Futebol internacional

Zinedine Zidane e França, um matrimónio retomado para levar as estrelas aos títulos

Zidane, campeão do mundo em 1998, esperou pacientemente pela oportunidade para treinar a seleção francesa
Zidane, campeão do mundo em 1998, esperou pacientemente pela oportunidade para treinar a seleção francesa
James Gill - Danehouse

O rumor tornou-se oficial: o técnico tricampeão europeu pelo Real Madrid é o sucessor de Deschamps. ZZ, campeão do mundo como jogador em 1998 e vice em 2006, volta ao trabalho mais de cinco anos depois, sentando-se numa cadeira que sempre lhe pareceu destinada, envolto em máxima exigência

Zinedine Zidane e França, um matrimónio retomado para levar as estrelas aos títulos

Pedro Barata

Jornalista

Esta era daquelas que todos esperavam, uma notícia contada a conta-gotas, tão antecipada que, sendo nova, já nem soa a novidade. Mas a verdade é que somente agora é oficial, preto no branco: Zinedine Zidane é o novo selecionador de França.

O antigo craque substitui Didier Deschamps, técnico gaulês entre 2012 e o fim do passado Mundial. Os 14 anos do antecessor de Zidane tiveram como ponto alto o título mundial de 2018, também houve as finais perdidas de 2016 e 2022, mas estar mais de uma década orientando constantes gerações fantásticas e apenas erguer um grande troféu soube a relativamente pouco.

É, assim, com a fasquia colocada perto do máximo que Zidane regressa a uma casa que entenderá como sua. França, nos últimos torneios, andou perto da conquista. É para dar esse pequeno grande passo que vem faltando que foi contratado ZZ.

Mbappé será a grande estrela da equipa de ZZ
DeFodi Images

Aos 54 anos, Zidane volta a representar uma camisola que definiu boa parte da sua vida desportiva. Com 108 internacionalizações, cimentou um legado de grandeza por les bleus, não só por ser campeão do mundo em 1998, campeão da Europa em 2000 e vice-campeão planetário em 2006, mas pelo fato decisivo que frequentemente vestia: o bis na final disputada em casa, em 1998, os golos contra Espanha nos quartos de final e frente a Portugal nas meias-finais de 2000, as exibições de traje de alta costura em 2006.

Essa gloriosa caminhada até à final de Berlim, no último desafio da carreira, terminaria manchada. No prolongamento do renhido embate contra Itália, deu uma cabeçada a Marco Materazzi e foi expulso. Foi esse o último momento de Zidane com o azul de França vestido, uma história agora retomada.

Os dois últimos grandes torneios levaram os gauleses a eliminações nas meias-finais contra Espanha. Contando com um plantel recheado de qualidade, com bicampeões europeus pelo PSG (Dembélé, Doué, Barcola, Zaïre-Emery, Lucas Hernández), um criativo como Olise e um líder como Mbappé, além de uma constante produção de talento jovem, a tarefa passa por extrair o máximo potencial de toda esta abundância.

Aguardar 1.952 dias

Não há assim tantos profissionais de futebol que possam dizer que pensam e executam uma carreira. Muitos vão ao sabor das oportunidades, das circunstâncias, trabalhando mais em fruto do que se arranja do que se idealiza.

Zidane faz parte do restrito grupo que foge desta regra.

Memórias de 1998
picture alliance

O único cargo que o Bola de Ouro de 1998 exerceu como treinador principal foi no Real Madrid. Conquistou três Ligas dos Campeões, duas ligas espanholas, mais seis troféus, e colocou a carreira em pausa. Não treina desde maio de 2021, aguardando pela cadeira onde se queria sentar, onde parecia destinado a sentar-se.

Zidane esperou, esperou e esperou. A cada nova fase final, a especulação adensava-se, a pergunta sobre o futuro de Deschamps era repetida. Até agora.

Entre o último encontro de ZZ pelo Real Madrid, em maio de 2021, e o primeiro por França, um embate da Liga das Nações contra a Turquia em setembro, vão 1.952 dias. A paciência de Zidane foi recompensada, esperando-se que a autoridade que a sua aura emana mantenha a harmonia numa seleção que, historicamente, tende para o caos, conflituosidade que Deschamps soube sempre gerir e evitar. Finda a era Didier, uma lenda ainda de dimensões superiores ocupa-se de uma tarefa em que só ganhar conta.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: tribuna@expresso.impresa.pt