Futebol internacional

Federações da UEFA acordam em boicotar Mundial se plano de Infantino for para a frente

Ceferin e Infantino, presidentes de UEFA e FIFA, homens habituados a eleições sem grande oposição
Ceferin e Infantino, presidentes de UEFA e FIFA, homens habituados a eleições sem grande oposição
Nicolò Campo

Numa reunião de emergência, todas as federações europeias decidiram que não participarão em qualquer prova da FIFA a não ser que Infantino desista da proposta de vender a privados parte da operação comercial do Campeonato do Mundo. Que fique bem claro para todos: a UEFA e as suas federações nacionais irão opor-se a estes planos com determinação absoluta“, pode ler-se no comunicado conjunto das 55 federações

As 55 associações da UEFA acordaram não participar em qualquer prova da FIFA, incluindo o Mundial, caso o plano de Gianni Infantino de vender a privados parte da operação comercial do Campeonato do Mundo de futebol vá para a frente.

Infantino pretende criar uma empresa subsidiária, a FFE (FIFA Forward Enterprise), que reuniria os direitos comerciais do universo FIFA. A operação teria um propósito de vender participações do Mundial, a grande fonte de receitas da FIFA, a investidores, permitindo encaixar cerca de €3,7 mil milhões.

A posição de força da UEFA foi tomada numa reunião de emergência esta quinta-feira. “De forma unânime e inequívoca rejeitamos a proposta da FIFA de transferir parte da propriedade do Campeonato do Mundo e de outras competições da FIFA a investidores privados”, pode ler-se no comunicado.

“Como resultado da reunião desta quinta-feira, nenhuma equipa nacional da UEFA irá participar em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas permanecerem vivas”, diz ainda a dura comunicação, que sublinha que a UEFA só voltará atrás caso “esta proposta seja inteiramente abandonada e seja assegurado que a FIFA nunca mais abra a sua gestão ou competições a interesses privados”.

A UEFA reforça ainda que “o Mundial de futebol não pode ser tratado como um produto de investimento” e que “não está à venda”. A confederação europeia considera ainda “irresponsável e indefensável” que a proposta tenha sido concebida “em segredo”, sem qualquer “consulta significativa”.

“As federações de todo o mundo receberam um ultimato: aceitar a captura irreversível das competições mais importantes do futebol ou lidar com as consequências. Isto não é ‘uma decisão democrática’, mas gestão pela intimidação - um ato de coação indigno da instituição a quem foi confiada a gestão do futebol mundial”, sublinha ainda a UEFA. De recordar que a FIFA deu apenas até 19 de setembro para as 211 federações-membro para se pronunciarem quanto ao negócio, que garantir-lhes-ia um primeiro pagamento de cerca de €20 milhões logo em janeiro de 2027.

No longo comunicado, a UEFA alerta que “no momento em que os investidores externos adquirem participações nas competições da FIFA, o futebol muda para sempre“, já que “o retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se numa pressão diária. A partir desse momento, todas as decisões relativas ao calendário internacional, aos formatos das competições e ao futuro do futebol deixam de ser orientadas pelo que melhor serve o desporto, passando a ser orientadas pelo que melhor serve os accionistas“.

A posição da Europa é clara. Nunca conferiremos legitimidade a este modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém em fideicomisso para a próxima geração“, frisa ainda a UEFA.

Que fique bem claro para todos: a UEFA e as suas federações nacionais irão opor-se a estes planos com determinação absoluta“, remata o comunicado.

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