Futebol internacional

A convulsão na seleção italiana, tanto dentro como fora do relvado, tem finalmente uma decisão: Mancini volta ao cargo de selecionador

Roberto Mancini está de regresso ao banco da seleção italiana
Roberto Mancini está de regresso ao banco da seleção italiana
Masashi Hara

Andrea Pirlo esteve quase contratado, mas a ligação do antigo médio a uma casa de apostas russa fez cair o acordo. E levou à demissão de Paolo Maldini do cargo de diretor técnico. Após dias de caos, a federação italiana escolheu finalmente o sucessor de Gattuso: será Roberto Mancini, que levou Itália em título europeu em 2021

Falou-se em Pep Guardiola, também em Carlo Ancelotti. Seriam dois nomes fortes para dar início a uma reconstrução mais do que necessária no futebol italiano que, pela terceira vez consecutiva, falhou a presença no Campeonato do Mundo.

Mas, tal como nos relvados, nos gabinetes da federação italiana também se vive em convulsão. Foram dias de reviravoltas, nomes aventados, outros vetados. Até que se acordou num regresso: Roberto Mancini foi esta terça-feira apresentado como o novo selecionador italiano, mas não sem peripécias em todo o processo.

Não veio então Ancelotti, que continuará, ao que tudo indica, como selecionador do Brasil. Pep Guardiola terá tido uma proposta milionária da FIGC, a federação transalpina, mas optou por continuar no seu período sabático, de descanso e de apoio à família, de resto, os motivos que o levaram a deixar o Manchester City no final da época passada.

E, então, a FIGC, agora liderada por Giovanni Malagò, depois da saída de Gabriele Gravina após o escândalo da eliminação nos play-offs às mãos da Bósnia, voltou a olhar para dentro. Chegados há apenas 10 dias à estrutura, Paolo Maldini, novo diretor técnico, e o brasileiro Leonardo, conselheiro da federação, não perderam tempo após a recusa de Guardiola e olharam para Andrea Pirlo.

O processo para contratar o antigo campeão mundial enquanto jogador, em 2006, estava em andamento. Até que tudo parou. E mais do que as poucas provas dadas por Pirlo enquanto treinador (não conseguiu ser campeão na Juventus e passou sem sucesso pela Sampdoria e pelo futebol turco, antes de aterrar no Dubai), foi uma questão de credibilidade que fez Malagò recuar.

A ligação russa

A ligação de Pirlo à Fonbet, uma casa de apostas russa, terá sido a razão principal para que Malagò rasgasse o acordo. À imprensa italiana, o líder da FIGC assumiu “a responsabilidade” por ter parado o processo: “Tínhamos um acordo com Pirlo, mas passei a não aprovar esta opção”.

Nas suas páginas das redes sociais, Andrea Pirlo explicou que a colaboração com a Fonbet nasceu no âmbito do seu “percurso de trabalho nos Emirados Árabes Unidos”, onde treina o Dubai United, e é “exclusivamente de natureza comercial e desportiva”. Pirlo negou ainda que o contrato com a casa de apostas russa tem “um significado político”.

A recusa de Malagò fez ruir o edifício da nova estrutura: Paolo Maldini e Leonardo demitiram-se dos cargos que desempenhavam nem há duas semanas. Na segunda-feira, a “Gazzetta dello Sport” falou das hipóteses Thiago Motta e Antonio Conte, mas a escolha recairia em dois velhos conhecidos do futebol italiano.

Roberto Mancini volta assim ao cargo de selecionador nacional italiano, ele que é o responsável pelo único raio de sol em anos e anos de insucessos: em 2021, no Euro 2020, levou a Itália ao título europeu. Por outro lado, foi também com Mancini que a Itália falhou o apuramento para o Mundial 2022. O antigo avançado ainda continuou no cargo, mas apresentaria a demissão em 2023, inesperadamente, depois do 3º lugar na Liga das Nações. Seguiu-se uma passagem com pouca história pela seleção da Arábia Saudita e pelo Al-Sadd, onde foi campeão do Catar. Agora, sucede a Gennaro Gattuso.

“O tempo apertava e eu considerei que a pessoa que devia ser selecionador da seleção italiana era o Roberto Mancini, por uma série de motivos dos quais assumo a responsabilidade”, sublinhou Giovanni Malagò, que na mesma conferência apresentou o veterano Claudio Ranieri para o cargo antes ocupado por Paolo Maldini.

Com 74 anos, Ranieri vai ser o responsável técnico da federação e também supervisionar todos os escalões das seleções transalpinas.

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