Futebol internacional

Em plena novela Mourinho, Florentino Pérez anuncia eleições antecipadas no Real Madrid. E fala de uma “campanha anti-madridista”

Presidente do Real Madrid de forma consecutiva desde 2009, Florentino afastou o cenário de demissão em plena crise do clube
Presidente do Real Madrid de forma consecutiva desde 2009, Florentino afastou o cenário de demissão em plena crise do clube
Juanjo Martin

Foi uma hora num loop algo bizarro de críticas a rivais e principalmente aos jornalistas. Sem tocar na parte desportiva, e ficando por isso em silêncio sobre Mourinho, Florentino Pérez disparou para todos os lados e diz que volta a candidatar-se às eleições para defender os interesses dos sócios do Real Madrid

Uma cadeira, uma garrafa de água e um microfone. E uma rara aparição. Não é comum Florentino Pérez falar aos jornalistas e fê-lo não para se demitir, em plena crise desportiva e no próprio seio da equipa, com enfrentamentos entre jogadores a cada semana, mas para anunciar que vai convocar eleições antecipadas, às quais se vai apresentar para um novo mandato, que será o sexto consecutivo caso seja novamente eleito.

“Muito obrigada a todos por estarem aqui. Lamento dizer-vos que não me vou demitir. Vou convocar eleições”, atirou, de forma desafiadora. Era um prenúncio do que aí vinha.

A notícia, pura e dura, acabaria aqui. A data das eleições será conhecida, diz o líder, daqui a duas semanas. Mas a conferência de imprensa, na cidade desportiva de Valdebebas, tomou rapidamente um caminho quase bélico entre o presidente do Real Madrid e a imprensa que, de acordo, com o presidente do clube, está a criar “uma situação absurda contra o Real Madrid”, uma “confabulação” e “campanha anti-madridista” e contra ele próprio, algo que não compreende pelo “prestígio” que o clube tem.

“Aproveitam esta situação para me atacar. Alguns dizem que estou doente, que tenho um cancro terminal. A minha saúde está perfeita”, começou por dizer, antes de apontar o dedo diretamente ao jornal “ABC”, que horas antes havia falado de um suposto “cansaço” de Pérez, artigo ao qual o presidente merengue voltou ciclicamente ao longo da conferência de uma hora, entrando mesmo num duro bate-boca com o jornalista da publicação ali presente. “O único objetivo do 'ABC' é meter-se com o Real Madrid e com o seu presidente”, continuou, anunciando mesmo, de forma algo bizarra, que ia deixar de subscrever o jornal, com observações machistas à mistura.

Florentino garante que “há uma campanha na sombra e convidou todos os críticos a apresentarem-se às eleições. Eu vou candidatar-me para defender os interesses dos sócios do Real Madrid. Há setores que querem mandar no Real Madrid, mas que não conseguiram. No Real Madrid não mandam os jornalistas, que acreditam que têm papel nas decisões do clube porque são importantes, mas não é assim. Aqui mandam os sócios”, sublinhou.

Mourinho e confrontos

Sobre treinadores não falou, numa altura em que o possível regresso de José Mourinho parece estar em cima da mesa: “Não estamos nesse momento. Estamos no momento de tratar que o Real Madrid continue a pertencer aos sócios, há quem o queira tirar aos sócios e quero discutir com essas pessoas. Eles que se apresentem às eleições. Tenho de acabar com esta campanha absurda contra o Real Madrid. Nunca houve um Real Madrid mais glorioso do que agora, fui eleito o melhor presidente da história do clube e de todos os clubes, dá-me até vergonha dizer isso”.

Tão-pouco falou de jogadores. Relativizou os confrontos entre Álvaro Carreras e Rudiger e entre Tchouamení e Valverde, “coisas de jovens”, aponta, e que têm acontecido “todos os anos”. O pior para Florentino é que estes casos “tenham sido filtrados para a imprensa”. O loop de críticas à imprensa e aos seus aparentes rivais é que não parou, com direito a puxar o lustro aos seus galões.

“Sou presidente de uma empresa muito importante no mundo, que fatura 50 mil milhões de euros por ano e que tem 170 mil trabalhadores. Se estou cansado é porque trabalho muito. Se querem que me vá embora, eu vou embora quando vier alguém e me ganhe nas eleições”, vociferou.

Pérez, que foi eleito pela primeira vez presidente do Real Madrid em 2000, demitindo-se em 2006 antes de voltar à liderança do clube em 2009, até hoje, não deixou também de criticar as arbitragens que, diz, tiraram “18 pontos ao clube esta temporada”. O clube não ganhou qualquer título esta época, mas Florentino fez questão de relembrar que, com ele, o Real ganhou sete Ligas dos Campeões e sete ligas espanholas. “Podiam ser 14, mas roubaram-mas”, atirou, numa conferência em que chamou ao Caso Negreira, que envolve supostos pagamentos do Barcelona a um antigo árbitro, José Maria Negreira, por serviços de consultadoria “o maior escândalo de corrupção do futebol”.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: lpgomes@expresso.impresa.pt