Futebol internacional

Aurelio De Laurentiis, dono do Nápoles, tem ideias radicais para o futebol: partes de 25 minutos e nada de cartões são algumas delas

Aurelio De Laurentiis comprou o Nápoles em 2004, quando o clube estava em plena crise, levando-o a dois títulos na Serie A
Aurelio De Laurentiis comprou o Nápoles em 2004, quando o clube estava em plena crise, levando-o a dois títulos na Serie A
NurPhoto

O mítico proprietário do atual campeão italiano acha que o futebol “está a perder a geração mais nova” e que por isso é preciso mudar as regras, com jogos mais curtos, sem intervalo de 15 minutos, com uma Serie A com menos equipas

Aurelio De Laurentiis é um homem do cinema e isso nota-se: é polémico, dramático, sem grandes amarras. O futebol apareceu-lhe depois da sétima arte, depois de se ter tornado num importante produtor cinematográfico.

E até com o Nápoles parece ter feito coisa de cinema: comprou o clube em 2004 quando este estava falido, na terceira divisão, bem longe dos tempos de glória com Diego Armando Maradona, que valeram títulos em 1987 e 1990 à equipa do sul de Itália, roubando um protagonismo que antes estava unicamente nos clubes do rico Norte. Com Di Laurentiis, o clube voltou à primeira divisão, voltou a ser atrativo para alguns dos maiores talentos e voltou a intrometer-se no domínio de Milão e Turim. Foi campeão em 2022/23 e na última temporada.

Talvez alavancado por este sucesso, Aurelio De Laurentiis não tem medo das ideias radicais que tem para o futuro do futebol. Nos últimos dias, concedeu entrevistas ao canal CBS e também ao portal The Athletic e deixou algumas delas, que virariam o jogo de pernas para o ar.

“O futebol está a perder a geração mais nova”, avisa De Laurentiis numa longa conversa com Adam Crafton, do Athletic. Se mandasse no mundo, o dirigente italiano garante que reduziria o tempo de jogo “de 45 minutos em cada parte para 25 minutos”. Nesses 50 minutos o cronómetro seria travado a cada paragem, não havendo lugar a descontos de tempo.

De Laurentiis também acredita que 15 minutos de intervalo entre as partes é demasiado. “Acha que o meu neto de seis anos, que sabe tudo sobre futebol por causa da PlayStation, acha que ele não vai fugir? Acha que vai voltar depois desses 15 minutos? Nunca. Porque ele vai meter-se no quarto a jogar FIFA”, descreve, de forma algo folclórica, o líder do Nápoles.

Para De Laurentiis, o jogo também não precisa de cartões, mas de punições mais duras e com efeito imediato: em vez de um cartão amarelo, o jogador sairia de campo durante cinco minutos. E para substituir os cartões vermelhos, as ações mais graves seriam punidas com 20 minutos fora do jogo. Golos anulados “por apenas alguns milímetros” seriam também peça de museu nas novas leis do jogo redigidas pelo colorido produtor italiano: “O fora de jogo tem de ser mudado. E muito”.

Outra ideia radical defendida por De Laurentiis passa por impedir que equipas vindas de aglomerados habitacionais pequenos possam jogar numa 1ª divisão. “Não podes ter uma equipa de uma terra com 50 mil habitantes”, aponta, justificando com a suposta falta de audiências televisivas dos jogos dessas equipas.

Ligada a esta lógica ou não está mais uma proposta: a Serie A italiana deve ter menos equipas, cortar de 20 para 16.

Dias antes, à CBS, De Laurentiis foi, como habitualmente, muito crítico com as maiores instituições do futebol, acusando UEFA e FIFA de ganharem “demasiado dinheiro, quando os lucros deveriam reverter para os clubes e não para as federações”. Defendeu ainda uma redução de jogos em cada temporada e que os jogadores sejam pagos pelas confederações quando estão ao serviço das seleções nacionais: “Se querem os nossos jogadores, têm de lhes pagar. Se o salário anual é de 10 milhões, se eles têm os jogadores durante um mês, têm de me dar um milhão.”

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