país a quem Trump chamou, esta semana, de “perdedor“, irritado pelas posições de Pedro Sánchez quanto às operações no Irão.
Depois da situação no Médio Oriente, Trump falou ainda sobre Cuba, apontando para uma possível intervenção no futuro próximo. Foi aí que interagiu com Jorge Mas, um dos donos do Inter Miami, cujo pai, opositor de Fidel Castro, emigrou para os EUA. “Vais voltar [para Cuba]“ disse Trump a Mas. “Será um grande dia. Será preciso esperar só umas semanas“, prometeu o inquilino da Casa Branca.
Na plateia estava Marco Rubio, o secretário de estado, também filho de cubanos. Ausente esteve David Bechkam, outro dos donos do clube, por se encontrar na Europa a assistir a um desfile da linha de moda da sua mulher, Victoria.
Trump fala com a equipa do Inter Miami na Sala Oval
Anadolu
Meses depois de Cristiano Ronaldo, Messi completou o leque de grandes ícones do futebol recebidos por Trump, mesmo antes do Mundial 2026. O argentino fora convidado, em janeiro de 2025, por Joe Biden para receber a medalha presidencial da liberdade, mas faltou por motivos de agenda.
Tendo, assumidamente, um fraco domínio do inglês, Lionel Messi foi sorrindo, no seu jeito pouco expressivo, por vezes até vazio e ausente, enquanto Trump ia dissertando. O campeão do mundo não tomou a palavra.
Entre as divagações do presidente, que chegaram ao basebol e à perda de influência da liga da modalidade no país, Trump lembrou o conhecido gosto do filho pelo soccer: “O meu filho perguntou-me: ‘Pai, sabes quem vai aí hoje?‘. Eu disse-lhe que não, porque havia muita coisa a acontecer. Ele gritou: 'Messi!'. É um grande fã teu. Também é um grande fã de um gentleman chamado Ronaldo. O Cristiano é incrível. Tu és incrível“, elogiou Trump.
Leo, que está nos EUA desde 2023 e recentemente renovou até 2028, deu ao presidente dos EUA uma bola decorada para a ocasião. Trump, que também recebeu um relógio e uma camisola, espantou-se com a beleza dos seus convidados: “São todos bonitos“, exclamou, antes de fazer questão de frisar: “Eu não gosto de homens bonitos.“