Futebol internacional

O Manchester City não gostou que Haaland seja promessa eleitoral e pensa agir legalmente contra candidato à presidência do Real Madrid

Haaland a cumprimentar Mbappé esta época, quando o Manchester City e o Real Madrid se defrontaram na Liga dos Campeões
Haaland a cumprimentar Mbappé esta época, quando o Manchester City e o Real Madrid se defrontaram na Liga dos Campeões
NurPhoto

Enrique Riquelme, adversário de Florentino Pérez nas eleições do Real Madrid, assegurou que, se for presidente, Erling Haaland será reforço dos merengues. O Manchester City e os representantes do avançado negaram a possibilidade e a confusão pode não ficar por aqui. O clube inglês pondera uma “ação legal” devido ao uso “da imagem do jogador neste contexto”

É possível que a distância temporal modifique perspetivas que, no passado, se achavam mais drásticas. Nos tempos em que vivemos, €62 milhões são uma frivolidade no futebol. Mais impactante era que tamanho valor fosse pago por um jogador em 2000, quando o mercado era mais contido nos montantes gastos na contratação de futebolistas.

De modo a salvaguardar a palavra, Florentino Pérez não teve pudor em realizar a mais cara transferência da história do futebol até àquela altura. Chamada a atenção da imprensa, colocou-se atrás de uma muralha de microfones. Espreitando por cima das bolas de vento, fez o compromisso de contratar Luís Figo se ganhasse as eleições no Real Madrid.

O trunfo eleitoral resultou. O dirigente venceu e subiu pela primeira vez ao poder dos merengues. O Real Madrid avançou então para a contratação do português, pagando a cláusula de rescisão do melhor jogador do mundo desse ano. Figo tornou-se o galático número um do Real Madrid e um pesetero para os adeptos do Barcelona. A troca despertou o ódio dos adeptos catalães que se puseram a queimar a camisolas do antigo número sete e que também lhe atiraram uma cabeça de porco quando visitou o Camp Nou pela primeira vez como visitante.

O sucesso da estratégia amplamente repetida está agora a ser usada contra Florentino Pérez. O Real Madrid vai a votos no domingo, 7 de junho, e Enrique Riquelme surgiu como opositor. Neste caso, a tática de prometer a contratação de jogadores não parece desatualizada, ao contrário do preço que terá de ser pago para adquirir uma superestrela.

Riquelme apareceu em horário nobre, no programa “El Hormiguero”, a garantir aos sócios que Erling Haaland será reforço do Real Madrid se o empresário for eleito. Como lembrança da notícia ali lançada, o apresentador do talk show, Pablo Motos, levou para casa a nova camisola do Real Madrid personalizada com o nome do norueguês.

Florentino Pérez estava pronto para ripostar. Após as imagens que resumiram o episódio, o espaço publicitário da Antena 3 foi ocupado pela sua campanha. “Queridos sócios, esta mensagem interessava-vos”, dizia o anúncio em que José Mourinho apareceu vestido com a camisola do Real Madrid, imagem alegadamente gerada por inteligência artificial. Tal como vinha sendo divulgado nas redes sociais durante a emissão do programa em que Enrique Riquelme participou, o Special One vai regressar à capital espanhola caso Florentino se superiorize no sufrágio.

A loquaz promessa de Enrique Riquelme, que também mencionou a possível aquisição de Rodri, outro jogador do Manchester City, foi desmentida pelo clube inglês. Os cityzens afirmaram que “não há hipótese” de Haaland rumar a Madrid. Ao contrário do que o candidato alegou, “não há cláusula contratual” que permita uma desvinculação precoce. O clube pondera ainda uma “ação legal” devido ao uso “da imagem do jogador neste contexto”.

Da parte dos representantes do avançado, o pai Alfie Haaland e a agente Rafaela Pimenta, o rumor também foi desvalorizado. “Tudo muito divertido, mas não é verdade.”

Caso consiga destronar Florentino Pérez, Enrique Riquelme terá de encontrar forma de dar a volta à situação. Além de aliciar os sócios com a contratação de Erling Haaland, assegurou que vai pagar as quotas da próxima época aos 100.000 eleitores se aquilo que proclamou não se concretizar.

As técnicas de sedução ancestrais vão sendo ressuscitadas. José Mourinho chegou ao Benfica, em setembro de 2025, num clima de eleições e muitos consideraram ser uma cartada de Rui Costa para se manter à frente do clube. Na apresentação, foi garantido que o acordo permitia agilidade no processo de substituição do treinador num cenário de mudança de direção. O técnico volta agora a estar envolvido numa guerra retórica que gera impasse nos encarnados, precavidos com a iminente chegada de Marco Silva.

Porém, táticas como esta não são um produto ibérico. Luis Suárez, avançado do Sporting, terá chegado a um entendimento com Hakan Safi para reforçar o Fenerbahçe, assim este se torne presidente do clube turco. É o eleitoralismo a agitar o mercado.

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