UEFA saúda fim do plano de FIFA, mas diz que “perdeu a confiança” na liderança de Infantino
Mike Hewitt - FIFA/Getty
A confederação europeia, a mais dura nas críticas ao projeto de vender participações do Mundial a privados, quer mais do que o simples abandono da ideia: pede uma mudança “profunda e estrutural” na liderança da FIFA e que “nenhuma hipótese deve ser excluída“
A UEFA foi a confederação com a reação mais violenta ao plano de Gianni Infantino de vender participações das competições da FIFA a privados, declarando mesmo um boicote às provas com a marca do organismo máximo do futebol mundial, e agora congratula-se com o fim do projeto pessoal do presidente da FIFA, rasgado na madrugada de sábado depois de uma semana de críticas e rejeições.
Ainda assim, a UEFA pede mais: quer uma mudança “profunda e estrutural” e diz mesmo que “perdeu a confiança” na atual liderança da FIFA.
“A UEFA saúda a decisão da FIFA de retirar o plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo o Campeonato do Mundo — a investidores privados. A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas federações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações, de todas as dimensões, em todo o mundo, cuja missão é proteger o futebol”, lê-se no comunicado lançado no site da UEFA.
A confederação europeia agradece ainda “a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, dirigentes, associações e confederações que se opuseram a este projeto, bem como aos muitos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentadores que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda”.
“Não podemos continuar com esquemas secretos, preparados à pressa, concebidos por pessoas sem rosto e de benefício mais do que duvidoso para o futebol”, aponta ainda a UEFA que diz mesmo que é necessário “identificar” os responsáveis, que devem “prestar contas” por esta aventura.
A UEFA sublinha ainda que nos próximos dias e semanas vai reunir com os seus associados e “em estreita cooperação com outras confederações” refletir sobre “como foi possível chegar a esta situação”.
“Essa análise deverá ser profunda e estrutural. Nenhuma hipótese deve ser excluída. A atual liderança da FIFA perdeu não só a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”, aponta, numa clara mensagem de repúdio a Gianni Infantino, que deverá concorrer para um novo mandato na presidência da FIFA em 2027. O suíço teria já a garantia de uma maioria fácil, mas os últimos dias poderão baralhar as contas.
O organismo europeu tem duras palavras para o líder da FIFA, frisando que “o projeto obscuro, negociado nos bastidores, opaco, que idealizou e tentou impor, esteve muito longe da transparência” que Infantino prometeu quando foi eleito pela primeira vez em 2016.
A UEFA sublinha ainda que a FIFA deve usar as reservas superiores a 5 mil milhões de euros, “parados em contas”, para “dar o impulso que o futebol de base e o futebol em geral necessitam”. E que não preciso “vender o património da família para o conseguir”.
“Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta foi retirada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas a começar”.