Mais más notícias para Infantino: depois da UEFA, também a CONCACAF e a confederação asiática recusam plano do presidente da FIFA
Infantino durante a meia-final entre Inglaterra e Argentina, em Atlanta
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As confederações que representam as nações da América do Norte, Central e Caraíbas e asiáticas juntaram-se à recusa da UEFA quanto à venda de parte da operação comercial do Mundial, desejada por Infantino mas, para já, sem boicote. Importante conselheiro do presidente da FIFA apresentou demissão
O terramoto chamado UEFA vai encontrando réplicas, menos fortes, mas ainda assim relevantes. Horas depois da confederação europeia anunciar que vai boicotar todas as provas da FIFA se o plano de Gianni Infantino de entregar parte da operação comercial do Campeonato do Mundo a investidores privados não for totalmente abandonado, mais duas confederações anunciaram a sua oposição aos desejos capitalistas do presidente da FIFA, a CONCACAF e a AFC.
A CONCACAF, confederação que junta as federações da América do Norte, Central e Caraíbas, foi a primeira a juntar-se ao repúdio da UEFA. Sem anunciar, para já, qualquer intenção de boicotar provas da FIFA, os 41 membros desta confederação rejeitaram a proposta e expressaram “preocupações profundas abre a falta de processo legal devido em relação à proposta, o deadline artificial imposto e a falta de qualquer tipo de análise ou aprovação de qualquer órgão de governação relevante da FIFA”.
Foi ainda questionada, durante a reunião entre todos os membros, a necessidade de abrir a operação comercial do Mundial a privados depois do “mais rentável Mundial da história”. Do encontro saíram ainda recomendações para os membros do Conselho da FIFA ali presentes questionarem o organismo de como as “vastas reservas da FIFA podem ser usadas para aumentar o financiamento do programa FIFA Forward”.
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A CONCACAF exige também a Gianni Infantino que respeite os estatutos da FIFA, nomeadamente em matéria de envolvimento do Conselho da FIFA em decisões relevantes como esta.
“Através das ações, a CONCACAF reafirma que o futuro do futebol - e do seu maior recurso - deve permanecer nas mãos da família do futebol”, pode ler-se ainda no comunicado.
Já a AFC, a confederação asiática, mostrou-se “solidária com a UEFA e CONCACAF”, revelando “preocupações sérias” quanto à proposta da FIFA. “O facto da situação ter chegado a um ponto em que a real possibilidade de um boicote ao Mundial entrou no debate público todos devem estar preocupados com o futuro do nosso desporto”.
A confederação asiática considera que a proposta criação da FFE, a FIFA Forward Enterprise, a nova subsidiária para onde seria transferida a operação comercial da FIFA, “não terá um realístico consenso” para seguir em frente.
“O Mundial é o pináculo do futebol a nível global e a sua força vem da participação de todas as confederações e das nações mais fortes. Qualquer proposta que coloque em risco esta unidade e caráter universal da competição deve ser reconsiderada”, aponta ainda o comunicado.
Tal como a UEFA e a CONCACAF, a falta de transparência da proposta e a forma como surgiu a público sem o conhecimento das federações e confederações e até outros órgãos governativos da FIFA é algo que preocupa a AFC: “O objetivo principal deve ser assegurar que decisões desta magnitude sejam desenvolvidas através de processos ancorados em transparência, que comandem a confiança da comunidade do futebol”.
“A AFC acredita que este momento deve servir de catalizador para uma reforçar uma reforma institucional. Embora todas as associações da FIFA devam ter a oportunidade de analisar e decidir sobre propostas que afetam o futuro do futebol mundial, uma democracia verdadeiramente significativa não se mede apenas pela possibilidade de votar. Começa com uma governação transparente, consultas atempadas, deliberação informada e uma participação genuína ao longo de todo o processo de tomada de decisão”.
Conselheiro demite-se
A polémica proposta de Infantino fez já a primeira baixa no seio mais próximo do presidente da FIFA, com Carlos Cordeiro, um dos mais importantes conselheiros de Infantino e que representou a FIFA na Task Force da Casa Branca para o último Mundial, a apresentar a demissão por discordar do plano de venda a privados.
“Não posso estar aqui enquanto a FIFA considera vender parte do Mundial”, apontou o antigo banqueiro e presidente da federação norte-americana de futebol, que sublinhou que não teve “qualquer envolvimento” na proposta. “Oponho-me a ela inequivocamente”, diz ainda, falando do negócio como “mau para o futebol”.
Já a FIFA voltou a reafirmar esta sexta-feira a intenção de manter o plano de vender participações da FFE a privados, sublinhando que irá continuar as consultas de forma “aberta e democrática”.
O organismo queixou-se ainda de “informações imprecisas divulgadas pelos meios de comunicação social“, que terão prejudicado “o processo de consulta“, que irá continuar “para que cada federação-membro possa expressar a sua opinião”. De recordar que a FIFA deu até 19 de setembro, ou seja, pouco mais de um mês, para que as 211 federações-membro se pronunciarem quanto ao negócio, prometendo um primeiro pagamento de cerca de €20 milhões logo em janeiro de 2027 caso o plano seja aprovado.